domingo, 3 de março de 2013
O Regresso da Rainha Njinga de John Bella
Saudações literárias a todos os presentes
Antes de tudo, gostaria de agradecer ao anfitrião deste momento cultural pela sua dedicação, persistência e sacrifício na missão de promover e fazer literatura em Angola, em especial, nas áreas da poesia, declamação e historiografia tradicional e por outro lado, no seu empenho em impulsionar novos valores literários com o objectivo maior de instituir uma angolanidade indispensável ao desenvolvimento. (não querendo entrar no lado político do deputado Jorge Marques Bela uma vez que a entidade presente na sala é o Escritor e Professor Jonh Bella saltarei para a parte literária).
Assim sendo, conheci John Bella no lançamento do meu livro e desde então me interessei pela obra deste autor. Curiosa tentei angariar alguma das suas obras: Água da Vida, Panelas cozinharam Madrugadas, A Canção Mágica que repetidamente me disseram estar esgotados, entre sempre um rasgado elogio dos interlocutores ao nosso autor. Todos conheciam John Bella e alguns até declamavam os seus poemas. Este reconhecimento pode não ter o glamour de um Nobel mas é para mim e muitos presentes nesta sala motivo de orgulho que nos faz vir prestar homenagem merecida. Que mais pode desejar um escritor do que ter a sua obra lida, declamada e até fotocopiada (como acabei fazendo juntamente com muitos outros)? Poderá haver maior prova do seu sucesso?
Durante o percurso desta amizade literária acabei tendo a oportunidade de ter pela primeira vez em minha mão uma obra do autor: Os primeiros passos da Rainha Njinga e agora o segundo o Regresso da Rainha Njinga, o qual acaba de nascer…
Neste Romance Histórico John Bella parece ter sido transportado da época da Rainha Njinga para os nossos dias com a responsabilidade histórica de fazer constar factos e descrições de uma época marcante na constituição de Angola como a conhecemos. Quem lê os primeiros passos da Rainha Njinga e agora o Regresso da Rainha Njinga sente-se transportar para esta dimensão espácio-temporal do povo Ambandu a fim de vivenciarmos uma verdade histórica tradicional com os olhos de quem vê: Os detalhes dos momentos, as descrições vívidas dos comportamentos, gestos e feições, os cheiros da terra, do capim, as visões das paisagens, os rituais e mnemónicas de um povo… tudo nos envolve para nos fazer crer que já não estamos a ler mas a presenciar cada momento como se parte da integrante da história fôssemos. A leitura deixa de ser leitura para ser uma realidade vivenciada como uma tela dotada de vida, onde tudo tem uma autenticidade inexcedível. O ontem passa a Aqui e Agora!
E Aqui e Agora em jeito de excursão conhecemos o território do Ndongo reconhecendo justificações de uma toponímia e costumes que até hoje permanecem ( Cacuaco, Kinfangondo, Caxito…)
Mais uma viagem relatada onde a destemida e sábia rainha Njinga exibe dons de liderança pela congregação da sabedoria de dois mundos oponentes (cristão e xamânico). Sem se intimidar com a força guerreira dos xinguilamentos xamânicos da terra ou com a tecnologia bélica das cruzadas cristãs Njinga flutua numa outra dimensão onde a mente encerra o coração e inspira a confiança indispensável ao séquito de seguidores que angaria dos dois lados. Bebendo de ambos os mundos, constrói um novo – o reino de Njinga Mbande- onde a fé amparada por seu pai o patriarca da Nação a faz brilhar tal qual estrela polar no breu da noite.
À semelhança da rainha de Sabá Njinga percorre o país, entre ofertas e gastronomia típica de cada sobado, escondendo a agenda militar e de estratégia governativa que nos momentos de solidão desenha com o seu falecido pai.
Em Lukala é recebida “ com pompa e circunstância. Tinham muito para dizer. A mbanza do Soba Samba a Lukala estava em festa. A multidão juntou-se à entrada da sanzala, onde organizaram a kizomba. Muita bebida e comida da terra. As raparigas, de vestes apropriadas para a ocasião; trajavam saia de ráfia e outra ráfia que lhes cobria o peito. Madimba, kisanji e outros instrumentos musicais. O som das cornetas, feitas de cornos de antílopes, despertava a curiosidade nos populares circunvizinhos; estes vinham juntar-se à festa. As músicas sucediam-se, umas após outras, com variadíssimos ritmos. A festa continuou, até ao dia seguinte.” (Regresso da Rainha Njinga, John Bella)
No momento da chegada, talvez por estar exausta da viagem, Njinga não se reuniu com os Makota para os informar do resultado das negociações. Só depois então, iria ter com o irmão Ngola a Mbande, que a enviou como emissária nas negociações com os portugueses, para a paz no Reino do Ndongo.
Os anos de vida que lhe pesavam na sua soberana sabedoria fazem-na saber confiar desconfiando. Perder o homem da sua vida e o filho assassinados às mãos do irmão Ngola remeteram-na para momentos entre a vida e a morte, tendo apenas os desígnios da nação lhe entregue pelo pai a feito ressuscitar para esta missão divina de buscar a libertação. Perdera-se a jovem apaixonada guerreira e ficara a madura Njinga que engole o orgulho e a raiva para servir de negociadora entre os invasores e o Rei Ngola seu irmão. Aceita assim a identidade portuguesa crista sob o nome de D. Ana de Sousa pois acima do desejo de justiça sobrepunha-se os desígnios dos povos prestes a degladiarem-se pela capital S. Paulo de Luanda.
Já o seu irmão cego pelo poder e déspota dificulta o trabalho de diplomacia que Njinga enceta, por considerar estar acima de qualquer lei. Apartados pelo carácter e por esta tomada do poder pela força Njinga não desiste pois sabe que a sua sabedoria não lhe foi entregue pelos homens mas por entidades superiores. Angustia-se com a eminência de uma guerra que arrasará o seu povo dado o poder bélico que os invasores demonstram e a arrogância e falta de estratégia do Soberano ilegítimo, seu irmão.
Os sofrimentos infligidos aos milhares de escravos e as mortes vãs levam-na a agir como soberana legítima reunindo todas as entidades representativas do sobados do rio Kwanza em concílio:
“Imaginem vocês, que as dificílimas conversações que desempenhei em Loanda, o tratado que assinei, até certo ponto, deveras vantajoso para nós, ele parece desvalorizar, apenas pela sua árdua ambição pelo poder! – dizia ela, decidida – Mas não deixarei que isso aconteça! Ele não pode continuar a colocar a vida de todos os mundongo assim em risco. Vocês, não fazem ideia do que são capazes os brancos, quando pretendem investir numa raça que não é a sua. Apercebi-me de horrores que foram praticados contra um povo chamado os Maia. Disse-me um missionário que, numa altura em que eu teria por aí, meus vinte e quatro anos de idade, atacaram e exterminaram aquela gente em Kuzgo. Era este talvez, o nome da mbanza principal daquele povo. E vejam que isso aconteceu, depois de anos antes, os terem hospedado com todas as mordomias. É assim, ou de maneira mais cruel, que eles tratam os humanos. E o pior, muitas vezes, com a cumplicidade dos missionários cristãos!”
Descrito o cenário Njinga partilha a estratégia de libertação de Angola do colono pelo recurso a um plano de sacrifícios e sacrificados, onde escravos transforma-se em moeda de troca. Aproveitando o tempo de paz garantido pelo acordo firmado com o rei de Espanha em São Paulo de Luanda Njinga refaz, à revelia dos dois reinados, um exército demonstrado destreza na Arte da Guerra. Aceitando com astúcia a esmola de uma identidade portuguesa e cristã, o sacrifício do seu povo à escravatura e a subserviência a um Rei ilegítimo, Nzinga assume-se como a líder que traçará o caminho da Libertação de Angola.
Caso não conhecesse o autor neste presente contemporâneo atrever-me-ia a dizer que ele fora o eterno e fiel acompanhante (amante) de Njinga Mbande em todo seu percurso de vida: conhecendo-a desde o seu nascimento, a sua primeira paixão, a perda da sua virgindade, à sua primeira batalha ao lado de seu pai o Rei Ngola Kiluanje e às grandes desilusões que vou manter secretas … aguarda-se talvez nos “Últimos Passos da Rainha Njinga” a morte desta rainha que John Bella, seu eterno apaixonado platónico, teima em não fazer acontecer.
Obrigada John Bella por mais este momento de angolanidade literária, em que se faz justiça às heróinas que Angola possui.
Bem haja!
5 de Novembro de 2012, Luanda (União dos Escritores de Luanda)
Lueji Dharma
Nzambi é Amor…
Partícula de Deus
O sol crescia radiante naquele fim de dia. Magnânimo expandia-se sobre o véu da temperatura. Oh mar de raios libertos nestas partículas de Deus que calmamente percorrem céus para no finito se despenharem. E neste finito onde nos encontramos somos todos partículas de Deus encarnados nesta matéria que vida após vida pretende Ser a perfeição.
Coberto por um manto de terra e lixo o diamante jaz esquecido nas trevas do desconhecimento. Buscai e acharás! Mas não te iludas buscando lá fora.
No silêncio pergunta:
- Quem sou Eu? – e após a pergunta dirige a tua mão para quem és tu? Agora que fizeste movimento. Já sabes quem és tu? Não és o cerébro, o pescoço, a boca, os pés ou a barriga. És o coração! Intuitivamente e até desconhecendo a fisionomia sabes que és o coração.
Porventura já observaste os quadros que pintores iluminados deixaram ao teu dispor para que te possas encontrar?
O dedo indicador aponta o caminho para a elevação – o coração - a partícula de Deus comum a todos nós. O tesouro a ser descoberto e que nos faz todos à semelhança de Deus.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
11 Livros que mudaram mundos - Eclético FM 88.5
Todos os domingos na Rádio Escola o programa Eclético FM / 88.5 teremos uma rubrica onde serão divulgados a selecção de 11 LIVROS QUE MUDARAM MUNDOS.
Por outro lado teremos a votação para enumerarmos os 11 livros de autores angolanos mais lidos. Aproveite esta oportunidade para homenagear um autor angolano que tenha mudado o seu mundo.
A rubrica da responsabilidade de Lueji Dharma será feita em colaboração com os apresentadores Lukeny Bamba e Kool Klever.
SAUDAÇÕES À "NAÇÃO ECLÉTICA",
Lueji Dharma
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
A Importância da História para a Construção da Nação - Mesa Bicuda com Filipe A. Vidal
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Imagem - Jitta Criativo
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Angola - Nação jovem e em busca da sua identidade histórica
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Mesa Bicuda
Um país existe em função dos seus limites geográficos delineados e protegidos. Mas uma Nação emerge de uma consciência comum de que todos somos parte do mesmo mundo, de um mesmo sonho e de uma identidade.
Esta identidade é construída através da leitura dos mesmos livros, do ver dos mesmos filmes e de ter um conjunto de valores sem os quais não sabemos ser.
É este o tema em debate nesta Mesa Bicuda onde o convidado Filipe A. Vidal esgrime os seus pontos de vista de acordo com o texto abaixo publicado.
Lueji Dharma
Introdução
Espaço e tempo dois sinais para estrada do infinito.
Estaremos nós no ano 2011?
Na generalidade subsiste uma definição da História como a ciência que estuda passado do homem.
Porém a história não se reduz tão e somente ao estudo deste passado, sendo que e como bem diz o Professor Ch. A. Diop,”é preciso estudar a história para que ela ilumine o futuro e se compreenda melhor o presente”. Esta asserção é correcta se nos ativermos a variável antropológica da Dinâmica Cultural por um lado e por outro lado a variável Quântica da Vida, sendo que o universo é ao mesmo tempo onda e partícula. E a estas duas variáveis podemos adicionar uma terceira, a variável Antropo -filosófica (da Mutabilidade da Vida) na compreensão da História.
Aliás Heraclito dizia que tudo mudo, excepto a mudança que tem por norma apresentar-nos com os mesmos pressupostos ou variáveis… e diz a sabedoria popular que ”a história se repete, só a forma é que muda”.
Deste modo a história é testemunha de toda vivência cósmica manifesta e imanifesta do universo, afinal “tudo é história”.
A história vem do grego HISTOR: “aquele que aprende pelo olhar” ou seja que sabe pelo testemunho ocular ou que testemunha com os seus próprios olhos os acontecimentos, a realidade.
A história pressupõe um empregar desta visão pelo seu intérprete - operacionalizador consciente dos actos da história por visão ora objectiva, ora subjectiva.
Ao tratarmos da história como Estudo, Conhecimento ou apresentação de factos passados do homem estamos a privilegiar a óptica subjectiva ao passo que ao designarmos um facto por si só, estaremos a enfocar a objectividade da história.
A história apresenta um carácter tridimensional e polissémico sendo:
a) Os Factos e os Processos reais ocorridos em determinado espaço e tempo.
b) A Disciplina – Ciência que estuda os Factos e Processos Históricos de forma ordenada e cronológica das civilizações, sociedades; ou seja o estudo sistémico do universo sócio – cultural dos povos ou o Sócio - Sistema de cada povo, região ou nação, etc.
c) O conjunto de obras que narram os Factos e Processos históricos e estes surgindo como resultado dos esforço e busca do interprete operacional destes Factos e Processos (o Historiador).
Vislumbra-se a partir desta triplicidade que a História é a ciência dos actos do passado e dos vários factores que neles influenciaram. Factores estes de ordem natural, social, económico, politico, psico-comportamentais e até memo de carácter espiritual (porquê não?). Todos estes vistos numa sucessão temporal – cronológica.
Assim a história pressupõe um estudo dos Actos Sociais (a Acção Social Maxweberiana) do homem nas suas manifestações singulares ou colectivas (grupais) institucionalizadas ou não a luz da força do direito ou do direito da força enquanto seres conscientes num dado espaço-tempo, duas grandezas matemáticas algébrico – trigonométricas para a compreensão da história e da acção socializadora do homem que são sustentadas na variável Antropológica do Homem em relação ao Universo dado pela sua disposição psicológico – espiritual de cada onda/momento. Sendo a formula idealizante da história:
(O Co-Produto da História é igual ao Tempo sobre o Espaço multiplicado pela Psicologia Humana multiplicada pelo Somatório acção social mais ou menos infinito. T = Tempo. E=Espaço,Factores Geograficos – Ambientais, Materiais e Geopoliticos. AcS = Acção Social-Politica-Económica. )
A Filosofia da História e a Construção da Nação
“Factum Factum qui a Factum Est”, assim diziam os sábios antigos com Eliphaz Lévi; e é facto peremptório que uma Nação que não tenha Noção da sua própria história é uma Nação Morta ou sem alma e sobre isto o Prof. C. A. Diop diz: “sans la dimension historique, nous n´aurions jamais eu la possibilite d´etudier l´evolution des societés”.[1]
É através da história e com a história que podemos com mais profundidade compreender qualquer corpo social, sendo a história a alma mater dos povos (A Memória Colectiva, o chip set do Subconsciente Colectivo (Memória ROM) da Humanidade). Dai a importância relevante do Direito dos Povos em relação aos Direitos do Homem. Alias nenhum processo histórico – filosófico ou sócio – antropológico se faz por si mesmo. Cada época tende a firmar-se consigo mesma, por quanto é preciso dizer que na história em particular e nos processos históricos e/ou filosóficos (da história) em geral não existem cortes radicais como se tem pensado, isto porque cada época segue admitindo os processos próprios de cada época anterior.
Dai que é impossível conhecer a fundo a Nação Africana se ignorarmos a História do Antigo Khemet (Egipto) passando através do Ghana – Mali Mediaval, Kongo – Monomotapa, etc., até aos dias de hoje.
“L´Egypte jouera, dans la culture africaine repensée et rénouvée, le même role que les antiquités gréco-latines dans la culture occidentale”.[2]
O mesmo acontece com o caso particular de Angola, pois não seria correcto compreender nem edificar a Nação Angolana se não tivermos como base o conhecimento das Nações Medievais tais como o Kongo, Ndongo– Matamba, os Estados do Planalto (Vihé – Bailundo), a Nação Nhaneka – Nkumbi, a Nação Lunda – Tutchokwé, etc.
Longe do discurso erróneo de reduzir estes organismos políticos a simples etnicidade – tribal, quando as mesmas e algumas delas foram estados viáveis surgidos muito antes que muitos estados em relação a Europa, tais como o Kongo Medieval que surge por volta de 690 d.C.; verdade se diga que estes Estados – Nações – Territoriais deixaram-nos reminiscências territoriais e sociolinguísticas tais como a Huila (fundado pelos Mumwilas – Nhaneka - Nkhumbi), o Bailundo (fundado pelos Ilundu ou Bailundo - Umbundu), a Cidade de Mbanza – a –Kongo (fundados pelos Kikongo, com povos da mesma língua) e até o nome actual do país Angola (em alusão aos fundadores do Ndongo, Matamba, etc).
Através da história podemos perceber a dimensão geográfica da Nação (Espaço) e a dimensão cultural sócio linguística[3] dos Povos que compõem a Nação.
Conclusão
O aprendizado constante das línguas nacionais e a sua manutenção para o caso de Angola e de África podem ser uma chave fundamental para a compreensão da História Nacional (Nação).
Não pode haver Nação sem história e não pode haver Nação sem Território. (Eis a razão das variáveis apresentadas na equação acima).
Como exemplo temos os povos ciganos que embora tendo uma história comum, não se firmou como nação por não terem um território próprio, tal como foi o caso do povo hebraico-judeu-israelita até 1948. E estes povos após perderem a sua Nação Territorial primeiro com os Babilónios e depois com os Romanos e os inúmeros sofrimentos encontrados no percurso dos mesmos, e mesmo com todos estes problemas na sua vivência histórica, a Consciência da sua identidade histórica, alicerçada também pelo mito de “Povo Eleito” por Deus, faz deles a Nação que são. Julgo que foram as mesmas motivações da Consciência Histórica de carácter nacionalista que fizeram os filhos de Angola chegar a Praça da Independência em 11 de Novembro de 1975.
Porém para se compreender melhor a importância da História na construção da Nação, precisamos fundamentar e relacionar os conceitos seguintes:
1) Consciência Histórica e sua relação como o Ensino (Didáctica) da História (criação do currículo); 2) Cultura Histórica e Consciência Histórica (Psicologia e construção do individuo, dimensão antropológica); 3) Consciência Histórica e Determinismo Geográfico (Dimensão Geopolítica); 4) Filosofia da História (Universal e Africana); Consciência Histórica e Nação, Nacionalidade e Nacionalismo; 5) Consciência Histórica e Civilização; 6) Consciência Histórica e Ciclos Históricos (Sincronismos e Diacronismos); 7) Consciência Histórica e Dinâmica Cultural.
Questões que poderemos tratar durante o debate.
Pode-se destruir uma Nação pelas armas mas não o seu espírito, porque este só é acessível aos filhos do amanhã eterno. (Filipe A. Vidal).
[1] DIOP C.A. –Civilization ou Barbarie, Anthropologie sans Complaissance, Pres. Africaine, Paris,1981,pp.12+1
[2] Op. Cit. DIOP, C. A.- Civilizations ou Barbarie, Anthropologie sans Complaissance, pp.12
[3] VIDAL, Filipe Artur – A Língua e a sua Relação com o Código Genético, comunicação apresentada no IIIº Simpósio Nacional Sobre Cultura, Luanda, Palácio dos Congressos, 2006
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sábado, 26 de janeiro de 2013
Entendendo o amor...
O luar brilhante gira em torno das árvores que cobrem este palco. O luar expande os seus raios em nós gravando no firmamento a certeza que havemos de ser um. A energia pulsa na forma enquadrada que o nosso dançar encontrou nas notas musicais destes temas que marcam Luanda.
Notas musicais com a beleza de diamantes retiradas de uma ancestralidade africana. Oh mas quando percorremos os dois este palco eu vi o luar nos teus olhos. Eu vi a lua nos meus olhos reflectir no teu olhar e senti em nossos corpos o desabar das folhas destas árvores seculares.
E assim refugiados num palco iluminado de atenções vimos a lua brilhar sobre a balançar dos nossos corpos. Os passos em torno da letra musical acendem velas e cobrem o chão de pétalas de rosas. As mesmas pétalas de rosas que todas as manhãs deixo cair sobre a água deste alguidar que enfeita a entrada que recusas encontrar.
Mas que dimensão esta em que te oiço mas não te vejo. O teu sussurro é tão presente que o oiço. A tua alma é tão real que existe. Oh dor! Oh saudade! Neste palco nós os dois lutando para que a lua se mantenha presa ao céu. Apenas o luar te faz voltar para o longe. Apenas a noite me faz sonhar. Oh este palco iluminado de atenções. A dança mantém-se presa ao dedilhar destas cordas tocadas no rastejar das estrelas. E o tambor ecoa no compasso do bater dos nossos corações. Os teus braços e o teu abraço. Flutuo no ritmo do amor. E tu existes. Eu e tu.
Os meus olhos meditam orações oferecidas a esta lua que esconde o dia ao sol. Se ao menos a noite permitisse o dia existir contigo. Oh se ao menos existisse espaço para o imaginário no acordar do dia. O teu abraço. Eu nos teus braços.
Prendo os teus braços na força dos meus dedos e no arranhar das minhas unhas. Os meus olhos cerrados conseguem ver a luz do Sol. O dia a nascer… E as lágrimas caem destes olhos semicerrados que não querem acordar para ver que nunca estiveste ao meu lado. Sonho tornado pesadelo todas as manhãs. Pudera eu não lembrar este sonho por viver.
Mas a música ecoa. O vestido de princesa ainda esvoaça num bailado eterno. A copa das árvores forma um buraco no centro do palco. Um vácuo onde a lua permanece presa ao céu. As estrelas que caiem são estas velas que agora marcam o percurso dos nossos passos. Faróis de um tempo por vir. Espaços de luz que iluminam o caminho do encontro. Será que mesmo assim não vemos. Será?
Oh saudade esta de uma parte de mim num desconhecido. Oh chave da vida escondida em ti, um desconhecido. Deus não erra. Deus não joga aos dados. E deu-te a chave. A Chave de mim. E tu que fizeste? Que fazes? Sabes que guardas a outra parte de mim e que oiço teus passos no bater do meu coração, teu sorriso em sonhos e tua vida na alegria da tua existência. Não consegues lembrar o caminho de casa? Para que possas finalmente usar essa chave que tens presa ao coração e que te foi dada ao nascer. Quando nos veremos?
Na pele gravei cupido dentro de um coração com a seta a apontar para este nome que desconheces. Esta tatuagem que carrego à vista para que reconheças a flor ornamental que prende os meus cabelos. Esta flor cujas pétalas cobrem a água deste alguidar imaculado que deseja ardentemente ver o dia em que abrirás a porta de minha casa. E finalmente percebas porque tens essa chave presa ao coração.
Nesse regresso espero que perdoes as vezes que te amaldiçoei, que te quis matar nesse sonho virtual, porque estava impaciente. Não acreditei mais nesta longa espera que parece mais eterna que qualquer sentimento que possa eventualmente existir. Mas os anjos bateram asas e em concílio suplicaram que me rendesse à paciência: “Esperar humildemente na fé”. Assim me disseram. Obrigando a ressuscitar-te desse homicídio premeditado com direito a enterro velado.
Resignada a que o meu poder se verga ao Universo humildemente ergo todas as manhãs ansiando pelos dias de lua cheia e as noites douradas pelas estrelas. A fé em cada quarto crescente rebate os quartos minguantes que a vida nos dá. Oh desolação o coração. Este voar num círculo que parece ser sempre redescoberto. Continuar a perseguir ilusões? Ou não serão? Se ao menos estes anjos infernais me deixassem desistir.
Lueji Dharma /Entendendo o amor
Imagem: Jitta Criativo
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Parabéns Luanda... Voltar Plural
Texto: Lueji Dharma
Imagem: Jitta Criativo
Nesta cidade iluminada onde por vezes a luz falta e a água decide perder o caminho do cano e da torneira conseguimos estabelecer um contacto com a eternidade do ser. Cada intervalo de tempo é um teste a nós mesmos. À nossa resistência física, psicológica e humana. O barulho ensurdecedor de uma cidade que não tem hora de dormir deixa-nos a ansiar por um momento de silêncio. Ao contrário de outras cidades não é recomendável esperar por um momento de paz mas deves, conforme todo o ensinamento espiritual dos gurus da actualidade, carregar essa paz contigo constantemente.
O Candongueiro que fura simulando o ataque ao teu carro, ao passeio e até à autoridade de um Maximbombo oferecendo como sacrifício vidas humanas deve provocar em ti uma calma irredutível que no máximo se pode descompor num palavreado menos digno seguido de um dedo erguido fora da janela. Pois é! Afinal a paz também tem momentos de trégua.
A trégua que permite matar o ladrão que é apanhado nas teias dos becos sem saída e decide retirar-nos a paz roubando o pouco que temos e que pouco lhe serve numa vida perdida. Uma trégua que transforma homens vulgares em assassinos em grupo num ímpeto de saturação e busca de justiça que termina neste acto de pena de morte. Oh perdão que acabamos por não ter numa vida de sacrifícios que não se compadece de quem é pobre e amigo do alheio.
Um perdão que negamos ao cordeiro mas que oferecemos ao jacaré. Como quando em vez de confiarmos na polícia receamos a gasosa e todo o diálogo irracional que daí pode surgir. É desgastante vergarmos à total injustiça. Mas que fazer quando não temos a fé de Daniel que depois de atirado à cova dos leões teve o apoio de “um anjo que fechou a boca dos leões, para que não lhe fizessem dano, porque foi achada nele a inocência”. Podes não ter a inocência de Daniel mas ao menos a confiança que os humilhados serão exaltados.
Estes humilhados como esta criança menina que percorre os passos da mãe zungueira e chora por um colo nas costas vergadas ao sol e ao peso da mercadoria. Esta criança desnutrida, com ranho no nariz que chora de dedo na boca a amargura de uma profissão que não escolheu. Esta mãe que não ouve o choro de um filho. Todos nós os humilhados que percorremos estes passeios cobertos de mendigos que de tanto os vermos já os conhecemos. O que vive num jardim mostrando as partes púbicas, a mulher que anda com o lenço na cara, o que percorre luanda andando com a pressa de quem quer fiscalizar toda esta terra… são eles que nos forçam o olhar para o lado. Sim, todos nós olhamos para o lado fingindo não ver…
É esta a Luanda dos humilhados que reaparece verde na marginal permitindo um resgatar de espaço público que nos revitaliza as baterias da paz. A paz interior obrigatória tem de ser reabastecida. E nesta pérola entre terra e mar surge este oásis que veio restaurar Luanda e instaurar um novo começo que construirá braços entre Torres de betão. Um verde pulmonar que se quer um tumor benigno contaminando este betão e asfalto que nos sepulta como homens e povo. O verde, a Natureza desponta atraindo os que buscam a paz e o bem-estar não se resignando às paredes do profissionalismo, do capitalismo e do lar. Oh momento de meditação ao som das ondas que batem sobre este tapete relvado que nos chama ao compromisso sério de sermos mais Paz.
É sobre este relvado que por vezes entre corridas de manutenção física observamos a diversidade que habita esta Luanda cada vez mais internacional. Luanda não pode fugir a este novo papel de todo o mundo. África, Ocidente e Oriente todos se juntam sobre este tapete verde cruzando que nem formigas numa busca pela paz e pelo bem-estar. Aqui devoram-se gorduras e busca-se saúde.
É nesta marginal que afasto o pensamento, sofrido na pele, que me impõem de que estamos numa cidade racista, violenta e à beira de um colapso social. O gato preto que passa por mim ronrona olhando com a inocência natural de um animal. Medo? Apenas da ignorância onde se alimentam as crenças que impedem esta paz de prosperar e a abundância de ser distribuída. A luta não deve ser contra o racismo ou contra um sistema mas sim contra a ignorância. Essa sim tem de ser combatida com a sabedoria da educação.
É necessário Senhor um novo milagre! A multiplicação de bibliotecas, de livros e de leitores ávidos e criativos. É necessário um milagre de regressar à raiz do problema: a ignorância que grassa; e aos aproveitadores dessa ignorância. A esses a cova dos leões servirá de leito. Porque Voltaremos! Está escrito sob o empunhar do braço e sobre o signo de um Novembro Eterno que o Largo da Independência gravou. Um largo transformado em rotunda onde atravessar é a única forma de chegar, porque temos de Voltar à Luanda de todos e de cada um de nós. Esse é o nosso Voltar cada vez mais plural!
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Intercâmbio Cultural Estados Unidos da América - Angola
1. Em primeiro lugar, quem é Lueji Dharma e como começa a sua relação com o Movimento Lev´Arte?
Podia arranjar muitas definições e concepções para a definição da Lueji Dharma, mas posso dizer-te que este pseudónimo significa para mim o ressuscitar da arte em mim através da busca de Deus e da minha identidade cultural. Assim, Lueji provém do nome de uma rainha tchokwe natural da terra onde nasci. E Dharma é um nome indiano que representa a busca da divindade ou o caminho para a divindade superior. E nesta busca aprendi a confiar em mim e a ouvir à minha verdade interior que transpira na escrita e na partilha dos valores apreendidos com outros. Esta ligação à arte acabou por me levar ao Lev’arte para realizar a Mesa Bicuda – um espaço de diálogo entre jovens e pessoas que se destacaram na sociedade pelas suas acções.
Foto – Movimento Lev’arte na visão artística do Jitta Criativo
2. Fale um pouco desta experiência nos EUA, o que é e como surgiu?
O convite formulado pela Embaixada dos EUA na pessoa do embaixador Christopher McMullen em Luanda surge de uma vontade do povo americano em desenvolver laços com cidadãos de outros países de forma a buscarem entendimento humano e cultural. Este programa provém desde 1940 e surgiu inicialmente para os países da América latina.
O convite da Embaixada dos EUA surge de forma inesperada mas com uma grande dose de reconhecimento do trabalho que tenho desenvolvido nas áreas do desenvolvimento humano através da arte. Trabalhos que faço de forma voluntariosa com o intuito de aprender e partilhar conhecimento e que nunca pensei ser passível de reconhecimento. Esse trabalho desenvolve-se em várias vertentes entre elas edição e produção de livros de autores angolanos, trabalho como mentor de jovens, produção de textos escritos com carácter social e respectiva publicação, bem como intervenção pública através das entrevistas em rádios, jornais, televisão e internet. Todo este trabalho foi realizado com o apoio de muitos amigos, do Movimento Lev’Arte e os meus colegas do GTRUCS. Gostava de aproveitar este momento para agradecer ao Francisco Sarmento, Kardo Bestilo, Joaquim Ribeiro, John Bella, Teresa Ferreira, Marcos Inglês, Esio, Pedro Bélgio, Mira Clock, Wilmar Tembo, Luis Jimbo, Joel Sérgio, Dadinho, Jitta Criativo, Mauro Yange, José Fernandes por terem constituído uma fonte de incentivo na minha vida fazendo-me acreditar que estava no caminho certo.
Foto - O encontro com o Sr. Embaixador dos EUA em Luanda Christopher McMullen antes da partida para o intercâmbio cultural.
3. O que levou de Angola para mostrar os EUA?
Apesar das limitações de peso acabei por viajar carregada de livros para os EUA. Na mala levei livros do Joel Sérgio, Mira Clock, Kiokamba e o Palavras do Movimento Lev’arte os quais foram muito bem recebidos tanto pela delegação dos países afro-lusófonos, bem como, pela embaixada de Angola nos Estados Unidos da América e pelos americanos. Trouxe também a Aldeia de Deus que é o meu último romance. Na mala vieram ainda algumas pulseiras em bambu feitas pelos nossos artesões. Levei ainda CD’s de musica do Esio e Yemba, bem como, uma prenda poética especial o CD de poemas “No Continente da Luta” do Marcos Inglês. Aproveitei ainda para promover a arte digital do Jitta Criativo que tem voluntariamente trabalhado para transformar a mentalidade dos jovens pelo uso de imagens com grande simbolismo. Por outro lado, tenho publicitado o site da Ebookangola e do Movimento Lev’arte para que mais americanos possam aceder a mais livros e cultura angolana. Por outro lado, levei também as perguntas e a curiosidade que muitos angolanos me colocaram e o peso da responsabilidade desta representação.
4. Em que tipo de actividades tem estado a participar?
Esta visita teve um programa intensivo preparado pela organização não-governamental Cultural Vistas que cobre várias áreas de interesse em 3 estados dos EUA: Califórnia, Iowa e Florida e ainda a capital dos EUA Washington, Distrito de Columbia. As três semanas foram a percorrer este país enorme para conhecermos principalmente organizações não-governamentais que resultaram do envolvimento das comunidades americanas na solução dos problemas que consideravam graves:
• Combate à delinquência juvenil através da criação de organizações para apoio aos jovens especialmente nos seus tempos livres – Boys and Girls Club of Greater Washington, Boys Scouts of Pensacola, Dc Children and Youth Investment Trust Corporation, San Diego Youth services, Sasha Bruce Youthwork, Urban Corps
• Combate à Sida – Metro TeenAIDS
• Aumento das habilitações literárias e artísticas entre os jovens – Outside the Lens
• Redução do racismo e inclusão da diversidade cultural nas diferentes áreas do saber – National Society of Black Engineers
Houve também tempo para irmos a casa de famílias americanas que de forma voluntária se dispuseram a preparar-nos uma refeição para que pudéssemos conhecer o seu quotidiano de forma mais concreta. De referir que o voluntariado nos EUA constitui actualmente um sector de carácter corporativo e que movimenta largos orçamentos provenientes na sua maioria de contribuições da sociedade civil.
5. Como classifica os níveis de conhecimento e aceitação da arte e cultura angolana por parte dos norte-americanos?
Como se pode imaginar o desconhecimento é praticamente total. No entanto, verifiquei uma grande vontade de conhecer mais e de surpresa perante a dimensão e ancestralidade da cultura Bantu. O mais interessante é a vontade de visitarem o nosso país, de quererem ler mais da nossa história apesar da barreira da língua e a vontade de partilharem o seu conhecimento connosco.
6. Até que ponto o Movimento Lev´Arte está envolvido neste intercâmbio?
Há algum envolvimento do Movimento Lev’arte mas talvez não ao nível que estamos habituados a estar em outros eventos. No entanto acredito que esta é uma nova experiência e uma grande oportunidade que se está a abrir a todos os que a queiram abraçar e que nos permitirá construir um movimento angolano cada vez mais em movimento, internacional e sem barreiras raciais, sociais, económicas ou linguísticas. Diz-se que onde há arte existe sempre espaço para a diversidade, liberdade e criatividade.
7. Que benefícios poderá este intercâmbio trazer para a arte angolana, que efeito espera deste intercâmbio no que concerne àquilo que é a responsabilidade social?
Neste ponto posso afirmar que foram criadas pontes que já estão em funcionamento e que se baseiam em alianças criadas com a sociedade civil americana, bem como com a própria embaixada angolana nos EUA para a promoção da nossa arte. Neste momento e graças também à colaboração da nossa embaixada alguns dos nossos livros já estão em bibliotecas americanas (Washington D.C. e Iowa) que até a altura não possuíam qualquer livro de um angolano. Por outro lado, ficou o compromisso de enviar livros para essas bibliotecas de forma a aumentar o seu repertório sobre a nossa cultura. E todo este efeito pode ser alargado às diversas artes, bem como, a parcerias nas áreas que acima mencionei.
A responsabilidade social é um tema que nos EUA está sempre na ordem do dia. Há por parte da comunidade uma necessidade de participar em todos os aspectos da vida social garantindo a satisfação das necessidades que o Estado não tem obrigação de suprir face ao seu ordenamento político-jurídico. Mas, na realidade a responsabilidade social é um dever de cada cidadão ou instituição pública e privada de actuar ao prol dos interesses, benéficos da sociedade em geral e idem de manter um equilíbrio na mobilidade social no sentido de promover o bem-estar da sociedade e idem do meio ambiente. Em suma, outro tema apimentado é que também está na ordem do dia é a quem compete esta responsabilidade social se ao estado, organizações sem fins lucrativos ou privadas ou até mesmo à comunidade… um tema que acaba na discussão do socialismo, capitalismo, federalismo.
8. Para finalizar, gostaria que nos falasse um pouco de seus projectos futuros e por fim deixasse uma mensagem de incentivo a todos os angolanos fazedores de arte.
Neste momento já existem parcerias em curso que apenas aguardo respostas oficiais desses parceiros para poder divulgar. No entanto, gostava de reiterar a ideia de que estou disponível a todos os que queiram saber mais deste intercâmbio cultural ou que queiram participar activamente e de forma voluntária em programas de promoção da arte e literatura. É exemplo, neste título, a Luisa Ramos e a extinta editora europa-américa no envio de livros de Portugal para Luanda.
Aos angolanos e fazedores da arte gostava de dizer que neste intercâmbio constatei que lêr, ver filmes, ouvir os outros é importante, mas nada melhor do que viver as diferentes realidades com os teus olhos. Assim pude constatar que apesar das diferenças abismais entre os dois mundos partilhamos uma matriz comum na crença num Deus criador, na perseguição das mesmas metas, sonhos, na persistência na busca da felicidade e nos valores familiares. Ter tido esta experiência nos Estados Unidos fez-me conhecer não só a realidade americana mas a mundial e o meu papel nela. Por outro lado, fez-me perceber que ainda tenho um grande percurso a percorrer para saber alguma coisa, no fundo “só sei que nada sei”.
Assim, a mensagem que deixo aos fazedores da arte é que acima de tudo, primeiro busquem conhecer-se e serem autênticos de forma a que a vossa criatividade se possa manifestar com toda a intensidade. Segundo, recomendo espírito empreendedor, de persistência e voluntariado no fazer da arte de forma abnegada. Terceiro, e porque sou uma crente em Deus, procurem conhecer mais os outros antes de julgar; não descriminar mas sempre buscar a inclusão da diversidade, num espírito de amor ao próximo.
Obrigada Mauro Yange pelas tuas perguntas e pela oportunidade de partilhar esta informação contigo e com os leitores do Jornal Cultural.
Nzambi é Amor!
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