quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Sei de alguém
Sei de alguém
Sei de alguém que não tem
nem um vintém.
Sei de alguém
que morre por um vintém!
E sei de mais alguém
que dá um vintém
para ter o que o outro tem.
E também sei de alguém
que dá todo o seu vintém
em troca desse alguém.
Tanto alguém! sem alguém!
sem vintém!
em busca de alguém e desse vintém;
e há quem diga que vintém é alguém
há quem jure que não vive sem vintém
e há quem não ame alguém sem esse vintém!
e há quem ame alguém e nem saiba desse vintém!
ControVerso - Kardo Bestilo
O dia 5 de Novembro não foi um dia muito feliz para mim. Confesso! Aconteceram pequenas coisas....mas mesmo muito pequenas que me fizeram reduzir ligeiramente a positividade do meu semblante...mas por mais um acaso recebi o convite do Nguimba Ngola para ir ao lançamento do livro: "Amor Protegido". Como sempre, dificilmente recuso um convite que envolva cultura...especialmente literatura! E lá consegui estar!
Após o lançamento, descemos as escadas e no desconhecimento estúpido de quem por vezes vai aos sítios e distraidamente não repara em nada dei de caras com um teatro. Passando a imensa portada com cortinados pretos entrei novamente e sem querer querendo no mundo da poesia. E como se de um outro mundo se tratasse um grupo de pessoas sentadas ouvia declamar uma criança, de seu nome Igor...o Igor com talvez 10 anos falava dos diamantes da Lunda e de um amor por uma fingida! Quando a poesia já atinge as crianças digam-me lá que não há esperança?! Mas é que me digam com frontalidade...porque eu respondo com toda a frontalidade: PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII.....PIIIIIIIIIII:::e mais PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII....pois só vê o fim quem acredita que lá vai chegar...e só vence quem não desiste...
Mas com tudo isto, e após mais uma sessão de cultura saí. E na rua cruzei-me com Kardo Bestilo (Kussi Bernardo) que me disse ser escritor. Comprei-lhe o livro ControVerso! E claro pedi-lhe um autógrafo, melhor...confessei-lhe que o que precisava mesmo era de uma mensagem que me ajudasse acreditar que vale a pena persistir na escrita e a acreditar em sonhos; e sem grandes modas lá escreveu algo que eu não li na altura. Agora no silêncio deste quarto e ao som deste teclado, lembrei-me de ler a sua mensagem:
"A luz é o caminho que buscamos,
os degraus as batalhas que vencemos..."
Animei e com todo o entusiasmo comecei a ler o livro...uma coisa eu sei...o poema "Sofrimento do meu povo" é altamente reaccionário e contestatário talvez por isso Kardo sinta necessidade de o cingir a 1960 - 1974! parabéns ao pai de Kardo pela capacidade de exprimir sem pudor ou medo o que lhe ia na alma...mas há que contextualizar!!!!! talvez ainda esteja mais contextualizado agora!
Fugindo ao tom grave do pai, Kardo busca consolo no "Amor" da mãe que o "liberta e dá espaço". Amor é Liberdade! Será Kardo? Será? E como quem não conhece a "liberdade" questionas:"Mas o que és tu Liberdade/Pedaço de Verdade?" e como quem não acredita confessas tristemente:"Todos te querem/Ninguém te tem" e após explicares o que te vai na alma descreves a Poesia de forma transcendental:
Poesia
Quem sou eu? - indaga a poesia e como quem se descobre confessa-se:"Eu sou fruto de dois jovens e milhões de velhos"..."Eu sou aquela que não aceita regras"..."Eu sou aquela que quer melhorar todos os dias"
"Eu sou a Poesia"
E a querer ler mais me pergunto: o que te passou nessa cabeça para escrever "Rico Liberal"?
"Não sei como é que essa gente adora ser pobre
E ainda vêm com histórias que amor não se compra"
Deixa-me que te diga, o amor não se compra: hipoteca-se!
Após o lançamento, descemos as escadas e no desconhecimento estúpido de quem por vezes vai aos sítios e distraidamente não repara em nada dei de caras com um teatro. Passando a imensa portada com cortinados pretos entrei novamente e sem querer querendo no mundo da poesia. E como se de um outro mundo se tratasse um grupo de pessoas sentadas ouvia declamar uma criança, de seu nome Igor...o Igor com talvez 10 anos falava dos diamantes da Lunda e de um amor por uma fingida! Quando a poesia já atinge as crianças digam-me lá que não há esperança?! Mas é que me digam com frontalidade...porque eu respondo com toda a frontalidade: PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII.....PIIIIIIIIIII:::e mais PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII....pois só vê o fim quem acredita que lá vai chegar...e só vence quem não desiste...
Mas com tudo isto, e após mais uma sessão de cultura saí. E na rua cruzei-me com Kardo Bestilo (Kussi Bernardo) que me disse ser escritor. Comprei-lhe o livro ControVerso! E claro pedi-lhe um autógrafo, melhor...confessei-lhe que o que precisava mesmo era de uma mensagem que me ajudasse acreditar que vale a pena persistir na escrita e a acreditar em sonhos; e sem grandes modas lá escreveu algo que eu não li na altura. Agora no silêncio deste quarto e ao som deste teclado, lembrei-me de ler a sua mensagem:
"A luz é o caminho que buscamos,
os degraus as batalhas que vencemos..."
Animei e com todo o entusiasmo comecei a ler o livro...uma coisa eu sei...o poema "Sofrimento do meu povo" é altamente reaccionário e contestatário talvez por isso Kardo sinta necessidade de o cingir a 1960 - 1974! parabéns ao pai de Kardo pela capacidade de exprimir sem pudor ou medo o que lhe ia na alma...mas há que contextualizar!!!!! talvez ainda esteja mais contextualizado agora!
Fugindo ao tom grave do pai, Kardo busca consolo no "Amor" da mãe que o "liberta e dá espaço". Amor é Liberdade! Será Kardo? Será? E como quem não conhece a "liberdade" questionas:"Mas o que és tu Liberdade/Pedaço de Verdade?" e como quem não acredita confessas tristemente:"Todos te querem/Ninguém te tem" e após explicares o que te vai na alma descreves a Poesia de forma transcendental:
Poesia
Quem sou eu? - indaga a poesia e como quem se descobre confessa-se:"Eu sou fruto de dois jovens e milhões de velhos"..."Eu sou aquela que não aceita regras"..."Eu sou aquela que quer melhorar todos os dias"
"Eu sou a Poesia"
E a querer ler mais me pergunto: o que te passou nessa cabeça para escrever "Rico Liberal"?
"Não sei como é que essa gente adora ser pobre
E ainda vêm com histórias que amor não se compra"
Deixa-me que te diga, o amor não se compra: hipoteca-se!
Amor Protegido de Zilda Ginga Fontes

Hoje dia 5 de Novembro estive no Chá de Caxinde para assistir ao Lançamento do Livro Amor Protegido de Zilda Ginga Fontes. Não se julgam livros pela capa, mas a capa deste livro é fenomenal. Primeiro porque tem uma árvore que simboliza o Continente Africano - um imbondeiro. Segundo porque tem um símbolo universal que desde cedo nos encarregamos de desenhar nos cadernos e paredes da escola: o coração com a seta do cupido onde por vezes revelamos o nome do nosso amor! Posso não julgar o livro pela capa, mas posso, ler um livro porque a capa de alguma forma me chamou à atenção. E posso ir ao lançamento porque a capa e o título me conquistaram!
Quanto ao livro...quanto ao livro! É um romance, uma história de amor de uma mulher pelo filho João Pedro e por um homem Ricardo...uma história interrompida, que permanece inexistente, num intervalo de tempo com a idade de uma criança... depois, uma morte que fecha o intervalo e permite ao tempo da história de amor um reencontro; desta forma o coração ferido e solitário volta a acreditar na protecção dos deuses...porque um amor como o deles só pode ser "UM AMOR PROTEGIDO".
Tenho de dar os parabéns à Editora e ao Espaço Chá de Caxinde pelo enorme esforço na dinamização da cultura angolana (Nota 10) e por mais esta edição! Realmente e parafraseando o que disse o responsável pela Chá de Caxinde "LER É UM ACTO PATRIÓTICO".
Quanto ao livro...quanto ao livro! É um romance, uma história de amor de uma mulher pelo filho João Pedro e por um homem Ricardo...uma história interrompida, que permanece inexistente, num intervalo de tempo com a idade de uma criança... depois, uma morte que fecha o intervalo e permite ao tempo da história de amor um reencontro; desta forma o coração ferido e solitário volta a acreditar na protecção dos deuses...porque um amor como o deles só pode ser "UM AMOR PROTEGIDO".
Tenho de dar os parabéns à Editora e ao Espaço Chá de Caxinde pelo enorme esforço na dinamização da cultura angolana (Nota 10) e por mais esta edição! Realmente e parafraseando o que disse o responsável pela Chá de Caxinde "LER É UM ACTO PATRIÓTICO".
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
A poesia é Revolução!
Mais uma vez decorreu no Espaço Baía a noite de poesia apresentada por Lukeny. Já tinha falado sobre esse espaço e esse momento...mas as coisas boas não cansam, né? E como não me cansam nunca é demais repetir...é bom! É muito bom! Ontem a pergunta lançada por Lukeny era: "Como podemos contribuir mais para o desenvolvimento de Angola?" E perante a pergunta iniciou-se o movimento de sobe e desce a um palco mimado por músicos...e por acaso (um acaso será?mais um acaso) Nguimba Ngola estava no Espaço Baía. E com a Mátria a carregar-lhe o peso do corpo abriu a sessão; clamando gabou mulheres de Angola...elogiou, desejou, cedeu e prometeu a elas respeitar...talvez por isso este seu livro seja dedicado à Mulher! E concerteza a esta Angola-Mãe! E como se o seu corpo ferido de alma recusasse o fôlego da respiração transpirou versos de elogios, tristeza e com paixão. Soou e ressoou pela sala...e numa orgia de palmas embrenhou-se novamente no palco dos espectadores. E nisto tudo, humildemente, grata ao Espaço Baía subi ao palco desejando falar sobre a importância da Poesia no desenvolvimento de Angola. Confesso que ainda nem sabia que poema de Nguimba iria ler...e ofuscada pela luz do holofote, feliz por um microfone que me eleva a voz, referi: que Poesia é Revolução! e confirmei que não é por mais uma feliz coincidência que a independência teve por base poetas...e parvamente, e porque sofro de fobia dos palcos esqueci-me de dizer que poesia é a alma do povo! é a identidade materializada...e que só com alma se faz uma nação e se reconstrói um país! Recordei António Jacinto! E por acaso abri o livro Mátria no poema: Poeta! Mais um acaso, que na minha trajectória com Nguimba se tornam imensos...desde os dizeres da sua T-shirt -"Para Deus nada é impossível"-que ele orgulhosamente usava no programa Tchilar enquanto apresentava o meu livro de forma tão entusiasta...thanks Nguimba Ngola pela poesia que ofereces!
domingo, 1 de novembro de 2009
A Rainha Ginga por John Bella
O Escritor John Bella tem a honra de convidar-lhe para o lançamento do seu primeiro romance intitulado " Os Primeiros Passos da Rainha Njinga," que será realizado no dia 22-03-2011, terça-feira, as 17 horas e 30 minutos na União dos Escritores Angolanos.
Participe, a sua presença será a nossa satisfação.

LUEJI DHARMA
Participe, a sua presença será a nossa satisfação.
Está ainda mais ou menos no segredo dos deuses! Mas a Rainha Ginga, um grande ícone de Angola, verá a sua história reescrita por John Bella. Este livro será reflexo dos documentos, relatos e pesquisas que John Bella fez. Alguns, como cartas, revela, estarem na Torre do Tombo em Lisboa. Todo este romance histórico permitirá conhecer uma mulher com sabedoria, força, determinação e paixão; uma Rainha bela que também é guerreira e cruel. Uma Rainha que luta na frente de batalha e treina o seu exército, não poupando aqueles que considera fracos para combater.
Pelo meio, uma história de amor digna de cinema e um vilão humilhado que prepara uma cilada para esta mulher-rei.
Tudo indica que teremos em breve um épico nas livrarias!
LUEJI DHARMA
O Rosto da Chuva - Rui Nilo
Ontem estava imenso calor. Tanto calor que se tornava dificil suportar a temperatura na rua. Vive-se um jogo de cintura em busca de uma pequena sombra das parcas árvores que resistem e dos beirados exíguos. O melhor é mesmo abrandar o passo e lentamente marchar até onde se quer chegar...foi nesta lentidão lânguida que me fui arrastando do Parque da Independência até à Sagrada Família. A passos lentos pode demorar uma eternidade...e num derepente uma trovoada; Seguida de uma chuvada. Uma grande chuvada! As ruas rapidamente se inundaram e o caos da cidade cresceu. Numa fracção de minutos Luanda estremeceu.
E eu só me lembrava do Rosto da Chuva de Rui Nilo. A pergunta de Ngonguita martelava-me a mente ao ritmo desconcertante das gotas grossas de chuva: "Onde anda o Rui Nilo?Amei o livro dele: O Rosto da Chuva." E eu fiquei perplexa pelo título, perplexa pela afirmação sentida de Ngonguita e perplexa pelo meu desconhecimento!
Onde anda o Rui Nilo?
Quem é o Rui Nilo?
E onde encontrar esse livro com um título tão sugestivo: O Rosto da Chuva;
Como sempre a minha curiosidade quando aguçada tem de ter um resultado; e feliz encontrei o blog sensível, artístico e encantador de Rui Nilo. : http://orostodachuva.blogspot.com
Agora só espero em breve ter o livro e quem sabe dar uma palavrinha com o autor.
E eu só me lembrava do Rosto da Chuva de Rui Nilo. A pergunta de Ngonguita martelava-me a mente ao ritmo desconcertante das gotas grossas de chuva: "Onde anda o Rui Nilo?Amei o livro dele: O Rosto da Chuva." E eu fiquei perplexa pelo título, perplexa pela afirmação sentida de Ngonguita e perplexa pelo meu desconhecimento!
Onde anda o Rui Nilo?
Quem é o Rui Nilo?
E onde encontrar esse livro com um título tão sugestivo: O Rosto da Chuva;
Como sempre a minha curiosidade quando aguçada tem de ter um resultado; e feliz encontrei o blog sensível, artístico e encantador de Rui Nilo. : http://orostodachuva.blogspot.com
Agora só espero em breve ter o livro e quem sabe dar uma palavrinha com o autor.
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