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sábado, 25 de dezembro de 2010

Lokua Kanza em entrevista a Lueji Dharma para a Mesa Bicuda


Lokua Kanza aproveitou o mês de Dezembro para visitar Angola e promover o seu novo álbum Nkolo. Na sexta-feira dia 16, encheu o palco da Trienal de Luanda para dar um concerto memorável.

Como artista salienta essa noite como inesquecível, pois, considera que o público angolano está em total sintonia com a sua música. Lokua confessa emotivamente que ao tocar a primeira nota sentiu de imediato uma grande empatia. Toda a gente cantava ou dançava, não havia uma alma por animar relata entusiasmado. Não entendo, este amor incondicional pela minha música.

Talvez esta empatia e amor pela sua música se relacione com o ritmo africano e tradicional do Congo?

Acredito que sim. A verdade, é que apesar de sermos países diferentes a música não tem barreiras, muito menos, quando até temos fronteiras em comum. Sei também, que há povos em Angola onde a música tem algumas similaridades com as do Congo. São a exemplo os povos da cultura tchokwe, entre outros.

Quais as suas influências musicais?

Assim, rapidamente, recordo-me de Miriam Makeba. As minhas referências passam sem dúvida pela música tradicional congolesa e do ruanda que ouvi desde miúdo. Felizmente, cresci numa família onde a música era uma constante no lar.

Os seus pais foram uma referência?

Concerteza e continuam a ser. A minha mãe e o meu pai desde cedo deram-me a conhecer a beleza das melodias e dos cantos africanos. Com eles pude aprender instrumentos musicais, pelo que ao receber a minha primeira guitarra, na adolescência, saltei para as orquestras do Zaire.

E teve alguma formação musical?
Sim, frequentei o Conservatório em Kinshasa onde me familiarizei com a composição, orquestração, canto e vários instrumentos. Acabei por me especializar no piano, no baixo, na sanza, na flauta e na guitarra o que me leva a receber a denominação de multi-instrumentalista.

E como surge a França e, mais concretamente Paris na sua vida?

Paris, representa o fim de um ciclo e a entrada num novo mundo, no ano de 1984. Em Paris a minha capacidade musical é posta à prova ao acompanhar músicos como Pierre Cullaz, Ray Lema, Papa Wemba, Sixun... Fui compositor, escritor de letras, cantor e “multi- instrumentalista”.

O concerto no Olympia foi um sonho tornado realidade?
Sem dúvida. Já lá tinha estado por várias vezes a dar apoio a outros artistas. Mas, só em 1992 consigo realizar um sonho de longa data. O mais engraçado, é que foi no dia 1 de Abril de 1992 e, por isso, quando anunciava aos amigos e conhecidos todos pensavam tratar-se de uma mentira. Mas, mesmo assim, consegui ter o Olympia repleto de amantes da minha música. Foi um grande concerto e um momento de viragem na minha vida. No final de 1992 lançava o meu primeiro álbum: Lokua Kanza.

Como foi recebido esse seu primeiro filho?

Muito bem recebido! Acabei por receber o prémio de Melhor Álbum Africano durante os Prémios Musicais Africanos.

Vê-se a viver sem ser músico?


Antes de tudo, sou um músico. Quando não estou a compor ou a tocar, estou a ouvir música. Posso considerar-me viciado em música, e não concebo a vida sem ela. A música não é uma opção mas uma necessidade/benção constante.

Nkolo. A que se deve o título deste seu novo álbum?
Nkolo, significa Deus. E este nome pretende, antes de tudo, ser um agradecimento pelas bençãos da minha vida. Considero-me um homem abençoado.


E Angola?

Angola é um país maravilhoso onde a música está presente em todos os cantos. Desde cedo a criança já não consegue resistir a balançar o corpo perante um ritmo musical. E ao constatar o amor demonstrado à música que componho quero regressar muito brevemente.

Lê nos seus tempos livres?
Quando tenho tempo, gosto de ler livros de poesia, filosofia ou reveladores do espírito humano. Em resumo, aprecio livros onde a imaginação dá asas para outros mundos.

Qual o seu maior sonho?
O meu sonho é algo de muito simples mas de elevado simbolismo para mim. Como filho primogénito, pretendo continuar a usar o meu sucesso musical para ser o patrono dos sonhos dos meus familiares. É com enorme prazer que apoio os meus familiares e os vejo crescer.

4 comentários:

jose disse...

eu sou jose nzanga e sou amante do lokua kanza as sua musicas me da coragem e exorta me a não desistir na vida ,quando penso que já estou no fim e oiço a uma das musica dele intitulado nkolo akosunga maravilhosa
admiro muito ele como tambem sou amigo da arte sobretudo africana que tanto valorizou e continua a valorizar ,muito obrigado lokua kanza.

jose disse...

eu sou jose nzanga e sou amante do lokua kanza as sua musicas me da coragem e exorta me a não desistir na vida ,quando penso que já estou no fim e oiço a uma das musica dele intitulado nkolo akosunga maravilhosa
admiro muito ele como tambem sou amigo da arte sobretudo africana que tanto valorizou e continua a valorizar ,muito obrigado lokua kanza.

Kardo Bestilo disse...

O espaço, o tempo e a distância não param um Levarteano de gema...

Good Work Lueji, fiquei surpreendido acima da média.

KB

Lueji Dharma disse...

O Lokua Kanza é realmente um homem iluminado. Foi um prazer fazer a viagem Luanda Lisboa com ele. Nesta entrevista, não salientei o facto de Lokua espelhar uma humildade e uma sapiência característica das pessoas de espírito.

Obrigada pelos elogios KB. Sabes que sou mesmo levarteana de coração.