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sábado, 30 de janeiro de 2010

Mátria do Nguimba Ngola

Nas andanças pelas lides poéticas e literárias em Luanda cruzei-me com o Nguimba Ngola...e desde então a amizade foi crescendo na partilha de textos, opiniões e idas à noite de Poesia no Baía...nas conversas que o tempo nos vai deixando ter o Nguimba mostrou-me acima de tudo ter uma imensa fé em Deus. Fé essa que discutimos à medida que falávamos do livro Tchehunda Tcha Nzambi que pretendo publicar...é essa fé que lhe preenche os poros do corpo e lhe fazem transbordar inspiração divina que ele usa para escrever...e é nesse diálogo divino que ele originalmente cria Mátria...uma palavra poderosa que nos toca com a profundidade de uma mãe ou desta Angola.

Ao folhear Mátria apercebo-me que esta é dedicada às mulheres...mulheres, criança-mulher que vivem por amor, em desamor, lá em cima onde o dinheiro abunda, cá em baixo no pisotear da lama...Mátria é para quem tem estômago para todas as dimensões da realidade amorosa e do próprio quotidiano da Kianda. Mátria é pois ser mulher angolana na Angola Mãe.

Confesso que ao ler alguns poemas o meu estômago cedeu à pressão do nojo e da pobreza demente que Nguimba tão bem exprime em poemas como Ruas Miseráveis do Musseque, Tímpanos Feridos, Malefício do Vício ou Kumbu Sujo.

Nguimba transcreve em versos soltos um universo de mulheres comuns que percorrem as ruas da vida desta Angola Mãe. São elas mães, meninas, prostitutas, amantes, apaixonadas e errantes, angelicais e leoas, feras que se fazem valer num mundo de homens.

Em Mátria Nguimba foge ao imaginário poético e relata o sentimento real com a poesia de quem atentamente observa e vive o mundo dessas mulheres. Transcende a barreira do julgamento social para dar vida ao mundo da mulher angolana...

Lamento de Mãe
O que direi
O que farei
Se vendeste a obediência
Nas ruas do prazer imediato
...
se não te guardei no aconchego
da placenta e hoje me pintas no
quadro da demência com cores
...

E é sobre o sol escaldante e arrasador da nossa Kianda que Nguimba denuncia "Nas Labaredas da Incompreensão":
"Muloji a Kime
kine mo túbia"
Esvoaça a fumaça
denunciando o crime no coração do Cazenga"

Nas labaredas da incompreensão jingam as mulheres que num mundo masculino adcoicam o ar com a sua fragilidade e beleza majestal. São elas que retribuem o mal com o amor e que a todo o custo percorrem mundos ao mundo para transformar crianças em homens. São pois elas o universo angelical que Nguimba tão bem denomina de Mátria.

"E na dor da violência caseira
ergueste-te qual Leoa ferida
no entanto
no teu doce coração nasce o perdão
e jogas ao longe o abuo poderoso
...
OH Soberano Universal
abençoa esta doce alma que jaz na cama
do teu jardim pois ela será eternamente
meu doce jasmim"

A delicadeza perfurmada do jasmim contraporá sempre a violência perpetrada...mesmo nesta nossa Mátria tão perdida nas poeiras da Rua, a Vitória será Certa!


Bem Haja Nguimba Ngola
Saudações Literárias da Lueji Dharma

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Kings Club - Quintas-feiras

A noite de Luanda liberta-se do jugo das noites desenfreadas do àlcool e do nada, para se apresentar cada vez mais culta e mais poética.
E o Kings Club apresenta-se como uma porta aberta para a dimensão da sabedoria, da partilha num passo de dança que nos Leva à Arte num movimento Lev'art. É nesta dimensão de um espaço decorado por escadas, que a cada degrau, nos encaminham para o nobre mundo das letras escritas, declamadas e cantadas...

É na penumbra de uma luz quente mas que não ofusca que se redescobrem mundos pensados por poetas da africanidade...

É numa sala repleta de artistas que se encontra o palco onde o Nguimba Ngola e João Melo esgrimem um diálogo onde a Literatura é rainha, numa mesa bicuda por natureza.

O escritor João Melo em toda a sua intervenção demonstrou ser um homem apaixonado pela escrita, cujo percurso nas Letras se iniciou aos 15 anos. Neste percurso apontou "Antologia de Poesia Negra" de Mário Pinto de Andrade como um livro inesquecível. Um livro que lhe foi dado a conhecer em Lisboa por Rui Mingas e que considera ser de salutar visto ali se encontrar um espólio da Africanidade.

Mais uma vez a partilha na base de várias obras que João Melo nos oferece...e que actualmente o fazem ser reconhecido em Angola como um dos melhores escritores.

O Kings permite também a compra de livros, pelo que ontem consegui enriquecer a minha biblioteca com o livro de João Melo : Novos Poemas de Amor.


Parabéns ao Movimento Lev´Arte

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

I had days like that...


Foto da Poeta Tânia Mandavela (minha bela irmã)

I had days like that little cousin...o texto que apresento não é da minha autoria. É mais um belo texto de uma angolana que estuda na África do Sul; O texto da Tânia Mandavela transpira doce simplicidade na descrição dos sentimentos num dia-a-dia corriqueiro onde uma palavra rude pode fazer cair lágrimas plenas de tristeza e um beijo na televisão pode reavivar a chama do amor.

"i have days like this,that a kiss on tv will make me believe in love
a sad story about a friend will break my heart
on days like this i have no fighting bone in me
today i feel the weight of the world in shoulders,today an unkind word made me cry like a baby, i curled up in bed,and cried,and cried, and found myself praying
yes praying,for nothing in particular,but for everyone,for the world to change, out of the blue i found myself reciting prayers i havent said out loud since sunday school,
and then puff, i stop, and feel so clean, so empty, so hopefull.
then i switch on the tv,and forget about saving the world, but keep a secret smile,because in those crazy minutes, i feel closer to God than ive ever been, i felt he out there, and sometimes he just makes sure i notice Him,and my true Soul.that secret soul no-one knows...
but back to the tv,one day at at a time....


im sorry, very sorry
for the times i kept quiet instead of saying "i love u too"
for the time i kept myself from kissing u,or holding ur hand in public for the sake of "nobodys"
im sorry for not being the perfect loving woman u deserve, sorry for the stupid fights i created, out of fear of being rejected, i rejected you. out of fear of the future,i ruined our present.but worst of all,for fear of love,i held back all the love i feel for you.
i thought i was being safe and mature, instead i was being foolish,because i know nothing,
all i know is that i love you."


Mais uma bela revelação de uma escritora
Obrigado Tânia por partilhares os teus textos.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Um poema que muda vidas




A leitura pode mudar uma vida, acho que já não há qualquer dúvida sobre este pormaior. É óbvio a influência de alguns livros nos percursos de vida de muita gente. E na minha vida a leitura marcou presença...e não posso negar a influência de Pepetela, Kafka, Sartre, Júlio Dinis, Fernando Pessoa, Kundera, Levi Strauss, Lauro Trevisan, Joseph Murphy, Gedeão, Sophia de Mello Breyner entre muitos.

A leitura sempre foi uma constante na minha vida...e posso dizer que foi o antídoto que me permite sobreviver a pedradas contra a integridade de ideiais e valores. Não falo de regras e nem de falsa moral...mas de SER INTEIRO.

Nessa busca de razões para manter a luz acesa, encontrei um poema que contém soluções tão importantes como o E=mc2 de Einstein.

E porque sei que outros, como a Celine, podem precisar deste poema assim como eu sempre preciso, dedico-o a todos os meus leitores. O poema infelizmente é de autor desconhecido embora há quem o tenha atribuído a Charlie Chaplin.






Viver!


Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei vir a decepcionar-me, mas também decepcionei alguém.

Já abracei para proteger, já ri quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei. Já gritei e saltei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, “dei-me mal muitas vezes”!

Já chorei ao ouvir música e vendo fotos, já liguei só para escutar uma voz, apaixonei-me por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei por perder). Mas vivi, e ainda vivo!

Não passo pela vida… E tu também não deverias passar!
Vive!

Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é “muito” pra ser insignificante.


Autor: ?


Um beijo da Lueji Dharma

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

SOMOS UMA FAMÍLIA

AUTOR: NICOLAU DOMINGOS
PSEUDÓNIMO: PINGO – MILAGROSO

ENQUANTO O MUNDO À VOLTA DO SOL GIRAR,
ENQUANTO DO ALTO CÉU UMA ESTRELA BRILHAR,
ILUMINANDO O LIMIAR DO NOSSO CAMINHAR,
ENQUANTO NESSE POLUÍDO AMBIENTE EXISTIR VIDA
POR MAIS QUE ME HUMILHEM,
POR MAIS QUE ME DESPREZEM,
ME CUSPAM E ME DISPAM SE QUISEREM
COM A VOSSA MESTIÇA IGNORÂNCIA
VOU FALAR DESSA TUA ESTRANHA, CRÓNICA ESQUISITISSE AGÚDA

ENQUANTO DAS NUVENS UMA CHUVA CAIR,
E O CALOR GLOBAL DA FÉRTIL TERRA SUBIR,
FAZENDO BROTAR AS SEMENTES
QUE O DESGRAÇADO CAMPONÊS
SEMEOU COM AMOR, DAS SUAS ABENÇOADAS MÃOS
QUERATINIZADAS DE TANTO CULTIVAR
A TERRA PARA BONS FRUTOS PRODUZIR
DIZEM : SOMOS UMA FAMILIA
GOSTARIA QUE SOUBESSEM
UMA FAMILA ALTRUÍSTA
UMA FAMILIA AMÁVEL
UMA FAMILIA SÉRIA
UMA FAMILIA AMIGA
UMA FAMILIA
DIZEM : SOMOS UMA FAMILIA
GOSTARIA QUE SOUBESSEM


Um poema do Pingo que acredito ter a profundidade de alguém que procura entender os sentimentos que lhe vão na alma.
Força Pingo continua a lutar pelos teus sonhos e pelo tal mundo mais altruísta, amável e amigo...porque eu gostaria que a minha "crónica esquisitice aguda" nunca me impedisse de sentir o sol brilhar, a chuva cair e o vento soprar...porque tudo o resto se esbate perante o calor do sol, a frieza das gotas e a força do vento.

Um beijo da Lueji Dharma

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Excerto do livro "Que sejas absolutamente feliz" - Lueji Dharma

Desvendar o mistério...

É uma sensação estranha olhar para trás e ver-me, ainda há dias a entrar na universidade cheia de radicalismos feministas e agora ser mãe e passar o dia a mudar fraldas, a limpar vomitado e a brincar com a Samira. Com o passar do tempo e enquanto registo no álbum dela alguns dos seus momentos constato que algumas coisas fui esquecendo. Pequenas histórias que passamos juntas...pequenas histórias que são um mundo para ela, e que eu não quero que se percam com o andar do tempo. Assim, decido registar alguns dos momentos que partilhamos...
Escrevemos ambas este livro...em que ela é a personagem principal. Parto do princípio de que ela tem muito para ensinar. Entro assim, no seu mundo na esperança de que ela um dia não considere que cometi uma inconfidência ao partilhá-lo com os leitores. No decorrer dos registos das suas histórias confesso que a ligação com Samira aumentou...e algo de fantástico aconteceu. Tentei em vão ocultar o segredo, mas à última da hora quando estava prestes a entregar o livro à editora senti que o livro estava inacabado, pois, a realidade que descrevi não era a mais completa e verdadeira. Por receio de julgamentos e para evitar ferir susceptibilidades não quis revelar essa parte que me amedrontou mas que também me fascinou e aumentou a capacidade de me manter acordada pela madrugada. Todo este mistério fabuloso aguçava-me a curiosidade e a vontade de saber mais. Tinha de partilhar este segredo mesmo que ele se assemelhe inacreditável.


Que sejas absolutamente feliz

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Angola...Yes We Can

Angola contra todas as expectativas conseguiu trazer ao nosso país um evento de renome e que está a levar a cultura angolana a todo o mundo. Embora ainda falte muita coisa, conseguiu-se com as dificuldades inerentes produzir um evento de qualidade. Um evento que não morre nos estádios, mas que vive ao longo de uma quantidade de outros eventos alusivos ao CAN. A vinda de Pelé e a sua exposição referente ao seu percurso futebolístico permitiu juntar uma elite do mundo do futebol nacional e internacional. O CAN trouxe também outras personalidades do futebol português como: Figo e Eusébio.

Claro que o CAN é dedicado ao Futebol, mas tem-se visto também um esforço para permitir a entrada de outras actividades, nomeadamente as ligadas à cultura. Foi interessante e compensador ver desfilar no Estádio 11 de Novembro a cultura angolana.

Angola! Yes We Can...
Sou palanca negra até ao fim

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O terrorismo

O terrorismo é a arma das pessoas que sabem ser incapazes de produzir algo de valor neste mundo. E como se sentem de alguma forma inferiores ostentam o ódio e a violência para se fazerem valer de uma razão que sabem não ter.

O uso da violência não tem qualquer justificação.
Acima de tudo...viva a cultura da não violência!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Curiosidades do Kuduru

Nagrelha - nova geração de kuduristas

O kuduru em Angola é um movimento de massas. O músico Nagrelha que foi recentemente preso por alegada acusação de roubo, levou a ajuntamentos espontâneos da população que o idolatra.
Nagrelha pertence à nova geração de Kuduristas e é considerado por alguns o Sebem dos novos tempos.

Kuduru em vez de Cú Duro

A origem do kuduru prende-se já sem qualquer dúvida ao Tony Amado, que quando quis gravar a sua primeira K7 registou em letras garrafais o título Cú Duro e apresentou-a a António Fonseca. Este último, preocupado com o facto de este título ser ofensivo para algumas pessoas mais sensíveis sugeriu Kuduru.

Dia da Cultura - Lunda Norte

Este ano a Ministra da Cultura Rosa Cruz e Silva deslocou-se à Lunda Norte, cidade do Dundo, para presidir ao acto central das celebrações do Dia da Cultura.

Sob o lema de Mais Cultura é Mais Angola o Dundo e as suas gentes viram desfilar um conjunto de artistas,artesãos e individualidades das artes. Assim, foi possível encontrar um feira com stands de livros e artistas de cestaria.

Na Escola Superior encontrava-se uma exposição da cultura Lunda-Tchokwe, e os livros de Oscar Ribas que irão completar o acervo da nova biblioteca.

As celebrações culminaram com o concerto encabeçado por Maya Cool e a banda Vouga,

Esta escolha da Ministra embora um início foi uma demonstração de que Angola é um todo, e que as províncias mais periféricas estão também no programa do governo. E a Lunda Norte, precisa de mais cultura...Era notória na população a procura pelos livros e a demonstração de sede de saber e conhecimento. A música é fundamental, mas a literatura e as outras artes também fazem parte do pacote cultural.

"Na ocasião, a governante solicitou o apoio e a intervenção dos governos provinciais nas acções tendentes à preservação, divulgação e valorização do mosaico cultural angolano".Angop

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Livro de Lueji Dharma - Tchehunda Tcha Nzambi/Aldeia de Deus

Poderia começar esta história daquela forma clichet: “Há muito…muito tempo havia….” Mas não seria verdade! Há muito tempo havia, mas hoje em dia ainda existe essa Aldeia: A Aldeia de Deus! Que na minha língua se chama: Tchehunda Tcha Nzambi! Pois é a Aldeia de Deus que eu desde miúda ouvia os mais velhos falar, é a Aldeia onde vivo desde que morri! Pois é! Eu morri há muitos anos atrás. Não quero dizer quem fui! Não interessa! Sei que vivi na altura do Império Lunda-Tchokwe, onde se acreditava que o homem ao morrer perde o corpo, mas liberta o espírito (muikua). Mas digamos que eu conquistei o meu lugar na Aldeia de Deus. Aqui só entram pessoas com muxima puena (bom coração). Depois de atravessarmos o umbral em direcção à Aldeia tornamo-nos Anjos protectores e divindades que tentam a todo custo zelar pelo bem-estar dos humanos; Enfim, estamos na sexta dimensão, apenas acessível aos homens com sexto sentido apurado e desenvolvido; somos os antepassados destinados a proteger o futuro das gerações vindouras; Embora não precise de casa como qualquer anjo tenho um sítio a que chamo de lar. Neste caso a minha residência é em Tchehunda tcha Nzambi no Leste de Angola. Uma aldeia perdida no cimo de uma montanha na fronteira entre o Congo e Angola. Uma montanha onde o nevoeiro é constante à entrada, mas que se reduz à medida em que subimos em direcção ao centro da aldeia. No coração da aldeia a nitidez é ofuscante. As plantas e as flores brilham intensamente. É possível sentir os cheiros com uma intensidade avassaladora. Digamos que eu moro no monte das madressilvas e das glicínias. Pode-se dizer que no meu jardim as borboletas e as fadas abundam! Um paraíso na Terra! No jardim ao lado, proliferam as orquídeas selvagens e as papoilas. Os seus tons alaranjados contrastam com o meu jardim arroxeado. A Aldeia de Deus é um jardim encantado acessível a quem o procura com determinação.

Excerto do livro Tchehunda Tcha Nzambi