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sábado, 18 de maio de 2013

A Ideia de Deus para todos nós - baseado em "Diálogos no Purgatório com Jean Guitton" de Henri Hude

Num purgatório entre vida e morte Henri Jude define um limbo premente onde os sonhos não concretizados arrastam seres humanos para uma vida desprovida do Ser que Deus projectou. No purgatório, o homem recém-morto tem a possibilidade de vislumbrar o seu percurso e compará-lo ao proposto pela Divindade. Da análise comparativa percebe então a razão de não ter atingido o almejado Paraíso e de ter se livrado do malfadado inferno. Entre o Inferno e o Paraíso o "morto" reconhece a falta de fé na concretização do ideal de Deus... "Quando Guitton voltou a si, mostrava um grande sofrimento, um sofrimento estranho como nunca tinha experimentado igual, em qualquer lugar ou tempo na Terra. O Anjo questionou-o: -Que viste? -Vi-respondeu ele- a Ideia que Deus tinha de mim antes de me criar. -Desde quando começaste a sofrer assim? -Depois de ter visto essa Ideia. -Sabeis em que consiste esse sofrimento? -Sim- respondeu ele. Sofro por ter dado conta da distância entre o que fui e o que podia ter sido." Diálogos no Purgatório com Jean Guitton de Henri Hude E deve ser esse sofrimento que devemos evitar no pós-morte e vivê-lo em vida, na superação de obstáculos e na concretização dos desejos intimos. Nada mais triste do que viver uma vida que não é a nossa fingindo sermos o que não somos, e adiando a felicidade para um futuro que nunca chega. Acomodamo-nos a uma imagem que criamos de fora para dentro sem nunca atingirmos o diamante encarcerado no coração. Aproveitamos os atalhos e fugimos ao risco de ter fé. Preferimos a certeza do visível à certeza de que para Deus nada é impossível. Desconfiando da razão do coração cedemos às tentações da gula do olhar. No imediato perde-se a construção da eternidade. "Que história admirável teria tido lugar através de vós, se tivésseis permitido ao poder de Deus revelar pela vossa vida esta coisa desconhecida e imprevisível: Vós!...Conseguireis pela simplicidade o que a malícia não consegue... assim para vencer precisastes da inspiração de Satanás... Assim vos perdestes, não sei onde, mas em qualquer parte, entre o caminho da salvação e o caminho da perdição" Diálogos no Purgatório com Jean Guitton de Henri Hude No caminho da perdição não anda só o condenado pela sociedade mas também o idolatrado que vive de uma imagem e da opinião dos outros. Aquele que foge do encontro íntimo ausenta-se do contacto com Deus. No silêncio sente-se a música do coração alimentando a concretização da ambição do Ser. "Todos o observaram e viram. Viram as suas vocações, viram a sua ambição e viram o seu fracasso. Viram o que ele tinha guardado só para si." Diálogos no Purgatório com Jean Guitton de Henri Hude E assim se matam sonhos e se elimina o Homem que Deus quis que a Terra tivesse. Estas almas perdidas no medo de ser e de desbravar caminhos novos, acabam nascendo por nascer. Mas o não cumprimento da sua missão, isto é a sua real existência compromete o Plano Divino de elevação do mundo a uma consciência Superior. O Céu um dia gualará a Terra, e a profecia cumprir-se-á "assim na Terra como no Céu". Mas para que tal se transforme em realidade é necessário que o Homem não deixe de acreditar que o mais importante não é salvar o mundo mas sim a "questão da salvação". E esta assenta na verdade que te permite ser livre. Livre para não ser a "opinião dos outros", mas "pela prática das pequenas coisas. À custa de pequenos actos de coragem, sereis capaz dos grandes".

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