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segunda-feira, 18 de março de 2013

Orfanato do amor

O orfanato do amor contempla-se na face da criança que agora em lágrimas sente a perda irreparável do colo da mãe. Como adormecer sem o calor maternal que embalava o sono num compasso ritmado do bater do coração. Como preencher esta ausência que tortura o espírito e o físico? A dor é esbatida no sugar aflito de uma chupeta. Mas a ausência! Ai a ausência! É dor que mata e consome… a saudade! Intangível o sofrimento que nos percorre… a visão de ti: Mãe. Oh visão de tudo o que perdi! O canto dos anjos embala a memória… não quero me esquecer de ti! O meu corpo de criança hipnotizado transmuta-se em lembrança. Mãe o teu colo! Mãe o teu abraço! Parte de mim… contemplo-te agora mãe. Desejo o teu abraço, carinho e amor. A felicidade parece estar à distância das minhas memórias. Não aceito esta tua ausência. É com este giz que te desenho neste chão frio em que vivo. É com o giz que te volto a trazer à existência para o meu e teu consolo. É com este giz que te desenho do tamanho onde caibo no teu colo. És tu mãe a minha suprema obra-de-arte. Ressuscito-te e elego-te meu altar sagrado. E é no teu colo que restabeleço a conexão com a minha paz. Oh divindade que me aconchegas o sono: não voltes a fugir de mim. Lueji Dharma 18-03-2013