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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

The House of God - Samuel Shem



Ao ler a entrevista feita ao Dr. Stephen Berg no "The Boston Globe" fiquei cativada pelo nome da sua primeira e mais conhecida obra: A Casa de Deus (The House of God).
Neste livro este psiquiatra, que escreve sob o pseudónimo de Samuel Shem, critica a ausência de humanidade e as torturas infligidas aos pacientes por parte dos médicos. Acredita que em parte essa falta de ética prende-se com o número de horas a que os médicos são obrigados a trabalhar em contínuo. Segundo ele é crucial ter a certeza que os médicos não estão tão cansados que não possam trabalhar.

Os ódios suscitados com o livro...

O lançamento deste livro em 1978 valeu-lhe um reconhecimento por parte da classe médica da geração da sua idade e mais nova e um ódio mordaz da classe médica da geração mais antiga, que o acusavam de nunca ter sido um bom aluno. Sobre esta onda de contestação ele refere que já não sente essa perseguição inicial. No fundo, para Shem "se viveres o tempo suficiente as pessoas que te odeiam ou morrem ou reformam-se". E pelos vistos ele já está nessa fase da vida...

Quanto à escolha para ser escritor!
Para Shem a escolha de ser escritor está quase sempre relacionada com uma infância infeliz. E ele no ramo da escrita não foge à regra. E talvez por isso tudo o que ele escreve prende-se com dois temas:
- resistência à injustiça;
-poder da conexão na cura.

Uma entrevista simples mas que clarifica muito sobre a importância do escritor na análise das diferentes situações quotidianas e no permitir a todos a possibilidade de repensarem a realidade e o que é assumido como lei.

Uma entrevista interessante conduzida por Suzanne Koven, também médica psiquiatra.


Lueji Dharma
3 de Setembro de 2013

Obama na Biblioteca Pública de Cambridge

A assistir uma conferência do Obama na Biblioteca Pública de Cambridge sobre a sua biografia.
Interessante a forma como ele despe a capa de Presidente para se transformar num homem comum proveniente de uma famíla afroamericana onde os problemas raciais são sempre uma questão principal.
A segunda secção do livro fala sobre o Kenya porque ele fez questão de fazer uma pesquisa sobre as suas raízes.

Ele não acredita na simplificação que se faz sobre a sociedade ser ou não racial pois há diferenças históricas significativas. Para ele no que toca a questão raciais o passado ainda não é passado.

O regresso a África deve-se a ele querer reencontrar a sua verdade e enfrentar algo que ele sempre quis esconder ou teve vergonha. No fundo ele reconhece que África tem coisa boas mas também tem conceitos que têm que ser ultrapassados como o sexismo.
Nessa visita ao Kenya, Michele Obama sentiu que era americana e não conseguiu identificar-se com o lado africano apesar de ser negra.

Ps:É impossível não nos apaixonarmos pelo carisma deste homem..
Lueji Dharma

sábado, 17 de agosto de 2013

É hora de Re-Começar...A minha vida nestas malas...



É hora de Re-Começar...A minha vida nestas malas...

Avio a vida nestas malas. Mais uma vez me vejo presente no verso da despedida e na canção do recomeço. Tudo a postos para mais um Adeus na Hora da Despedida! Para receber em coro a Amizade do Haverás de Voltar!
Entre o ir e voltar fica o intervalo da saudade e da novidade. A recta tem uma quebra preenchida por um ponto de recomeçar. Re – Começar. É um começar que se repete. Um começar que se almejou algum tempo atrás e que agora se concretiza sem que quase se saiba como tudo aconteceu. E por magia, cá estou de malas aviadas à porta deste voo alado. Clamando ao universo que a porta da sabedoria se abra para que o mundo se transforme num livro folheável, entendível e “melhorável”.
Oh anjo da guarda que me proteges nesta estrelinha depositada em mim... mantém a vela acesa para que saiba sempre o norte da chegada... A ansiedade estremece na ponta dos dedos transpirados que há muito deixaram de ter medo... apenas fé para continuar a escalar esta montanha. E na mente, a certeza de que Deus dá asas a todos, mas só voam aqueles que crendo Nele não receiam cair (por amor...)

com muito amor, saudade, fé e esperança
Lueji Dharma
Nzambi é Amor

sábado, 3 de agosto de 2013

Lueji Dharma - ofereço-te esta caixa vazia em forma de coração

Trouxe esta caixa dourada com laços prateados e flores da cor do marfim para te oferecer o meu amor. Uma caixa no formato de um coração, ornamentada com o pó do desejo e da paixão que há em mim. Uma caixa em coração ou coração numa caixa que confessa a doçura do amor que tenho por ti.





Carreguei esta caixa da loja mais doce deste planeta coberta de um sentimento de dádiva que só por si esvaziava a caixa de qualquer importância relevante. Este sentimento era dádiva que eu queria ofertar no símbolo de uma caixa de chocolates. Na vitrine da loja mantive o olhar atento para escolher os doces mais cremosos. Com o chocolate mais rico, doce e cremoso fui enchendo a caixa que a ti queria ofertar. E que bem me fez encher esta caixa dezena de vezes sempre pensando em tua boca e teus lábios saboreando tamanha inspiração dos deuses. E assim saí desta loja derretida de amores como se chocolate fosse. Talvez com algum esforço e viscosidade conseguisse entrar nesta caixa que a ti quero ofertar.

E assim caminhei pelas ruas buscando-te e acalentando a imagem de aconchegar os teus dias com este elenco luxuoso dos vários doces que escolhi para ti. Mas subi as escadas para a tua casa, desci as escadas para o teu escritório, bati na porta das amizades e busquei a janela dos familiares. Apenas senti o cheiro do perfume que te ofereci levemente espalhado pelos corrimões onde seguro este corpo frágil que continua perpetuando este amor. Nem o teu cheiro permanece preso à essência floral que te ofereci. Apenas o perfume artificial me dá certeza de que talvez alguma gota de suor se prenda a estes corrimões da esperança.

E é sentada neste alpendre da tua entrada que estendo os pés para que o sol os aqueça neste frio de um cacimbo tropical. Aqueço os pés ao sol e deixo a manta enrolada em todo o corpo que vigia a hora da tua chegada. À falta de um chá quente que me aqueça a alma faço meus os teus bombons. Sim deixo que se derretam na minha boca enquanto tu não vens. Uns têm baunilha, outros café, alguns menta e outros mesmo doces amargam tanto como a tua ausência. Neste momento o teu último bombom permanece na minha mão. A caixa ficou vazia. Nada mais tenho a ofertar quando te vir entrar neste alpendre.

- Zangar-te-ás se te oferecer esta caixa vazia?

Dizem que recebemos aquilo que damos. Será que me ofereceste um vazio que esta caixa não deixa mentir, mesmo tapando-a, para que permaneça este invólucro carinhosamente ornamentado. Uma caixa ornamentada de prata, ouro e flores secas mas esvaziada do mel achocolatado que tinha para te oferecer. Oh Deus! Só agora dei conta que o sol já se pôs e que do alpendre já nada se vê. De que interessa estar de vigia se apenas vejo o breu da noite. Recolho a manta e a caixa vazia. Afinal o alpendre deixou de ser teu para ser a minha casa. Esta porta que dava para o teu quarto agora dá para a minha sala e o meu quarto virou jardim. Sempre te disse que precisava de um jardim em casa. As flores que me oferecias secavam rápido e eu preciso de ver o milagre da semente que nasce e permanece depois da flor. Estes botões de rosa que agora crescem ao lado da minha cama lembram-me as rosas que me davas. Saudades das tuas mãos com flores. Ou das tuas flores em ti. Saudades.

Pudera eu resistir a esse jardim artificial que me ofereceste e agora não estaria com este dilema de ter de oferecer uma caixa ornamentada mas vazia. Talvez não notes que a caixa está vazia. Talvez fiques feliz por receber uma caixa tão ricamente ornamentada que nem te lembres de ver o que ela esconde. Talvez a levantes e percebas sem ver que ela esta vazia. E evites o constrangimento de a abrir para perceber que ela está vazia.

-Está vazia!
-Pois está!
-Mas porquê?
-Porque nas manhãs frias em que não estavas comia os chocolates mais doces, nas tardes de verão escolhia os de menta e nas noites gélidas desfazia todos os com recheio de avelã e baunilha. Eram mais de 365, porque duraram mais de um ano. Lembro-me de todos. Porque de todas as vezes que os comia sentia o travo amargo da tua ausência. Por isso desculpa se te ofereço agora esta caixa vazia.

Lueji Dharma
Nzambi é amor

sábado, 20 de julho de 2013

Eu sei!



Não sei
mas sem ti
Não quero saber
Sem ti
o mundo deixa de ser
acabei por não saber
o porquê
Não sei
mas sem ti
tudo se perde
sem ti
nada existe

Eu sei! Contigo
tudo faz sentindo
contigo
o mundo existe
nesta chuva de estrelas
que mandaste nesta carta
contigo
este jardim de luares
faz milagres
Oh Pai!
Oh Filho
Oh Espírito Santo
Afinal amar é assim!

Lueji Dharma

Ressuscitado - Um Homem como Tu Merecia Levar no...


No delírio do amor uma bola de fogo percorreu as veias até fazer explodir o coração num ataque cardíaco. Mas em vez de dor sentia-se num prazer imenso. E estava amar aquele novo sentimento, aquela emoção. Será que era o tal sentimento que por imensas vezes as pessoas em redor tentavam explicar-lhe. Passaram-se 50 anos sem que alguma vez sentisse aquela bola de fogo percorrer-lhe o corpo.

Os olhos abertos viam a imagem da médica, mas ele há muito que se perdera num novo universo. Ela batia com toda a força no peito de um homem inebriado de amor, e a reacção teimava em voltar ao corpo moribundo.

Ele teimava em manter-se perigosamente perto da morte. Insistia em suster a respiração para que não perdesse pitada deste novo sentimento, o amor. Oh Deus! Como estava perdido naqueles 50 anos buscando sexo quando podia ter tido amor. Se aquilo causava a morte dos seus sinais vitais valia bem a pena. Trocava os 50 anos por 1 dia daquele sentimento.

E do nada acordou num vómito sôfrego para suspiro de alívio da equipa que agora batia palmas ao regresso daquela alma àquele corpo.

-Respire calmamente! Já vai estabilizar... calma - gritava a médica para um homem ressuscitado.
-Encontrei o amor - gritou
-Ahahahaha - você teve uma paragem cardíaca. Foi um sonho!
-Não! Não é um sonho! Agora é que finalmente acordei. Até agora vivi um pesadelo. Mas finalmente encontrei o amor...
-Como queira! Mas tem de se manter calmo agora. Ainda está em perigo...
-Sei! Mas encontrar o Amor tira qualquer um do seu estado de normalidade. Eu finalmente estou vivo. Finalmente sei o que é o amor. Posso agora entender a Eternidade!
-Parabéns - disse a médica desfalecendo do esforço dispendido no ressuscita aquele paciente. Várias descargas eléctricas tinham sido necessárias e o esforço agora pesava-lhe o corpo. Estabilizado o paciente apenas queria descansar.

Lueji Dharma

E depois? Carta a minha avó by Lueji Dharma

A vida corre no ritmo dela. E nada acontece como a minha avó me ensinou. Morre-se muito mais. Bebe-se mais. Fornica-se mais. E a minha avó nada me disse sobre estes assuntos. E depois?

E depois avó é que eu não sei como reagir. Ensinaste-me a rezar às noites enquanto aquecia os meus pés nos teus. Mas não me ensinaste a contornar esta erva que cheira neste bar. Não me ensinaste a vêr meninos na rua a cheirar gasolina e a dançar ao som da alucinação. E depois?

E depois avó é que eu oro ao anjo da guarda como me ensinaste e ele protege-me mas não protege esses outros perdidos nas avenidas largas do alcool, sexo, droga, prostituição e corrupção. Esqueceste avó de me ensinar a rezar para os anjos da guarda dos outros. E depois?

E depois avó é que eu só quero me divertir também mas não consigo festejar sobre os corpos que se amontoam nesta rua de perdidos. Porque não me ensinaste a indiferença avó? E depois?

E depois avó eu acabo não sabendo viver neste mundo que pintaste como sendo perfeito para aqueles que estudam, se comportam e confiam em Deus. Avó aqui na tua campa venho dizer-te que o mundo é cruel e que o mundo é dos espertos. Avó os que vivem na humildade acabam pisoteados e humilhados. E depois?

Avó não sei se o teu mundo era diferente do meu, mas neste avó, o vermelho do verniz e do batom é mais importante que um rosto lavado e uma educação de donzela. Avó aqui sobe-se na horizontal e não na verticalidade do carácter. E depois?

E depois é dificil ser deste mundo depois de ter tido uma avó como tu. Ainda me lembro do quadro do anjo da guarda protegendo a menina naquele bosque frio e repleto de perigos. Aquele quadro que tu me ofereceste continua aqui pendurado neste meu quarto sem paredes. Aquele anjo continua com as suas asas sobre esta menina. Ele tem sido fiel avó. Mas avó a verdade é que eu estou neste mundo e tu já partiste. Eu fico por cá relembrando a tua trança, os teus bolos, os teus remédios caseiros e os teus ensinamentos. Mas pouco resta desse teu mundo neste meu universo de Luanda. E depois?

E depois avó eu não cozinho. Acreditas? Tu que me ensinaste tudo e a tua neta não sabe cozinhar ou não quer saber. Avó e nem sei bordar como tu. Nem tenho interesse em costura. Mas queria dizer-te que a minha cozinha virou bliblioteca. Eu cozinho livros avó e textos sem jeito. Avó havias de achar-me estranha. E sabes avó... ainda não casei e tenho uma filha. Oh crime! Sei que deves achar um ultraje uma mãe solteira. Mas avó não suportaria ter um marido como o teu. Que nunca estava lá para ti e só se preocupava em vir para casa comer para regressar à roda dos amigos no bar da Eira. Lembro-me avó de como esperavas horas pelo seu regresso, sem reclamar e sempre amável. E depois?


E depois avó a tua neta reclama, exige um tratamento igual. Exige amor e por vezes esquece-se de dar. É verdade avó, haverias de me achar uma dessas mulheres modernas que não deixavas entrar em tua casa. Lembro-me de quando mandaste a tua futura nora ir lavar a cara à "levada" para retirar a maquilhagem. Associavas a pintura à putaria. Pois olha avó, eu tenho toda uma colecção de maquilhagem. Não uso muito, mas gosto do efeito e da beleza artificial. Será que não me deixarias entrar em tua casa mesmo sendo tua neta? Sei que me mandarias lavar a cara... mas avó os tempos são outros. E mulheres como tu hoje são raras. E mulheres como eu também. Mas somos raras e ao mesmo tempo diferentes uma da outra. Mas eu vim de ti... e não me esqueço. E depois?

E depois eu não quero saber. Só sei que o teu quadro do anjo da guarda portegendo uma menina, a tua menina, continua firmemente pregado à minha alma. Carrego-o sob a luz do meu olhar e da minha mente. Avó quis apenas falar contigo porque senti uma saudade de viver contigo o teu tempo. Mas aqui na tua campa vejo que o teu tempo morreu. Restou apenas o anjo da guarda que me acompanha e que muito te agradeço. Aqui de joelhos as lágrimas encerram o teu tempo numa memória que desaparece todos os dias. Avó já não sou uma menina. Sou uma mais velha, mãe e profissional. E mesmo assim tenho saudades dos teus bolos e biscoitos. Ai avó, o chá de erva princípe (caxinde) com os teus bolos. Que saudade avó. E o teu doce de gila ou de "buganga"? E depois?

Avó tenho saudades e daqui deste mundo onde tanto faz com quem se dorme, o que se bebe, fuma e faz, mando-te um abraço maior que o amor do king kong... eu te amo avó! E nunca me esqueci de rezar ao anjo da guarda...

História de Amor na Visão de Albano Pedro

"A historia de amor à procura de um final feliz". esta muito próxima de se lhe adivinhar o autor embora nunca tenha privado consigo e nem me tenha contactado pessoalmente. Não é apenas pelo ego-roteiro (ou seja por narrar na primeira pessoa) mas porque percebe-se um processo introspectivo com detalhes que não nascem da pura criatividade. O sentimento e o detalhe na sua exposição. A ansiedade do personagem os preparos para o acto matrimonial, enfim. Parecem sonhos correndo num misto de novela e autobiografia. Oxala que esteja enganado ou não esteja mesmo. De todo modo, parabenizo-a. Só um detalhe para as duas obras. Pareces interessada em desmamar o leitor depois de um embalo agradável. Porque poucas páginas, quando a estória parece continuar na nossa imaginação mesmo antes de se lhe adivinhar o fim que lhes impões. Porquê parar a narrativa reduzindo-a nas poucas páginas? economia literária ou provocação estilística? Pois a dada altura nos retira a capacidade de perceber se estamos perante uma narrativa de caracter crónica, novelistica ou romancesca (pela brevidade das estórias). É só uma preocupação de quem se viu frustrado pelo fim "prematuro" das mesmas.
Agora, acho que o seu estilo poético-novelístico da História de amor à Procura de um final Feliz e o estilo ensaístico-romancesco da Aldeia de Deus merecem mais do que esta simples apreciação. Uma boa e correcta crítica literária leva-las-ia a inauguararem uma nova era na escrita literária nacional ao lado de outras iniciativas do género pouco conhecidas da maioria do público. Só não sei porque não os publicas mesmo em livros? Gostaria de saber. De resto voltarei a lê-los. Vislumbrante! Parabéns!

Aldeia de Deus na visão de Albano Pedro

Muito lhe agradeço o gesto de simpatia ao enviar-me os seus livros. Desculpe por não fazê-lo antes pois tive dificuldades em contactar consigo por esta mesma via. As vezes carregamos a mensagem mas ela acaba não sendo enviada. Dizer que gostei das obras é o mesmo que não ler e querer ser simpático. Não gostei, apreciei. O primeiro impacto que tive foi a aura muito densa de esoterismo que se esnventra pela sua obra. É elevadíssima e concorre com poucas que conheço no nosso mercado. Uma semelhança podia aproximá-la a estilistica de Mia couto, porém este é místico... tal como de alguma forma combinas no seu estilo. A Aldeia de Deus (um roteiro post mortem) em que se sente a recorrencia entre a existência real e a inexistência humana de um personagem num tempo poética e filosófica. É também um desmistificar dos códigos ético-estéticos dos povos Lundas que me parece ser a sua inclinação, a dar pelo cognome que adoptas (não sei, são apenas ilações).

Fim de um sonho - Lueji Dharma

Naquelas promessas me perdi. Ingénua! Na tua fala certeira me mantive prisioneira. Oh vergonha!
Nas tuas certezas apaguei minhas dúvidas. Loucura minha. Em ti confiei. Criminosa me confesso.


Já tinha apagado do coração as setas que o Cupido mandara. Mas quando a última ferida desaparecera e o mundo parecia certo na minha solidão, novamente a banha da cobre encontrei e nela deslizei. Oh dor esta queda de costas sobre um chão de pedra. Oh solidão preterida não te sintas ofendida. A ti volto arrependida, certa de que vida a dois não é para qualquer pessoa. Oh doce solidão! Não mais quero abandonar a tua mão.


Cupido a ti entrego meu coração. Espeta aí todas as setas que já não me causa aflição. Perdi o coração, no pedido de um saldo. Aquele saldo que me fez saber que tuas promessas escondiam um manto de interesses inconfessos. Não era a mim que querias mas apenas o Saldo. E aqui quebrei o coração. Um saldo a troco do coração. Mas que desilusão.


Remeto-me agora à dor do silêncio na busca de um consolo inexistente. Não há saldo que apague a dor de amar sem ser correspondido. Pior só a dor de um casamento por interesse. E esse acabou nesta meta intemporal...onde o sonho encontrou o final.


Lueji Dharma em lamento

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A morte de uma ratazana



A luz ainda bate neste meu rosto ferido. As mãos ardem com o bater do coração. A sorte há muito que me foge. Maldito sejas tu que me persegues... fiquei plantada na porta deste teu covil de ratos onde com outras ratazanas preparas ataques aos inocentes. Fiquei plantada à porta, buscando entrar no teu covil. E esperei até que a noite caíu. E a chuva desceu num manto de gelo. E esperei. A madrugada trouxe o abrir de uma porta e o breu de uma frecha. Afinal, a noite até é iluminada quando comparada ao teu covil. O vosso covil de onde Maquiavel fugiu por ser bondoso. E sem medo entrei no teu covil. O breu cegou-me. As virtudes despiram o meu corpo. A alma esvaíu-se em lágrimas. Apenas a carne seca de um morto continuou percorrendo este covil, porta do inferno. Ouvi tuas gargalhadas... enquanto por detrás de uma tecnologia subversiva perscrutras a vida de muitos. Ris e planeias ataques porque julgas-te Deus.
Crias perfis falsos e vives de criar ilusões e desilusões; instalas softwares de medo, raiva e ódio no coração imaculado de muitos. A bondade escorraças das almas puras porque serves a esse diabo impune que chamas de Chefe. Pois, observa o que o teu trabalho criou em mim. Este corpo imune de emoção ou sentimentos. Esta carne desprovida de sangue. Este corpo seco e sem vísceras que sobrevive em busca de uma vingança: TU. A última sobremesa do teu trabalho e desta tua criação: EU. E o teu gargalhar me faz ver que em breve a presa estará frente ao caçador. E desta vez serás tu o caçado. E segui apenas o rasto do ódio. Um rasto que snifei como se fosse água num deserto. Um rasto que lambi como se fosse açucar num jardim infantil.

E agora eis-me aqui morta mas não matada. Olha para esta obra que criaste. Esta ausência de vida que me ofereceste.

- Eis-me aqui a presa que perseguiste.

O teu olhar caíu morto no ar. A supresa deixou-te atónito...

- Como raio entraste aqui?
- Como raio não havia de entrar? Como evitar conhecer o meu caçador?
O teu faro pressentiu o meu móbil. O teu olhar denunciou o meu plano. Vi esvair-te de ti.
- Afinal não és Deus! - gritei ao teu ouvido... nem com toda esta tecnologia do teu covil.

E antes que respondesses cortei o teu pescoço e deixei que o fel do teu sangue inundasse o covil...

Afinal não eras mesmo Deus! E eu nunca fui presa fácil!


Lueji Dharma

domingo, 30 de junho de 2013

Leif Biureborgh - Entrevista Parte I - Agostinho Neto





Angola na sua luta armada pela independência teve o apoio oficial de entidades suecas, em especial do Partido Democrático Socialista Sueco que enviou Leif Biureborgh para acompanhar e apoiar o MPLA na sua luta armada e ascensão política.
Numa altura em que as insurreições em África eram encaradas pela maior parte dos países ditos ocidentais como movimentos terroristas e/ou comunistas, a Suécia juntamente com outros países nórdicos posiciona-se no apoio à luta contra as ditaduras e contra a colonização africana.

A Suécia desde cedo apoiou os movimentos de libertação em África como sejam o MPLA em Angola, PAIGC (Guiné-Bissau) e FRELIMO (Moçambique).
Desses tempos Leif Biureborgh recorda o encontro em meados de Julho de 1973 com Agostinho Neto. Um encontro que se prolongou por um mês em que viajaram ora por carro, ora a pé num tempo de total incerteza onde já se previa o fim da ditaduras europeias, entre as quais, a ditadura salazarista que com o seu exército e a PIDE dificultavam a libertação das colónias europeias.


Como recorda Agostinho Neto nesses primeiros tempos? A imagem que detém dele?

Para falar de Agostinho Neto há que contextualizar as pessoas e acções numa fase de ebulição. Os tempos em que vivíamos era de total incerteza. Sabíamos por uma intuição baseada num desejo de justiça que estávamos do lado certo mas a verdade é que a desconfiança imperava: “não sabíamos quem era quem em todo o processo”. Defender esta causa era só por si motivo de perseguição ou prisão, mas estar envolvido na sua preparação, na luta armada era uma sentença de morte constante. Todos os dias tínhamos notícias de mortes e assassinatos. Muitos ficaram para trás. E é neste contexto que eu inicio o meu percurso por África e que conheço um Agostinho Neto que se destacava pela sua visão e persistência, mesmo naqueles tempos de total incerteza. A verdade é que ele acreditou até ao fim e nunca recuou.

Agostinho teve várias vezes em Estocolmo?

Suécia na altura era um país aberto a todos os que lutavam contra as ditaduras. Apesar de não estar em guerra mantinha o seu apoio às causas de libertação, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da SIDA. E em Angola, a Suécia, em parte pelos relatórios que produzia no campo, apoiou Agostinho Neto que defendia uma sociedade não assente em raças ou tribos.

Quanto ao conflito entre Agostinho Neto e Daniel Chipenda

O encontro em Lusaka transformou-se numa guerra entre facções dentro do MPLA ao invés de ser um momento de consenso. Agostinho Neto abandona o encontro onde Daniel Chipenda luta pela liderança do MPLA. Recordo a frustração que AN demonstrava após o encontro, no entanto, ele não se deixou abater e “ordena” que a luta se faça agora no interior de Angola.


Já leu a poesia de Agostinho Neto?

Já li e considero uma poesia estreitamente relacionada com o tempo em que foi escrita de grande cunho profético e visionário.

Entrevista a Leif Biureborgh - Parte II



LEIF BIUREBORGH


Sobre a entrevista de Leif a Savimbi no Moxico


Sei que teve oportunidade nesta sua longa carreira em Angola de visitar e falar com o Savimbi. Como se deu esse contacto?


Como jornalista internacional a Unita aceitou que Savimbi me desse uma entrevista; para tal, teria que me deslocar à base do Moxico.

Viajei de helicóptero até à base, e à saída fui imediatamente revistado e questionado sobre os documentos do MPLA que trazia na pasta. Questão facilmente ultrapassada dada a profissão que exercia, que tem de se munir de informação proveniente de diversas fontes.

Fui informado que Savimbi estava muito doente com malária, mas que iria receber-me decorrendo o encontro em francês. Apercebi-me que no acampamento se encontrava uma jornalista da Agência Francesa.



Como decorreu a entrevista na Base do Moxico?



Correu bem; e eu aproveitei para colocar questões que estavam na altura em cima da mesa, o apoio de Portugal à Unita demonstrado num conjunto de cartas publicadas na revista África 01 e a luta contra o apartheid que decorria na África do Sul.

Quando questionado sobre este patrocínio de Portugal uma vez que a Unita era um movimento de luta armada contra o colono, ele não se pronunciou, denunciando um silêncio que demonstrava não se tratar de uma falácia.

Assim, facilmente depreendi que Savimbi era um elemento colocado no território angolano para proteger os interesses de Portugal e também promover o combate ao MPLA.


E a ligação com o regime do apartheid da África do Sul?


Tive oportunidade de tentar indagar sobre a sua posição relativa ao regime do apartheid e à situação difícil que os negros estavam a viver. E surpreendeu-me ouvir um simples lamento ao invés de uma condenação veemente que era o previsível num líder africano contra o poder colonizador.

Senti por isso, a preparação de uma aliança estratégica com a África do Sul e surpreendeu-me esta falta de coerência.


Qual a sua opinião sobre Savimbi?


Savimbi utilizava um discurso com citações de Lenine sem uma estrutura de pensamento próprio; no fundo, os seus discursos eram uma colectânea de peças sem um fio condutor. Quando fui ouvido no Pentágono, afirmei que Savimbi era um manipulador nato com graves desvios psicopatológicos, o que se veio a comprovar pelas atrocidades que ele cometeu contra o seu próprio povo, em especial mulheres e crianças.

Ele lutava pelo poder e por si próprio, e para tal, usava todo o tipo de meios e instrumentos. Qualquer ajuda, mesmo do inimigo, era bem-vinda.

Assim, nos discursos atacava as burguesias e as raças de menor expressão numérica porque lhe interessava as massas para o seu plano de poder. Não porque quisesse o melhor para elas. É evidente que alguém que exige dormir com a mulher dos seus seguidores, que mata por não aceitar divergência, que tortura amigos e familiares não pode desenvolver empatia ou preocupação pelas massas.



À saída da Base após a entrevista?


Talvez pelo teor das minhas questões ou por algum tipo de postura corporal que indiciasse a reprovação da sua conduta senti um ambiente muito pesado e uma mudança súbita relativamente à minha presença.

Comecei a ansiar pela vinda do helicóptero que estava marcada para as 17h00, pois receava qualquer tipo de retaliação caso pernoitasse no acampamento, pois sabia que o perfil de um psicopata não é de confiança dadas as alterações de humor drásticas. Pelas 17h00 em ponto estava a entrar no helicóptero.

O antigo Ministro dos Petróleos de Angola que frequentou a escola com Savimbi descrevia-o como uma pessoa que estava sempre isolada, com graves problemas de comunicação e empatia. Assim, a sua inteligência era utilizada para reforçar o seu ego e o seu poder manipulador.




O papel da ONU em Angola antes do eclodir do conflito armado após as eleições de 1992?


Para impulsionar o processo de paz Kofi Annan deslocou-se a Angola, em Março de 1997 e nomeou um representante especial, o maliano Alioune Blondin Beye considerado um diplomata de excelência no mundo, dado o seu elevado poder de comunicação.

Este Representante do Secretário-Geral da ONU em Angola tinha maioritariamente uma missão diplomática pois não havia na altura por parte das nações unidas em Angola qualquer poder militar. No processo de negociações, Leif refere ter existido da parte de Alioune Blondin Béye um ultimato a Savimbi a quem determina um corte de relações dado o não cumprimento das regras de Lusaka.

Após esta divergência, Alioune Blondin Béye morre devido a uma explosão do seu avião em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas. Segundo Leif há uma desconfiança de que a sabotagem aconteceu durante a paragem do avião para abastecimento de combustível no Togo. A explosão do avião foi tão intensa que praticamente não restaram quaisquer vestígios do mesmo, sendo o enterro de Alioune Blondin Beye meramente simbólico (enterro do seu documento de identificação).


Após a morte de Alioun Blondin Beye o que aconteceu?

A ONU reconheceu a inexistência de condições suficientes para a manutenção da paz e acabam por abandonar o país a pedido do Governo.

Depois deste incidente e posterior ao corte de relações com a ONU, Savimbi avança para Luanda demonstrando não ter procedido ao desarmamento necessário à paz conforme assinado no Acordo de Lusaka; Desta forma, reaparece com um exército de artilharia de longo alcance e veículos motorizados.

Confrontado com este exército da Unita o Presidente José Eduardo dos Santos e o governo da altura considerou que a ONU foi incompetente no processo de observação da paz, e pediu a retirada da ONU do território angolano.

No fundo, o sentimento de altura é de que o MPLA cumpria o acordo, mas Savimbi mantinha posições divergentes de acordo com a situação. E toda esta situação punha em risco a estabilidade do país tendo-se optado por “fazer a guerra para acabar com a guerra”.

Neste caso, Leif salienta que o MPLA teve nesta altura uma posição relativamente ingénua, até fraca, ao acreditar no cumprimento das regras de Lusaka por Savimbi. Assim, apanhados de surpresa desenvolvem a contra-relógio um plano de armamento hipotecando os recursos petrolíferos de Angola.

As forças de Savimbi conquistam Andulo, Bié e controlam o Huambo ficando mesmo às portas de Luanda. Após a destruição do armamento de longo alcance e da inutilização dos veículos motorizados também pela dificuldade de acesso ao combustível, inicia-se uma luta de guerrilha.


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Mesa Redonda promovida pela USAID - jovens líderes angolanos por Kady Mixinge

Recentemente, reunidos em território americano na República de Angola, numa mesa redonda organizada pela USAID e pela Embaixada Americana, sob o lema “Partilhar ideias, recomendações para o Desenvolvimento das Comunidades, do País e do Continente”, jovens angolanos de várias “sensibilidades” e “simpatias” abordaram e discutiram temas como a “Participação Comunitária de cada um: impedimentos e desafios”, “Eleições autárquicas: futuros candidatos”, “Educação e Cultura: a importância do conhecimento” … Foi uma interessante oportunidade para falarmos de coisas que nos preocupam e que nos motivam a estar envolvidos directa ou indirectamente na vida política, social e económica da nossa terra. Sob a condução magistral e impecável da escritora Lueji Dharma, como mestre-de-cerimónias, o programa da USAID foi um êxito. Entre os participantes estavam: activistas dos direitos humanos e dos direitos cívicos, jornalistas, líderes comunitários, escritores, bancários, empresários, músicos, etc. A liberdade de pensamento e de expressão, a boa governação, a democracia, a transparência, a distribuição da riqueza, educação de qualidade, a defesa dos nossos valores culturais, o exercício de direitos constitucionalmente consagrados, a gestão dos fundos comunitários, a aquisição conhecimento como forma de combate à pobreza, foram alguns dos tópicos mais abordados naquele debate. Houve jovens que defenderam o fim das manifestações, mas também houve jovens que defenderam o contrário, ou seja as manifestações pacificas servem para pressionar os decisores políticos na busca das melhores opções de governação para o povo, portanto devem continuar. Houve consensos e dissensos entre aqueles jovens angolanos. No final de tudo, ficou patente que, apesar das nossas diferenças de opinião e de pensamento, nós, jovens angolanos, representantes das várias sensibilidades da juventude angolana, queremos uma Angola mais justa, mais desenvolvida, mais democrática, onde o respeito pela vida humana tenha uma tangibilidade inquestionável, onde a importância do betão não supere a importância da vida humana. Foi um debate quente. ESTAMOS MESMO PREOCUPADOS COM O NOSSO FUTURO E COM O FUTURO DAS PRÓXIMAS GERAÇÕES!!! O Mano Pedrowski Teca Teca chegou tarde, mas "mandou bem", muito bem. Há que parabenizar a Lueji Dharma pela capacidade de gerir aquela heterogeneidade juvenil tão ávida de opinar e expor os seus pontos de vistas sobre Angola. A Lueji é definitivamente uma líder. Agradeço a Embaixada Americana e a USAID pelo convite formulado. Valeu!!! Kady Mixinge Valeu a participação de todos os jovens que mostraram que apesar das dificuldades continuam a mostrar capacidades de liderança na persistência, humildade, criatividade e fé de que um dia o esforço e a luta compensará. Obrigada por existirem e me fazerem acreditar que não estou só! Obrigada Deus por plantares amor no coração dos nossos JOVENS LÍDERES...

domingo, 26 de maio de 2013

Um Homem Como Tu Merecia Levar no... - Lueji Dharma

Ele ansiava para que ela entrasse novamente na sala. Não sabia desde quando aquela vontade de a ver o havia assolado. De um dia para o outro ele sentia-se estranho ao pé dela. Algo não estava bem. Às vezes no silêncio da agitação do hospital a imagem dela assaltava-lhe a mente. Pela primeira vez ele não tinha comando sobre as imagens que o seu cérebro projectava. Era normal, para ele, aparecerem rabos grandes, seios avantajados, mas agora a sua mente substituía estas imagens por detalhes daquela mulher. O sorriso, os gestos, o olhar, as gargalhadas… estavam presentes em contínuo lembrando-o de como ela era especialmente doce, carinhosa e dedicada. Parecia-lhe estar a ouvir a sua voz no corredor. Preso naquela cama do hospital não conseguia levantar-se para que ela pelo menos o visse com alguma dignidade. Mas as dores das mazelas do ataque que sofrera obrigavam-no a manter-se praticamente imóvel. Não podia forçar o corpo a esforços por mínimo que fossem. Ele conseguia perceber agora que os músculos do ânus estavam ligados a todo o corpo. Levantar-se era um pesadelo porque poderia por em risco os pontos que ligavam a carne rasgada. Quando a porta abriu o tempo parou e toda a sala esvaziou-se de cinética. A inércia entrou determinando uma pausa até para a respiração. Apenas ela se movimentava naquela sala pausada. Ele deitado na sua cama conseguia ver o aroma dela desprender-se numa nuvem envolvente. Essa nuvem desfazia-se em pétalas que cobriam o chão por onde ela passava. Olhou para os outros pacientes moribundos e desconfiava se alguém também observava aquele filme. Aquela mulher era um jardim andante, com toda a beleza das flores, dos lagos e até do salgado do mar. O sorriso dela aberto sobre o seu rosto impedia-o de respirar. O perfume dela fustigava-lhe o cérebro que nem a cocaína que snifava antes de dar uma valente “remada”. Normalmente misturava cocaína com viagra e whysky. Era um cocktail fabuloso para as suas aventuras constantes. Mas que raio é que esta mulher tinha que lhe dava a mesma sensação de falta de ar que ele gastava balúrdios para sentir através de químicos? Só podia ser algum tipo de perfume que ela tinha acesso… algum perfume de cocaína que viciava os pacientes e os anestesiava só por cheirarem a nuvem aromática que a cobria. - Alerta! Alerta! Tragam o reanimador! Temos um paciente em paragem cardíaca – ouvia a médica gritar em aflição a olhar para ele. Mas de que falava ela? Ele estava bem, mais que bem! Ele estava feliz, super-feliz. Estava em paz e não queria sair daquela sensação de paz. Ela dava-lhe pancadas no peito e ele sorria. Tudo estava bem desde que ela não se afastasse. Nunca mais! Lueji Dharma

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Todos temos segredos inconfessáveis, erros indezívei e promessas não cumpridas

A vida tem altos e baixos, e nesse percurso irregular e acidental por vezes caímos em situações que nos envergonham. Seja porque fizemos papel de otários, seja porque fomos injustos, ou simplesmente por sermos inexperientes temos vários casos em que escorregamos na casca da banana. E como todos temos achei normal falar dos meus. Expor os segredos inconfessáveis e transformá-los em banalidades. Aqui neste texto público queria partilhar as minhas borradas e o que mais me envergonha.Era um acto de contrição público que gostaria de exercer. Comecei por enunciar mentalmente alguns desses momentos e organizá-los do menos mau para o pior. E a missão deste texto era expor cada caso com leves considerações. E por mais voltas que dê para conceber este texto, tudo me parece cada vez mais inconfessável e indizível, mesmo os casos menos maus. Pensei em começar pelos desaires da juventude. As paixões de caixão à cova que desapareciam do dia para a noite. Um dia morria e no outro esquecia. Mas não me pareceu interessante. Comecei por ganhar coragem e falar da preguicite aguda que me desorganizava os estudos e me obrigava a fazer noitadas antes do exame. No entanto, considerei que não era motivo de grande alarido e não iria regar esta crónica do querosene essencial à transformação deste texto numa bomba tipo Caras ou tipo os beefs do Sempre a Subir (ou Sempre ever a Subóide dos Kuduróides). Poderia relatar então o desaire da vida sentimental muito tempos modernos e actual, onde as novas tecnologias (facebook e skype)são o princípio, o meio e o fim. E lembrei-me que já tinha a História de Amor à Procura de Um Final Feliz a lembrar-me da das cascas de banana que o amor encerra. Deixa só , ya! Poderia falar de amar! De como o amor nos sustenta e ao mesmo tempo nos corrói a paz e nos eleva à total idiotice. E neste papel assumidamente idiota apixonar-me sempre pela pessoa errada, aquele que mexe com toda a adrenalina do corpo e nos bloqueia a rede neuronal. Mas amar não é atingir esse estado de idiotice onde deixamos de comandar e somos comandados? Alguém me explica só! Podia tentar discernir se o que sinto é a amor ou desejo. Se o que senti antes era amor ou interesse, comodismo e medo da solidão? E o que sinto actualmente? É paz interior ou medo de arriscar cair num amor ou paixão? Mãe deixa só, já aceitei que na vida nem tudo tem explicação e que ser idiota faz parte do percurso. Mas continuar na idiotice já é coisa de "genta burra"! E as escolhas profissionais? São em função do que amo ou da necessidade salarial? Como estaria hoje se arriscasse mais e investisse apenas naquilo que gosto? Steve Jobs desistiu da faculdade e começou a frequentar cursos de caligrafia e contra todas as previsões tornou-se num revolucionário das tecnologias e do ramo empresarial. O segredo dele? Fazer aquilo que o coração ditava. E isso valeu-lhe montar a a APPLE e ao mesmo tempo ser despedido dela. E a vida é assim, não há finais completamente felizes. Mas há finais felizes... e Steve Jobs no perder da Apple encontrou o amor na mulher que lhe deu dois filhos, e voltou a construir uma empresa que foi comprada pela Apple que ele também criara. A vida tem reviravoltas muito à moda de hollywood. Feito o exercício ficou a vergonha. Mas porquê ter vergonha? Se todos erramos. Só não erra quem não tenta. Mas é tão difícil aceitarmos as nossas imperfeições. Porquê ter vergonha? Pergunto-me já a perder a noção do real. Vergonha de ter escorregado. Medo de ser julgado? Medo de alguma cobrança? Sentei-me perante estes monstros do meu passado. Enfrentei um a um. E percebi que os quero manter enterrados e esquecidos. Deles apenas quero a lembrança de que os ultrapassei; abanaram-me e fizeram-me cair. Mas deles tenho a firme convicção de me ter levantado, de me ter erguido e de ter ficado mais forte e experiente. Com as quedas aprendi a pedir perdão e a pedir ajuda e com estes pedidos ganhei a humildade que possuo. Não é muita mas é a suficiente para ser capaz de me colocar no lugar do outro antes de julgar. A suficiente para não rir das desgraças dos outros. A suficiente para saber que a subida tem quedas. A suficiente para entender que cada um tem uma bagagem que eu desconheço, pelo que devo sempre ter noção da minha ignorância e perdoar até o meu inimigo. A humildade para perceber que o meu ego me engana colocando-me no centro do universo quando estou cansada de saber que para o universo nem atinjo a proporção do protão. Sou mais uma partícula deste infinito... no entanto os obstáculos que atravessei dão-me a dimensão da luz. O brilho da eternidade reside em cada uma destas feridas que transporto no corpo e que curei na alma. E o grande passo desta caminhada reside em perceber que é preciso focarmo-nos no que se ama, custe o que custar. As derrotas existem para percebermos o que nos faz levantar. Normalmente nestas alturas somos assolados pela imagem dos que amamos e do que amamos e do que sonhamos ser. São essas imagens que queremos proteger, potenciar e acarinhar, que nos obrigam a olhar para cima e a estender a mão para o Alto em busca de força e energia. E é nestas alturas de dor e sofrimento que nos lembramos que existe um Deus ou uma força superior ou o que queiramos chamar mas a quem suplicamos, sem que alguma vez nos tenham ensinado a suplicar. Não me lembro em toda a vida de alguém me ter ensinado a suplicar em momentos difíceis, mas sei que todos o fazemos. Como o fazemos todos? É a pergunta que deixo no ar? E com esta divagação acabei não dizendo o indizível e acabei quebrando mais uma promessa... Lueji Dharma

domingo, 19 de maio de 2013

Sobre a "prostituição masculina" - onde há bombeiros há fogo sem fumo

No correr das fofocas diárias fala-se sobre as mulheres que sobem na horizontal, com laivos de crítica voraz. E neste correr de falar da vida alheia quase todas as mulheres destacadas na sociedade acabam resvalando nesta maldição. Normalmente os mentores deste escárnio são homens que quando podem, usam do poder que têm para submeter outras mulheres, ou aproveitam os mujimbos para saltarem em cima das presas faladas. Presa ensanguentada é mais fácil de matar do que aquela que ainda preserva a integridade espiritual e corporal. Diz o ditado popular que "onde há fumo há fogo"... e muitas são as evidências destas subidas femininas na horizontal, mas como fazem estas espargatas sozinhas? E surpresa! Com os homens! Mas estes não são caso de mujimbo. Os que promovem a horizontalidade parece que queimam sem deixar rasto; ou ainda, aqueles casos dos homens que paqueram e casam com mulheres para obterem lucros ou vantagens parece que há fogo mas não há fumo. Pois é? São tantos a apontar o dedo às mulheres, normalmente o elo mais fraco da cadeia, e ninguém aponta o dedo a estes novos salteadores do coração e da carteira feminina, os famosos "bombeiros". Eles "dormem" na horizontal ou na vertical para obter benefícios que vão desde promoção na carreira, empréstimos em bancos, empregos para familiares e até um carro novo. As presas são normalmente mulheres de faixa etária mais elevada que ocupam cargos de poder em ministérios ou instituições bancárias, solteiras ou casadas. São também seleccionadas jovens de famílias com nomes da elite no poder. Há quem diga à boca cheia que não se importa de concertar carro que "baba óleo", outros ainda gabam a capacidade de "remar em qualquer mar" e, garantidamente, todos afirmam ser bombeiros exímios. Eles saltam de lar em lar, concertando os problemas da canalização doméstica, apagando fogos sem deixar vestígio de fumo e dando nova utilidade a automóveis de marca que acumulam "teias de aranha" nas prateleiras, alguns prestes a entrar em menopausa. Há casos de homens que varrem a pirâmide etária desde os 14 até aos 60 anos de idade, subindo e descendo ao ritmo da potência do famoso "pau de cabinda" ou das pílulas azuis na versão ocidental. E esta sociedade de infiéis e bombeiros exímios estaria bem... não fosse o caso dos corações quebrados que toda esta situação cria, os cornos que pesam na cabeça de uns quantos vingativos e a teia de ligações complexas que se perdem neste emaranhado cada vez mais complicado. É preciso saber aceitar que quando deixamos a casa sem manutenção periódica a tendência é haver curto-circuitos, inundações e nestas alturas o bombeiro tem de agir. É nesta correria de apagar fogos que os bombeiros vão deixando para trás um sem número de doenças e filhos que acabam sendo absorvidos em casamentos desfeitos ou por mães solteiras. Como a intenção é lucrar, as doenças e os filhos, são vistos como despesas a eliminar. E quando o caso começa a entrar na rota da despesa superior ao lucro, abandona-se a cota ou a jovem de nome, por outra a precisar de aliviar os dólares na conta. Mas este abandono é normalmente acompanhado por um conjunto de conversas de bastidores em ambientes de machos nas famosas sexta-feira do animal onde as mulheres são expostas de forma leviana e perversa. Criado o ambiente ideal para não haver reclamações por parte das mesmas, vale apenas rezar para que a família ou o marido não descubra que aquele filho é deste prevaricador ou que a nova doença venérea foi transportada por este canalizador. Mas com a moda dos testes de DNA e análises clínicas fica cada vez mais difícil encobrir o bombeiro. Assim se explica os espancamentos de mulheres por homens cornos em fúria, por rivais ofendidas e até por familiares. Mas a estes salteadores com carteira profissional de bombeiros não há quem tenha a coragem de pelo menos os denunciar para que deixem de trabalhar de forma tão silenciosa, e o façam às claras para todos vermos. Uma actividade profissional tão rentável tem que permitir ao estado arrecadar receitas através do pagamento de impostos, pelo menos para cobrir as deslocações da polícia para atender aos casos de violência doméstica, a sustentação dos filhos abandonados e os tratamentos de doenças venéreas. É neste contexto que a sociedade não pode continuar a dizer que desconhece que deixo a seguinte questão: como pode um fogo arder sem fumo? Resta-me acreditar que estamos todos cegos ou não queremos ver, que existem bombeiros que apagam o fogo e aspiram o fumo. Jikula omesso (abra os olhos)! Não se deixe enganar, onde não há fumo pode existir fogo e um bom bombeiro. Lueji Dharma .

sábado, 18 de maio de 2013

A Ideia de Deus para todos nós - baseado em "Diálogos no Purgatório com Jean Guitton" de Henri Hude

Num purgatório entre vida e morte Henri Jude define um limbo premente onde os sonhos não concretizados arrastam seres humanos para uma vida desprovida do Ser que Deus projectou. No purgatório, o homem recém-morto tem a possibilidade de vislumbrar o seu percurso e compará-lo ao proposto pela Divindade. Da análise comparativa percebe então a razão de não ter atingido o almejado Paraíso e de ter se livrado do malfadado inferno. Entre o Inferno e o Paraíso o "morto" reconhece a falta de fé na concretização do ideal de Deus... "Quando Guitton voltou a si, mostrava um grande sofrimento, um sofrimento estranho como nunca tinha experimentado igual, em qualquer lugar ou tempo na Terra. O Anjo questionou-o: -Que viste? -Vi-respondeu ele- a Ideia que Deus tinha de mim antes de me criar. -Desde quando começaste a sofrer assim? -Depois de ter visto essa Ideia. -Sabeis em que consiste esse sofrimento? -Sim- respondeu ele. Sofro por ter dado conta da distância entre o que fui e o que podia ter sido." Diálogos no Purgatório com Jean Guitton de Henri Hude E deve ser esse sofrimento que devemos evitar no pós-morte e vivê-lo em vida, na superação de obstáculos e na concretização dos desejos intimos. Nada mais triste do que viver uma vida que não é a nossa fingindo sermos o que não somos, e adiando a felicidade para um futuro que nunca chega. Acomodamo-nos a uma imagem que criamos de fora para dentro sem nunca atingirmos o diamante encarcerado no coração. Aproveitamos os atalhos e fugimos ao risco de ter fé. Preferimos a certeza do visível à certeza de que para Deus nada é impossível. Desconfiando da razão do coração cedemos às tentações da gula do olhar. No imediato perde-se a construção da eternidade. "Que história admirável teria tido lugar através de vós, se tivésseis permitido ao poder de Deus revelar pela vossa vida esta coisa desconhecida e imprevisível: Vós!...Conseguireis pela simplicidade o que a malícia não consegue... assim para vencer precisastes da inspiração de Satanás... Assim vos perdestes, não sei onde, mas em qualquer parte, entre o caminho da salvação e o caminho da perdição" Diálogos no Purgatório com Jean Guitton de Henri Hude No caminho da perdição não anda só o condenado pela sociedade mas também o idolatrado que vive de uma imagem e da opinião dos outros. Aquele que foge do encontro íntimo ausenta-se do contacto com Deus. No silêncio sente-se a música do coração alimentando a concretização da ambição do Ser. "Todos o observaram e viram. Viram as suas vocações, viram a sua ambição e viram o seu fracasso. Viram o que ele tinha guardado só para si." Diálogos no Purgatório com Jean Guitton de Henri Hude E assim se matam sonhos e se elimina o Homem que Deus quis que a Terra tivesse. Estas almas perdidas no medo de ser e de desbravar caminhos novos, acabam nascendo por nascer. Mas o não cumprimento da sua missão, isto é a sua real existência compromete o Plano Divino de elevação do mundo a uma consciência Superior. O Céu um dia gualará a Terra, e a profecia cumprir-se-á "assim na Terra como no Céu". Mas para que tal se transforme em realidade é necessário que o Homem não deixe de acreditar que o mais importante não é salvar o mundo mas sim a "questão da salvação". E esta assenta na verdade que te permite ser livre. Livre para não ser a "opinião dos outros", mas "pela prática das pequenas coisas. À custa de pequenos actos de coragem, sereis capaz dos grandes".

domingo, 12 de maio de 2013

E quando alguém diz ser a personagem do livro que escreveste!????

O ilógico por vezes vira lógica Antes de sair de casa os joelhos imploram por um dia de paz. As mãos erguidas ao céu definem um caminho que liga o que está em cima com o que está em baixo. O som de mensagens vibra freneticamente no telemóvel para dar a conhecer que mesmo antes de fechar a porta de casa a rua já lá permanece. Não tens como fugir! Descendo os degraus em direcção ao mar atribulado do quotidiano as sms configuram textos de alguém que se diz ser a personagem do meu livro. Um laivo de riso ecoa na mente. - Como assim o personagem da Aldeia de Deus… -Sou eu o personagem principal da Aldeia de Deus. O silêncio “smsiano”permanece no meu telemóvel. Não percebo se as mensagens que caiem sucessivamente no telemóvel são uma brincadeira de algum amigo com muito tempo disponível ou se é uma verdade de um leitor desconhecido. Qualquer uma das hipóteses configuram-se ilógicas para um ser que dispõe de pouco tempo para inventar brincadeiras via sms como este cuja pretensão é a de um livro de um escritor desconhecido contar a sua história. Mal acabei de ter este laivo de raciocínio matinal já o meu telemóvel dava sinal de 11 mensagens por ler. Todas do mesmo “leitor” que se achava retratado num livro por mim escrito há 3 anos. - Cansada do som das “sms” que invocavam uma profecia sobre a vida de um alguém por mim desconhecido e furiosa com o convite para passar um fim-de-semana onde marcar golos era a pretensão final respondi com um leve “fuck you”. Este “fuck you” despoletou do outro lado um chorrilho de mensagens que agora acusavam a autora de ter escrito algo que desconhecia. Resumidamente, para o leitor estava comprovado que a autora escreveu sem saber o verdadeiro significado dos seus escritos. A autora, segundo o leitor, não sabia que era a sua alma gémea e punha em risco a profecia que ela própria tão bem descrevera. Ele leu e reconheceu-se, faltava segundo o mesmo, que a autora o descobrisse e terminasse o livro. -Oh salada russa, deste leitor… prometi nada mais responder às sms que a cada minuto caiam no meu telemóvel. -Já estás a conduzir? Liga a rádio e ouve… gostas deste género de música? – dizia a pretensa alma-gémea numa das dezenas de mensagem que numa hora fui brindada. Esqueci, propositadamente, o telemóvel em modo de silêncio na gaveta da secretária. Precisava de paz e não pensar em leitores que se querem apropriar da história e ainda me tornarem personagem do meu livro. Faltava segundo ele ir passar um fim-de-semana com um desconhecido, que no fundo não era assim tão desconhecido porque até era a personagem do meu livro, e minha alma gémea. Após verificar alguns documentos recentes na minha secretária fui tomar o pequeno-almoço com as colegas de costume. Enquanto estava a deliciar-me com a minha omolete do costume com chá do Ceilão, apercebi-me de uma sombra sobre a mesa e do olhar espantado das minhas colegas. A sombra na mesa apontava para alguém com um embrulho estranho nas minhas costas. Virei-me assustada e a tentar perceber porque alguém decidira fazer de homem estátua nas minhas costas. -É a dona Lueji? -Quem quer saber? -Mãe! Sou apenas um moço que lhe quer fazer chegar estas flores. -De quem são? -Mãe! Tem cartão aí… eu só vim mesmo entregar. Não sei quem mandou. A patroa disse só que outro moço foi à loja entregar o cartão e pagar as flores que estavam descritas num papel. O bouquet só podia ter sido feito por alguém com muito bom gosto. Em vez das típicas rosas vermelhas, o bouquet tinha uma composição de três layers; o exterior composto por uma ramagem verde que dava lugar a um conjunto de flores campestres em tons brancos e amarelos. Para culminarem num conjunto de 11 açucenas brancas cuidadosamente ornamentadas com pós brilhantes em tons dourados. Perdi-me na beleza do arranjo floral que nem pensei mais em responder ao moço que olhava para mim com ar cansado. - Mãe pode assinar aqui ou não? Vai aceitar? -Vou sim! Obrigada! São lindas as flores! – disse extasiada. Fossem de quem fossem as flores o arranjo tinha atingido o estágio de uma obra de arte sobre a obra de arte divina: a Natureza. Alguém havia conseguido acrescentar beleza às flores, através de uma combinação proporcional onde se misturava a delicada simplicidade da pureza mágica da açucena com a rusticidade silvestre das flores campestres. -Não me agradeça, mamoite. Sou apenas o moço das flores. - Na mesa a curiosidade era grande. Ainda, para mais coincidia com o Dia dos Namorados ou como prefiro chamar de Dia de São Valentim. -Sabes de quem são as flores? -Ainda não sei. Mas vou ler o cartão. O Cartão vinha num envelope preto com um texto gravado em letras douradas no exterior: “Para a minha alma gémea: Lueji Dharma” Só poderia ser do maluco das mensagens. Apeteceu-me atirar o bouquet para longe. Uma frustração invadiu-me a alma. Não bastava não ter ninguém neste dia, ainda tinha que ser torturada por um maluco que se julgava no direito de entrar na minha vida para me explicar o significado do meu livro. -Abre o envelope. -Não quero! -Já sabes quem é? -Desconfio! -Quem é então? -É um maluco que me está a mandar mensagens lunáticas. Um louco. -O que ele quer? -Só Deus sabe… mas já me convidou a passar um fim-de-semana com ele e ainda nem me conhece. Já percebeste que isto promete, né? -Abre lá! Pode não ser dele… -Com algum esforço abri o envelope. No fundo a tristeza prendia-se com o facto de até esperarmos e ansiarmos por estas surpresas. Mas quando vêm de quem não desejamos a angústia é mais forte do que a de não receber nada. Nada pior do que não ter alguém e ao mesmo tempo termos de justificar porque não queremos alguém. “Lueji a profecia se inicia…” Wayami na Caça O coração expectante desmanchou-se numa tristeza ridícula. As flores agora sobre a mesa perderam a beleza ainda há pouco gabada. Que raio de brincadeira era aquela? -Sabes quem é? -Não! E não quero saber – ripostei ferida de morte. No fundo esperava que fosse uma outra pessoa. Aquele amor secreto que em sítio algum ousava revelar a identidade mantinha-se em silêncio. Por mil e uma razões sabia que ele não podia ser meu. Para quê alimentar um amor impossível. Mas num leve instante pensei ler em letras garrafais o seu nome e uma declaração do tipo: quero que sejas a minha mulher. Mas não! Nada disso. Apenas uma mensagem de um louco desconhecido que começava a tornar-se mais uma ameaça que uma piada. - Levantei-me atordoada para regressar ao escritório. -As flores Lueji? -Alguém que as leve que nem as quero ver, disse enquanto atirei o cartão para o lixo. Wayami para o lixo gemi entredentes. Mas quem raios era esse Wayami? Caso tivesse lido bem o livro perceberia que a Lueji não fica com o Wayami mas com o Lukeny. O Wayami é apenas um amigo que a ajuda a encontrar a pintora. Esse Wayami ou não lera o livro até ao fim ou não sabia interpretar. -Sentei-me na secretária mais triste do que quando cheguei. Afinal, o tal não me havia sequer enviado uma mensagem ou umas flores, e este episódio só vinha reforçar essa lembrança. O Dia de São Valentim só me fazia lembrar que continuava à espera da tal alma-gémea que a cada dia parecia mais distante. Enquanto abstraía o pensamento no trabalho, a minha colega de sala entrou sorridente com o ramo de flores nos seus braços. São mesmo lindas, de certeza que posso ficar com elas? -Claro que podes – retorqui. Só não precisavas de as trazer para a sala! – pensei alto. Agora o raio das flores pareciam quererem rir-se de mim - Estavas à espera que fosse do outro não era querida? Pois não, são mesmo deste lunático. Nada a fazer amiga. Mas há que concordar que bom gosto não lhe falta? -Sim! Bom gosto não lhe falta – disse alto a responder às flores. -Por acaso - respondeu Aninhas. É talvez o bouquet mais bonito que recebi – dizia orgulhosa de um Wayami que lhe parecia agora ter ares de princípe mesmo desconhecido. Podes dar-me o seu número? -Posso. Aproveitei para dar o número e esperar que ambos se entendessem. Talvez a profecia se cumprisse mas não da forma que ele esperava mas com alguém que me conhecia. Seria original que um livro levasse a um casamento entre duas pessoas desconhecidas. Após o incidente matinal o dia correu normal, embora sempre com o tema de São Valentim nas conversas. Mostravam-se lingeries, convites para jantar especial em hotéis luxuosos, convites para concertos com a presença de músicos românticos… tudo era válido para celebrar um amor duvidoso. Lueji Dharma Não és a personagem do meu livro!!!!

sábado, 23 de março de 2013

alpendre

Sentada neste alpendre musical ecoam notas mil nesta pauta da pausa soas a algo febril um calor sem temperatura uma revolução ausente de mudança uma dor da cor do medo uma entoação elevada assim e esta pausa neste cometa musical da dor desigual coberta de ecos infantis de sonhos comuns numa meta sem fita numa fita sem metrica neste alpendre sem paredes onde comprimento iguala largura

luar mar

Neste mês igual ao tal o tempo escorreu o mar secou o luar escureceu Oh desespero!!!! Oh tempero vital A dor tão desigual Se no mar a lua estivesse Se na lua o mar coubesse Haveria apenas um mar luar um luar mar assim como e certo eu te amar e Ser o luar do teu mar O mar do teu luar este coraçao no teu olhar

Poesia no feminino

Oh flor em sangue mendiga de saliva do beijar Oh ensaguentada flor necessitada de um beijar ali em contra baixo na zona daquela dor so a tua saliva conforma o medicamento para tamanho sofrimento oh beijar equatorial que nem meridiana tangencial desta dança espiritual Oh beijar ali que cicatriza a ferida da minha entrada oh inicio neste ali teu e meu meu e teu oh sarada ferida nesta saliva alada ali na zona baixada da magoa magoada oh boca de petalas nesta rosa de palavras enfeite da nossa alma Oh porta de entrada da musica ritmada nesta dor descompassada da tua lingua amada matria desejada tua porta de entrada da vida almejada... Lueji Dharma oh beijar na zona baixada

segunda-feira, 18 de março de 2013

Orfanato do amor

O orfanato do amor contempla-se na face da criança que agora em lágrimas sente a perda irreparável do colo da mãe. Como adormecer sem o calor maternal que embalava o sono num compasso ritmado do bater do coração. Como preencher esta ausência que tortura o espírito e o físico? A dor é esbatida no sugar aflito de uma chupeta. Mas a ausência! Ai a ausência! É dor que mata e consome… a saudade! Intangível o sofrimento que nos percorre… a visão de ti: Mãe. Oh visão de tudo o que perdi! O canto dos anjos embala a memória… não quero me esquecer de ti! O meu corpo de criança hipnotizado transmuta-se em lembrança. Mãe o teu colo! Mãe o teu abraço! Parte de mim… contemplo-te agora mãe. Desejo o teu abraço, carinho e amor. A felicidade parece estar à distância das minhas memórias. Não aceito esta tua ausência. É com este giz que te desenho neste chão frio em que vivo. É com o giz que te volto a trazer à existência para o meu e teu consolo. É com este giz que te desenho do tamanho onde caibo no teu colo. És tu mãe a minha suprema obra-de-arte. Ressuscito-te e elego-te meu altar sagrado. E é no teu colo que restabeleço a conexão com a minha paz. Oh divindade que me aconchegas o sono: não voltes a fugir de mim. Lueji Dharma 18-03-2013

domingo, 17 de março de 2013

Uma História de Amor à Procura de um Final Feliz

Assim como assim, estava desfeito o mistério. Sobrava apenas a curiosidade pelos detalhes. Como, aonde, quando, quem e porquê suspendiam Samira e Tamara, no fio condutor de uma história. Já não se questionavam se verídica era? Acreditavam piamente, que toda aquela história comigo se tinha passado. Será? Como prender leitores senão relatar experiências também por eles vividas? Mas mais importante, como defender o amor, sem fazer crer ao leitor que também o autor já padeceu desse mal maior? Histórias de amor dizem-se ridículas, assim como as cartas. Mas quanto mais observo o mundo em volta, mais sinto os homens desejosos de viver um grande amor. Entregar-se de corpo e alma à tal alma-gêmea. Porém, num mundo de canalhas e interesses, muitas vezes, absurdo é acreditar no amor. Vejo mulheres perderem-se em ataques infames a amantes de maridos infiéis. Vejo infidelidade grassar como erva daninha no mal necessário do casamento. E o amor esvai-se em dores de um parto atroz. Até os homens, neste capítulo conseguem fazer nascer filhos. E neste capítulo do amor, não há cor e não há raça, todos amam, todos sofrem e todos se ficam na margem entre o canalha e o amoroso. E aqui, vos apresento uma história de Amor à Procura de um Final Feliz. Uma história eventualmente minha, ou de qualquer outro que já tenha optado por caminhar no desfiladeiro do amor. Sem medo, com medos numa cruzada com contra-cruzadas de uma Madalena imberbe, inocente, apaixonada nas mãos de um... vá-se lá saber que nome dar... 11 de Abril de 2008 Agora que passou um ano desde a primeira vez que te vi, regresso a este mês, num derradeiro esforço para reescrever a nossa história. Gostava de escrever um final feliz. Mas no leito da minha dor todos me dizem ser impossível, porque não me amas. E há quem me grite ao ouvido: «a vida não é só finais felizes! Acorda! Achas que ele te dedicaria um livro?!» - perguntam-me numa ironia cortante. E sem saber porquê, respondo com toda a confiança de uma fé inabalável: — Sim! Ele era capaz — sinto amor na caminhada sem provas. Como antigamente os amantes escreviam cartas que, desesperadamente, introduziam em garrafas lançadas ao mar, na confiança cega do destino se encarregar de entregar à alma certa. Assim, escrevo este livro revelador do amor que nutro no solo fértil do coração; e para iniciar, nada como voltar a este mês de Abril do teu aniversário. Foi neste mês de lágrimas mil que os deuses se reuniram para me lançarem o feitiço do amor! Decidiram oferecer-me como tua mulher, sem me consultarem. Os deuses devem estar loucos! E tu, marcaste-me, assim que me viste? Sabias que ia ser tua? Ou serei a tua mulher? Sabes isso? Por acaso tens a resposta? Agora, regresso a este mês de Abril e lágrimas mil a tentar reescrever esta nossa história de amor. Recuo o tempo, no folhear da memória! Se me amas verdadeiramente levanta os olhos quando entro. Mas se me queres simplesmente magoar, mantém-nos preso ao papel e não me perturbes! Fecha os olhos enquanto entro na tua sala. Não os levantes nunca. Não me vejas. Deixa-me sair como entrei! Deixa-me sair como entrei! - Antevejo uma tragédia – riu-se Tamara para Safira. Deixa-me sair como entrei? - E saíste como entraste? – perguntou Safira apertando o cabelo num puxinho. Descobrindo a nuca ao sabor fresco do ar. A história deixava-a afogueada. — Claro que não! Ele montou-me uma armadilha onde intencionalmente caí. — Intencionalmente? — Sim – ri-me, em todo o processo nunca perdi a consciência. Espera, minto, só quando fui anestesiada... — E foi bom? — Foi delicioso, foi excelente! Pela primeira vez na minha vida senti-me completa e finalmente entendi o conceito de alma gémea. Pela primeira vez na vida entreguei-me por completo e amei de verdade. — Então valeu a pena?! — Já me fiz essa pergunta milhares de vezes... e aqui perante vocês tenho de confessar que valeu a pena porque percebi a dimensão do desejo, paixão e amor! — O Amor engrandece! – suspirou Safira, antevendo o tempo de viver o seu grande e eterno amor. — Sim, quando descobres o amor verdadeiro passas a acreditar que podes conquistar o mundo. Que a vida é uma tela colorida que todos os dias escolhes pintar nas cores que queres. — Mas como se conheceram? Quem é ele? Como te cativou? – apressou Tamara numa tentativa de descortinar o personagem principal. — Conheci-o num hospital…por causa de um quisto que tive no pulso. E antes de o conhecer sentia, claramente, que esse quisto era somático. Sentia ser o meu inconsciente a empurrar-me para a necessidade de viver uma vida plena; a acreditar no amor, mas Oh God! Era tão difícil, pois quase toda a gente me gritava: sonhos, amor, alma gémea…cresce! Isso não existe! E eu a balançar, na dúvida entre a realidade e o sonho, abri as portas ao caos! Ou seja, para a estrondosa entrada de Leão Magno… O Dia em que te conheci — 11 de Abril de 2007 A tua voz rouca anunciou o meu nome vezes sem conta. E enfiada na casa de banho saí a correr. Mas demasiado tarde. O meu atraso parecia ter-te deixado mal-humorado. E por isso, entrei na tua sala timidamente, não te queria dizer que estava no W.C. Pediste-me, num tom monocórdico que fechasse a porta e tomasse assento numa das tuas cadeiras desconfortáveis. Lueji Dharma

sexta-feira, 15 de março de 2013

Um livro recomendável

Não sei definir bem este sentimento, até porque é estranho em mim. Um sentimento de invasão de um orgulho que não sei de onde vem e que até acho descabido. Mas que fazer se é o que sinto? E não é bajulação porque tenho muitos amigos que escrevem bem mas nunca senti este orgulho tipo é meu com uma coisa de outro. É estranho não é? Orgulhar-me "tipo é meu" com algo de outrém... Talvez não seja as letras desenhadas em palavras que configuram o texto que eu identifico como meu, mas talvez o sentimento que inspira o arquitectar desse texto é que me leva a apropriação e depois ao orgulho. Acredito que partilhamos o mesmo sentir, mas não sei se é possível partilhar algo tão íntimo. Será? Ou nesta espécie de relação que temos vindo a desenvolver ou a nos deixar envolver estamos a criar uma espécie de sentimento uno na diversidade de opinião e de vivências. Sim, porque das conversas que tenho contigo parece sempre que estamos em campos de batalha opostos. Mas que na altura de fazermos a guerra optamos sempre por mandar os exércitos para casa e decidimos fazer amor. - Desarmar e bazar people que nós aqui temos mais que fazer que guerrear! -Então é o quê boss que é mais importante que guerrear? - FAZER AMOR meus kambas! FAZER AMOR! E no desarmar da cavalaria e no despir das armaduras cobrimo-nos do bálsamo do amor desinfectando feridas e recuperando órgãos e membros feridos de dor. Sim, nós vamos à guerra com vontade de amar. Mesmo que essa batalha seja digitada e virtual. Mas o que interessa é que vamos e fomos... E neste campo de batalha os prantos que se ouvem fazem parte de uma arte que nada tem de maquiavélica e que cobre prados ensaguentados de flores perfumadas. Oh doçura a formosura do amor. Oh xinguilamento eterno! Pudera todos os campos de batalha conhecer o acto de amar! Pudera o mundo reconhecer a beleza da partilha na diversidade. Sermos um sem com isso deixarmos de ser únicos. Oh que guerra esta que nos oferece o amor sem com isso nos cobrar a individualidade. Amar na liberdade. E assim é este livro que elogio. Um acto de amor patente no servir... será isso o que tu articulas em palavras cobertas de uma ciência esclarecida e iluminada provida de método? Talvez não. Talvez eu me leia no teu texto. E não leia o teu texto. Ou talvez descubra o sentir por detrás de cada palavra escrupulosamente reescrita. Sim porque não as escreveste. Tu as reescreveste. Escreveste e depois censuraste e camuflaste. E agora que leio este desenho reescrito nesta paisagem desolada de uma cama virgem fico com este sentimento de ausência de verdade e honestidade. Talvez deva folhear este livro até me cansar de economia, de cultura e de tecnologia... e esta imagem de um jardim que até era de todos nós? Será o paraíso? Será o amor? Estou a revistar todas estas folhas deste livro e não encontro o amor? Oh Poesia! Onde andas tu? Doce inventar da tecnologia da atitude humana. A tal de revolução mental e espiritual... foste esquecida? Ou estarás adormecida entre palavras escritas e reescritas deste livro que agora não me parece novo, mas envelhecido. É verdade que este livro está entre o mal (contra bajulação) e o mal (bajulação). Sim! Este livro não toma partidos. Mas parte do quê? De um sistema entre males? A tal de Democracia? É isso não é? Atira ao meio, entre o mal e o mal! É o menos mau! Atirou-se portanto a uma meta elevada. Ser o menos mau! Gostei e recomendo. ***** um livro recomendável! Lueji Dharma

terça-feira, 12 de março de 2013

As vantagens de ser um filho pródigo…

A dor do sofrimento exalta em diálogos de frustração empunhados a um Deus que parece não ouvir. O medo, a injustiça, a comparação atiram-nos para o fundo do poço. Buscar a Deus parece não ser mais solução. Para quê? Para quê viver a acreditar em Deus quando quem não acredita parece ser quem mais acerta! Os milhões correm na avenida em direcção a esses que espezinham, humilham e violentam o ser humano em toda a sua dignidade. Aos seus fiéis é reservado o pranto da queda, o pranto da injustiça e o clamor. Aos outros a entrega dos bens materiais e das facilidades da vida. Em debates alguém alega não dormirem por peso na consciência! Ahahahahaha… peso na consciência? Só se não convives com eles. A consciência não lhes pesa. O sono só é interrompido no momento em que se prepara outro golpe para “desviar” mais algum dinheiro ou vítima. Nada de peso na consciência. O peso na consciência é para quem vive nos caminhos divinos consciente de que ainda lhe falta muito para o Ser. E consciente do pecado que carrega interrompe o sono para de joelhos e lágrimas nos olhos clamar o perdão. Mas a esse estão reservados mais obstáculos, mais humilhações e sonhos “básicos” que dificilmente consegue alcançar. Primeiro serves a Deus. Depois a ti. Mas Deus te compensará. E dia após dia ele carrega na fé o sonho da compensação e de um dia acordar sob a capa do milagre na vida que sempre sonhou: “uma família em amor, num lar abençoado”. Um sonho simples mas quase impossível de realizar para quem serve a Deus. Irónico! Mas verdadeiro… Aos que servem é reservado mais obstáculo, mais adversidade e ao mesmo tempo a visualização de que sem Deus é possível alcançar o básico e muito mais. Tudo se passa como se de um filme se tratasse onde os “vilões” sempre ganham e os “bons” vivem servindo uma causa perdida entregues ao desespero de arrecadar cicatrizes que raramente se curam. E tudo porque Deus é um Deus que está sempre disponível ao perdão. Ele perdoa os vilões. Assim basta estes se arrependerem todos os dias e Deus está com eles esquecendo seus filhos que sempre o acompanharam. Um Pai que vela mais pelo regresso do filho desviado do que pelos filhos que não se desviam. “Quando chegou em sua grande casa, no meio daquela fazenda gigantesca, viu outros empregados de seu pai, arrumados e correndo para atender a todos na festa, e ficou bastante confuso:- Oque está havendo aqui?- Chamou um dos empregados e perguntou oque estava acontecendo: - AAA meu senhor, seu irmão mais novo retornou ao lar. Seu pai está muito feliz e mandou que preparássemos uma grande festa para ele. -Oque?Meu pai está louco?Ande, vá chamá-lo já! O empregado foi correndo chamá-lo, enquanto o filho que além de cansado, agora estava enfurecido pela atitude do velho. Depois de algum tempo, o velho pai com um sorriso nos lábios veio ao encontro do filho, que muito irritado já foi esbravejando: - O senhor endoidou de vez? Onde já se viu dar uma festa em pleno meio de semana e ainda mais para esse perdido! Ele não é merecedor de uma festa, nunca! Já eu, me mato de trabalhar, cuido do senhor e de tudo por aqui e que ganho? Nada! Nem para essa festa fui convidado. O sorriso do pai se dissipou a ouvir tanto nervosismo e ressentimento, porém ele, um homem já idoso mas sempre muito amável com os filhos, abraçou seu filho primogénito, lhe deu um beijo e com lágrima nos olhos, segurou com as mãos seu rosto e disse: - Oh meu filho amado! Só Deus sabe o tamanho do amor que tenho por ti. O dia do seu nascimento foi uma alegria tal que se tivesse feito uma festa, não se compararia a essa. Você é meu braço direito, você é minha força, meu ombro para as lágrimas, meu amigo, meu irmão...você meu filho, você é meu sentido para a vida. O filho não consegue conter o choro e, como um menino reclama com seu pai: - Mas pai, porque fizeste esta festa para ele se tu me amas tanto assim? Nunca me deste uma festa e como disseste, eu sempre estive ao seu lado mas ele, ele abandonou a gente e sumiu no mundo, perdeu tudo que tinha e agora volta e o senhor o aceita de boa vontade como se nada tivesse acontecido? Então seu velho pai lhe diz: - Filho, Tudo que tenho aqui é teu. Além da sua parte você é o dono de tudo que possuo. Seu irmão esbanjou a parte dele, saiu sim pelo mundo, em busca de aventuras e as encontrou. Perdeu tudo que eu suei para ganhar e depois para não morrer de fome, foi trabalhar...trabalhar meu filho, coisa que ele nunca nem sonhou em fazer aqui, e trabalhava cuidando de porcos e comendo o mesmo que eles. Mas ele se arrependeu, viu que acabou com boa parte de sua vida apenas por prazeres passageiros e voltou pra casa...não sabe a alegria que tive quando o avistei ainda longe, da porteira de nossa fazenda. Ele me pediu perdão e até um emprego! Mas mais que depressa, preparei esta festa de boas vindas para ele. -Então meu pai, porque? - Porque meu filho? Porque ele estava morto e reviveu. Você está e sempre esteve vivo, faça quantas festas quiser com seus amigos mas esta festa hoje, é para dar boas vindas a nova vida de seu irmão! Entre, coma e beba connosco, dê um abraço em seu irmão e sente a minha direita na mesa, Nesta festa filho, não preciso te convidar, nela você entra e se sinta a vontade, ela também é sua”. História fictícia, baseada em Lucas 15:11-32 Fonte: http://jovensemcristobrasil.blogspot.com/2011/06/festa-do-irmao-do-filho-prodigo.html E aqui está a explicação para as festas e banquetes que todos os dias vemos homicidas, corruptos e ditadores receberem. Mas quem somos nós para julgar? Só Deus pode julgar… a verdade é que talvez o melhor é perdermo-nos para podermos pertencer ao grupo dos filhos pródigos… Para quem continua agarrado às promessas de Deus, boa caminhada, e nada de comparações porque vencer a dor do mundo é tarefa sua. A decisão de servir a Deus é sua. E é algo que apenas você poderá reconhecer. Não aguarde por reconhecimento ou festas. Aprenda apenas a aceitar que também fomos e poderemos vir a ser filhos pródigos e que também sempre fomos perdoados. Essa é a grande promessa de Deus: o perdão e o seu amor.

domingo, 3 de março de 2013

Votação para os 11 livros mais lidos de autores angolanos

Vote no (s) livro (s) que mais o marcou de um autor angolano! Clique no link abaixo e vote. Caso não encontre o livro em que pretende votar pode adionar o nome do livro e autor. Obrigada Lueji Dharma

Lueji Dharma entrevistada por Sérgio Conceição

Antes de mais quero agradecer a Lueji Dharma pela oportunidade e a disponibilidade em aceder conversar comigo. É um privilégio conversar consigo. Sérgio Conceição (SC): A primeira pergunta que lhe faço é a seguinte: Quem é a Lueji Dharma? Lueji Dharma (LD): Quem agradece sou eu e o privilégio também meu por ter sido escolhida para falar consigo neste teu espaço de entrevista. Bem. Sou uma mulher que nasceu no conturbado ano de 1977 na província da Lunda Norte. Aos 7 anos entretanto tive que “emigrar”para Portugal onde estive até 2006 altura em que volto a Angola. Sou uma pessoa normal, que faço um esforço por aceitar todos, sem perder-me a minha identidade e a minha liberdade. Embora reservada, acabo por gostar de viver envolvida em ambientes de cultura e arte. SC: Como é que foi esta mudança da Lunda Norte para Portugal? Não deve ter sido fácil não é? LD: Não foi fácil, pelo contrário, foi de uma dificuldade imensa. Desde logo teve que haver uma readaptação da família que penso nunca ter sido conseguida. No regresso perderam-se laços familiares, culturais e sociais impossíveis de reparar. Embora a comunidade africana na Madeira tentasse manter-se unida e conservar valores, confesso que nós jovens retornados sentíamo-nos deslocados. Esse vazio em alguns levou a situações problemáticas (alcool, suicídio, drogas...), em mim criou, uma pessoa bastante introspectiva, desejosa de conhecimento e muito ciente do mundo ao meu redor. Fechava-me muitas vezes no meu quarto e punha-me a ler e a escrever, para tentar entender melhor as razões por detrás de tanta injustiça. Só isto me ajudava a esquecer e a passar o tempo. Embora me tenha deparado com alguns espisódios de intolerância racial e cultural (confesso que, em geral, considero o povo madeirense acolhedor, solidário e empreendedor. Por isso, não me surpreendeu a lição de solidariedade e de reconstrução que a Madeira deu ao mundo após a “destruição” provocada pelas chuvas. SC: Entretanto aos 16 anos acontece-lhe algo que muda completamente a sua vida! LD: Um autêntico milagre! (risos) Numa altura onde as redes sociais como FB não existiam, e as livrarias desconheciam a literatura africana feita por africanos, acabei por receber uma prenda vinda dos céus, que ultrapassou as barreiras marítimas inerentes à vida numa ilha. Um casal de angolanos jogadores de handball do ASA foram viver para a Madeira ao serviço do Académico do Funchal. Este casal tornou-se parte da minha vida; estávamos praticamente todos os dias juntos, e de alguma forma me vi a reviver o lado angolano. E como eles sabiam do meu amor por livros ofereceram-me um livro de Pepetela em 1973 (na altura tinha 16 anos). Escusado será dizer que devorei o livro numa semana, e vivi momentos indiscritíveis, que até então, não tinha vivido em outros autores que lera: Júlio Diniz, Eça de Queiroz, Florbela Espanca, Sophia de Mello Breyner, Milan Kundera, Sartre, etc. O livro começa com “Lueji voltou ao lago da sua infância”, e nada pode ser mais verdadeiro que esta frase. E neste regresso ao lago da minha infância identifiquei uma África com identidade, tradição e cultura. Começo a perceber com a leitura deste livro o que era cultura africana, as suas raízes, a vivência, os costumes, a rebelar-me contra os dogmas difundidos pelos filmes e novelas, onde o africano é sempre apresentado como o escravo, o acessório da história e aquele que acaba sempre por morrer. Mas para além desta quebra das regras do preconceito global, Pepetela faz cair mais um tabu ao ter como figuras principais duas mulheres africanas separadas por 4 séculos de história. Numa peça literária extremamente arrojada Pepetela deita abaixo tabus raciais e recria um Império onde a mulher é livre de escolher e de ser detentora do poder! SC: Entretanto aos 18 anos vai estudar Arquitectura em Lisboa? LD: É verdade. Por força das circunstâncias tive que ir para Lisboa estudar, pois o curso que escolhi não existia na Ilha da Madeira. Mais um processo migratório que marca mais uma fase da minha vida. Desta vez, teria que viver sozinha na metrópole, uma cidade desconhecida onde tudo era muito mais agressivo que a pacata cidade do Funchal. Acabei por partilhar uma casa com uma amiga que hoje também está em Luanda. Esta mudança, embora com algumas dificuldades pelo caminho, foi enriquecedora para a entrada na vida adulta. Ao fim de 6 meses já estava enquadrada na vida académica usufruindo das dificuldades inerentes ao estudo, como também, da vida nocturna lisboeta (em especial o Bairro Alto com os seus milhentos bares e as festas da Universidade). Destes momentos de rebeldia, recordo com destaque os passados a escrever e a debater filosofia na Rua do Mezcal com a minha grande amiga Carmo. Ainda guardo alguns textos com estas conversas metafísicas (muitos risos). Mas ainda assim nunca deixei de estudar, sempre fui responsável no que toca ao cumprimento dos meus objectivos académicos. Mas também não deixei de viver. Tentei manter algum equilíbrio entre viver e estudar (nada fácil!). SC: E a escrita ficou para traz? LD: Não, pelo contrário. Este gosto começou a intensificar-se cada vez mais, porque mesmo nas noitadas que fazíamos andava sempre com caderno e a certa altura, isolava-me em algum canto, para passar para o papel aquelas experiências e vivências. Escrevia com a ânsia de perpetuar aqueles momentos, as amizades e aqueles interlocutores. A vida era a minha maior inspiração. SC: Em 2006 viaja para Angola… LD: Sim e por apenas vinte dias. Mas foram 20 dias fantásticos e de muita adrenalina. Revi a família, amigos, a gastronomia:o funji com moamba de galinha, o mufete, o caldo, o calulu mas também investiguei e estudei a realidade e a sociedade angolana. Foram 20 dias produtivos onde acabei por visitar várias localidades de Angola, nomeadamente em Benguela e Lunda Sul. O retorno a Portugal foi feito com a certeza de um regresso definitivo a Angola. Na altura, fui incompreendida (até por mim... mtos risos) pela decisão profissional, familiar e pessoal, mas acredito que com o passar do tempo, será entendível as razões desse acto aparentemente inexplicável. Surge o primeiro livro. Depois de muito trabalhar e fazer uma pós graduação em sistemas de Informação Geográfica e Historia Regional Local Lueji Dharma volta finalmente a Luanda para lançar o seu primeiro livro - Uma história de amor à procura de um final feliz. LD: É um ensaio onde procuro expressar/falar do poder do amor e da opção de amar, apesar das dificuldades e adversidades que as pessoas enfrentam para continuar a acreditar nessa força que movimenta o mundo. É uma ficção, em que é realçado, acima de tudo, a necessidade de te entregares ao amor sem medo de sofrer ou de condenações. O amor é indispensável à busca pela felicidade, sendo, por isso, um dos temas em que muito medito e que decidi partilhar pela primeira vez com os leitores. SC: Depois deste livro outros projectos ligado as artes surgiram em sua vida; um deles e na qual faz parte até agora é Movimento LevArte onde tem uma rubrica, A MESA BICUDA, e que nela entrevista pessoas da sociedade angolana que estejam ligadas as artes. Quer nos falar um pouco sobre este Movimento? LD: O Movimento LevArte foi criado no sentido de dar voz às artes. A certa altura o Kardo Bestilo (o escritor do controverso e fundador do movimento) sentiu que havia necessidade de Luanda ter uma casa só para as artes e em especial à promoção da leitura. Não é que já não houvesse, mas era preciso fazer mais. É assim que surge este projecto que não é apenas para Luanda até porque já estivemos em algumas províncias do país, estamos no Brasil e pensamos internacionalizá-lo e dinamizá-lo cada vez mais. Mas estava eu a dizer, que este Movimento foi criado para massificar e promover a cultura nacional, não só no que diz respeito à literatura, mas também às outras artes: pintura, música, teatro, dança e de todo tipo de arte que seja de facto parte integrante da cultura nacional e não só. Fazemos tertúlias e temos também a MESA BICUDA de que falaste. Esta mesa é na pratica um espaço de entrevista onde se partilha para além da experiência profissional e artística dos convidados a sua alma, no fundo, os seus sonhos, os seus obstáculos, as suas crenças e a fé que o impele a continuar. É importante realçar que nesta mesa pode-se sentar qualquer pessoa desde que se sinta confortável para revelar a sua história pessoal a um grupo de nossos convidados e também, responder às perguntas dos mesmos (com os “riscos” que daí podem advir). SC: E quem já esteve na sua “MESA BICUDA”? LD: Olha a nossa mesa tem sido muito bem frequentada, qualitativa e quantitativamente, por diferentes personalidades: o Armindo Laureano apresentador do Zimbando, Kanguimbo Ananás que é escritora, o João Melo que é escritor, Joel Sérgio escritor, o Mário Bragança que é escritor, a Lukenia Gomes que é actriz e apresentadora do Flash, o Walter Ananás que é músico, a Aminata Gourgel que é actriz, a Dina Simão apresentadora do Sexto Sentido, Ana Silva jornalista do NovoJornal, a Gersy Pegado que é cantora das Gingas, Lukeny Fortunato Bamba apresentador do Artes ao Vivo, Kardo Bestilo escritor do Controverso, Poeta dos Pés Descalços declamador e poeta, Kool Kléver músico do hip hop, Feliciano Mágico operador de câmara da TPA,. Já estiveram lá várias pessoas da nossa sociedade, mas obviamente que também já passaram por lá algumas pessoas menos conhecidas pelo público angolano, e que de alguma forma marcam a cultura luandense. SC: E que figura nacional e internacional gostaria de poder entrevistar na sua MESA? LD: Quanto a figura internacional gostaria de poder falar com a Oprah Winfrey, pelo seu percurso como ser humano, isto é, pela forma perseverante e tenaz como ela soube ultrapassar todos os obstáculos e sem esquecer o seu espírito solidário e filantropo. Com ela aprendi as regras da auto-aceitação, do auto-conhecimento e da auto-superação. SC: E a figura nacional que mais gostaria de ter na sua MESA? LD: Tenho mesmo que responder esta pergunta? SC: Sim, se não se importasse agradecia que respondesse! LD: E se eu não quiser responder? Risos… SC: Não é obrigada. LD: Ok. Eu dou uma meia resposta. Há uma pessoa em particular que gostaria entrevistar na MESA BICUDA, mas infelizmente pela relevância que tem na sociedade angolana talvez não o consiga ter para já. Mas gostaria de poder ter o privilégio de ter na Mesa Bicuda TODOS os líderes angolanos, que de alguma forma se sintam abertos a partilhar experiência de vida com o público presente. É preciso que os jovens conheçam a história da boca de quem a fez. SC: Respondeste à minha pergunta? LD: Hahahahahaaa. Acredito que sim. Depois de uma pequena pausa para atender um telefonema, mudamos de assunto e falamos e começamos a falar de Deus, de Fé e de Amor. SC: Escreveu a Aldeia de Deus. Acredita em Deus? LD: Acredito em Deus, aliás, não posso conceber uma vida sem fé em Deus. Tudo faz sentido quando se deposita a nossa vida nas mãos de Deus, agindo por devoção e desapegado dos resultados. Na Aldeia de Deus a fé é o principal impulsionador da vida e do Ser. Como dizia Martin Luther King: Suba o Primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas de o primeiro passo”. SC: No seu livro há uma busca pelo Dharma? O que é o Dharma? LD: Na Aldeia de Deus há uma luta entre o Ser e o Parecer. A busca do Ser, em detrimento do parecer, passa necessáriamente pela libertação do Karma. Este karma é no fundo o ego excessivo que não nos permite vêr o sublime que desenrola num mundo paralelo ao mundano. O que vale ser vaidoso e viver na luxúria, no mundanismo se ao pó voltaremos todos? Olha, um dia um amigo, preocupado que eu me pudesse perder, disse-me o seguinte: Quando os guerrilheiros romanos regressavam a Roma vitoriosos das batalhas, com muita pompa e circunstância, havia sempre ao lado dele uma pessoa cuja única tarefa era gritar-lhe ao ouvido “cuidado com o ego, não te deixes contaminar”. Isto para dizer que a busca do Dharma é constante, e que é uma decisão diária. Só é possível atingirmos o Dharma se realmente deixarmos de lado todos estes atributos que mais não são do que meras armadilhas para fugirmos à missão divina. SC: A sua crença em Deus é exactamente ao contrário do pensamento daquele que foi o ultimo premio Nobel português: José Saramago. Quer comentar? LD: Em relação a esse assunto, há uma frase de Saramago que para mim faz-me acreditar que ele sempre buscou Deus: Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro. Desta forma, Saramago que dedica uma vida a buscar Deus, mas esqueceu que os sinais de Deus apenas são visíveis com o coração. Mas de qualquer forma, foi um dos autores que num mundo onde parece mal usar publicamente a palavra Deus, trouxe o nome de Deus e a Bíblia para a ribalta. Saramago no fundo buscava Deus incansavelmente mas talvez lhe faltasse ver com a fé de uma criança. SC: Dizes que Saramago faz ou fez uma interpretação errónea da bíblia. Agora eu pergunto-te. A própria bíblia também não é uma interpretação de pessoas? Não foram os homens que a escreveram? Quem nos dá a certeza de que é o pensamento de Deus que realmente está por detrás da escrita da bíblia? E ainda: Já que ela foi escrita a milhares de anos e foi traduzida em muitas línguas, que garantias você tem de que ela foi de facto traduzida tal e qual como foi escrita no passado? LD: Sabes…Em relação a isto tenho que te dizer que pego nas palavras de um amigo meu, que certa vez disse-me o seguinte: “Não fales de algo que ainda não tens o total conhecimento. Leia a bíblia de uma ponta a outra e depois volta a ler e depois volta a estudá-la”. E eu concordo com estas palavras. Mas há algo que eu também faço para continuar acreditar na bíblia, deixando que ela própria se vá revelando, numa atitude de a deixar: orar em mim. Por exemplo há salmos que surgem em momentos difíceis e eu vou vivenciando a força destes, há ainda algumas letras de canções que têm mensagens bíblicas, ou poemas, ou livros... no fundo vou encontrando os tais sinais que Saramago teimava em não vêr. Humildemente reconheço que pouco sei da Obra de Deus, mas o pouco que sei, dá-me fé para continuar a procurar a sabedoria divina, não só na bíblia, mas também, em outros textos sagrados como a Canção do Senhor – Bhagavad Gita. SC: Como escritora que é acha que Saramago mereceu o Premio Nobel da Literatura? LD: Escritora? Risos…Eu ainda não me considero uma escritora, sou apenas uma iniciante, como tal não posso, atestar se o prémio foi bem entregue. Mas prémios à parte, há que reconhecer a perseverança, a dedicação e o amor de Saramago pela escrita. SC: Lueji Dharma faz uso do Facebook. O que acha desta rede social? É viciada no Facebook? LD: Sim faço uso do Facebook, é uma excelente ferramenta de partilha de informação e de comunicação. Passo algum tempo interagindo com amigos e com familiares que vivem ou estão longe de mim e isto é que faz o Facebook ser algo único. Alem disso também acabo por interagir com outros amantes das artes e da literatura, com quem partilho a busca pelo conhecimento. SC: Já ouviu falar de um grupo de angolanos no Facebook conhecidos como Revolucionários Ciberneticos? LD: Quem é angolano e está no Facebook certamente que conhece, como também os conhece. SC: E que tem a dizer sobre eles? LD: O que posso dizer é que o Facebook tem sido neste momento o maior palco de debates e diálogos entre angolanos do mundo inteiro de diferentes gerações e passados. É uma verdade incontornável e impossível de contrariar. Tem sido um veículo de exercício de cidadania que uns usam de forma construtiva, outros usam de forma aleatória e abusiva. A alguns tem aproximado na defesa de ideais e convicções a outros tem separado pelo uso abusivo de ofensas verbais conotadas a atitudes de intolerância racial e política. Esperemos que o balanço final deste diálogo cibernético seja o mais positivo para os angolanos. SC: Como qualificaria a juventude angolana? LD: A juventude angolana na sua maioria é ávida por conhecimento, bastante persistente e autodidacta. Desde que descobri que muitos jovens angolanos aprendem a usar programas de informática pelo youtube, fiquei rendida à capacidade de busca do conhecimento. SC: Gosta de música? LD: Gosto um pouco de todo tipo de música, mas ultimamente tenho estado a cultivar o gosto pela música clássica. SC: E o Kuduro? LD: Gosto deste estilo músical, por de alguma forma gravar para a posteridade em letras simples a vivência de Luanda e em especial dos musseques. Quanto à dança quase acrobática em si…risos…risos…danço sim, não sou “uma craque” mas dou uns bons toques. SC: E qual é o seu prato preferido? LD: Gosto de caldo de peixe com todos os seus ingredientes (batata doce, mandioca, jindungo, limão, e farinha) SC: Caldo? LD: Sim, do caldo de peixe. Mas também gosto de bacalhau com nata, o mufete e o funje com moamba de galinha. SC: Bebe álcool? LD: Aprecio vinho tinto especialmente a Casta Syrah. SC: Pratica actividade física? LD: Gosto de correr e ginásio. SC: Qual é o seu clube preferido? LD: Não tenho. SC: E qual é a figura angolana e internacional que mais admira? LD: Internacionalmente, já disse que gosto da Oprah, mas não posso deixar de referir um grande mentor africano da luta pela liberdade e contra o racismo: Nelson Mandela. A nível nacional prefiro não revelar. SC: considera-se uma mulher bonita? LD: Considero-me uma mistura equilibrada entre físico, inteligência e coração. Levo a vida com grande sentido de humor. SC: É uma mulher muito linda e com um corpo de cortar a respiração. Deve ser muita assediada? LD: Nem por isso. SC: Tem namorado? LD: Não. SC: Estamos a terminar esta entrevista e quero agradecer esta oportunidade e disponibilidade. Se quiser dizer algo que eventualmente não tenha dito, mas que gostaria de dizer…tenha a bondade. LD: Agradeço desde já o prazer desta conversa e as questões que me colocou. Na Mesa Bicuda pergunto sempre para finalizar qual o maior sonho do convidado, porque acredito que somos do tamanho dos nossos sonhos; gostava de incentivar a todos os que lerem esta entrevista a nunca desistirem de concretizar os seus sonhos, pois eles são importantes para o progresso do mundo e de todos nós. E ainda bem que não me perguntaste qual o meu maior sonho? (muitos risos)