Contador

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Quebrar as regras por vezes é solução!

An individual who breaks a law that conscience tells him is unjust, and who willingly accepts the penalty of imprisonment in order to arouse the conscience of the community over its injustice, is in reality expressing the highest respect for the law.
..................................... Martin Luther King, Jr.


Um indivíduo que quebra uma lei que considera injusta, e que por isso aceita a prisão que acabará por acordar a consciência social para essa injustiça, está na realidade a expressar o maior dos respeitos pela Lei.
.....................................Martin Luther King, Jr.


A força para vencer injustiças tem de ser infinitamente grande! Não é fácil, caminhar contra a corrente por mais certo que sintamos que os nossos ideais são. Por vezes, sentimo-nos sós e até malucos! Mas que fazer quando o coração nos grita sem hipótese de silêncio que não podemos compactuar com a injustiça...o nosso cérebro tenta em vão proteger-se mas o coração por vezes fala mais alto! E quando nos apercebemos tamos a defender as tais causas perdidas! E sem nos apercebermo-nos já nos olham de lado como se também fôssemos uma causa perdida! E facilmente a dúvida nos invade?
Vale a pena?
Não estaremos a perder status e dinheiro?
Não estaremos errados?
Mas quem somos nós para considerarmos errado o que alguns já consideram um dado adquirido?
Porquê que somos assim...complicados?

A cada pergunta? Uma não resposta! Não há certezas...podemos perder e ganhar!
A vida é assim

Mas uma coisa eu percebi! O que não vale é eu perder-me de mim...se essa é a verdade em que eu acredito! É nessa verdade que eu devo permanecer, mesmo que o mundo me grite que estou errada...que há coisas que nunca vão mudar por mais injustas que sejam!
Eu sou aquilo em que acredito!

Saudações Lueji Dharma

domingo, 20 de dezembro de 2009

O Natal

O Natal é daquelas épocas me causam infelicidade por ter um início e um fim. Continuo a achar ano após ano que não devia ter prazo, devia realmente ser sempre...as pessoas tornam-se mais doces, mais compreensivas e mais solidárias. E de repente o tempo cresce para aquelas coisas que nunca temos tempo o ano inteiro...amar simplesmente! Ligar aos amigos, aos familiares...escrever cartas e postais! Dar e dar...actos de amor que se condensam por alguns dias, a tal época natalícia!

Mas eu continuo a acreditar num mundo em que o natal será todo o ano, e não apenas durante alguns dias...e em Angola, não será diferente por mais incrível e distante que isso possa parecer pelas vicissitudes de um país saido há bem pouco de uma guerra desoladora e destruidora.

Mas Deus concerteza zelará por um futuro e uma nação própera!

Bom Natal!

Sweet dream - Beyonce



Sweet dream - Beyonce

Every night I rush to my bed (Todas as noites corro para a minha cama)
With hopes that maybe I'll get a chance to see you (com a esperança de te poder encontrar)
When I close my eyes I'm going out of my head (Quando fecho os meus olhos vou para fora da minha cabeça)
Lost in a fairytale, can you hold my hands and be my guide? (perdida num conto de fadas poderás segurar a minha mão e ser o meu guia?)

Clouds filled with stars cover the skies (nuvens cheias de estrelas cobrem os céus)
And I hope it rains, you're the perfect lullaby ( e eu espero que chova, tu és o perfeito xupa-xupa)
What kinda dream is this? (que tipo de sonho é este?)

You could be a sweet dream or a beautiful nightmare (tu podes ser um sonho doce ou belo pesadelo)
Either way I don't wanna wake up from you (De qualquer forma eu não quero acordar de ti)
(Turn the lights on)(Acende as luzes)

Sweet dream or a beautiful nightmare (um sonho doce ou belo pesadelo)
Somebody pinch me, your love's too good to be true (alguém me belisque o teu amor é demasiado bom para ser verdade)
(Turn the lights on)(Acende as luzes)

My guilty pleasure, I ain't going no where (minha culpa de prazer, eu não vou a lado nenhum)
Baby long as you're here I'll be floating on air (Baby desde que estejas c+a eu estarei a flutuar no ar)
'Cause you're my (porque és o meu)

You can be a sweet dream or a beautiful nightmare (podes ser um sonho doce ou um belo pesadelo)
Either way I don't wanna wake up from you (De qualquer forma eu não quero acordar de ti)
(Turn the lights on)(acende as luzes)

I mention you when I say my prayers (eu menciono-te nas minhas orações)
I wrap you around all of my thoughts (eu embrulho-te á volta dos meus pensamentos)
Boy you're my temporary high (rapaz és a minha temporária elevação)
I wish that when I wake up you're there (Eu desejo que ao acordar tu estejas lá)
To wrap your arms around me for real (para enrolares os teus braços à minha volta mas de verdade)
And tell me you'll stay by side (e diz-me que estarás do meu lado)

Clouds filled with stars cover the skies (nuvens repletas de estrelas cobrem os céus)
And I hope it rains, you're the perfect lullaby ( e eu espero que chova, tu és o perfeito xupa-xupa)
What kinda dream is this? (Que tipo de sonho é este?)


© B-DAY PUBLISHING; EMI APRIL MUSIC INC.; EMI BLACKWOOD MUSIC INC.; FORAY MUSIC; JIMIPUB; XAVIER MILES MUSIC;

these lyrics are submitted by OarSmaN
these lyrics are last corrected by Taneisha Star Marable



Ao ouvir esta música dificilmente não nos deixamos consumir pelo tom doce e desafiante de Beyonce que tenta a todo custo compreender o sonho de amor que ostenta por alguém...um amor que lhe deixa reconhecer estrelas encerradas em nuvens num céu que ela quer ver iluminado! Mas que sonho é este que deve a todo o custo ser abençoado pela chuva!

Uma ligeira homenagem às músicas que de alguma forma nos fazem continuar a acreditar no amor e nos sonhos...são músicas assim que nos permitem dormir com a certeza de que amanhã será um dia melhor...
Que aconteça o que acontecer, pesadelo ou sonho, vale sempre a pena acordar e continuar a viver!

Um bem haja a todos que acordam mesmo quendo todas as portas se parecem fechar à medida que percorremos o caminho....

E a todos SWEET DREAMS com a bela voz da grande Beyonce!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Um blog internacional - Lueji Dharma

No outro dia decidi colocar um flag counter no meu blog, ou seja, um contador de visitantes em função do país de onde acedem. Coloquei a título de curiosidade até porque julguei que o meu blog fosse apenas visitado por alguns angolanos e portugueses residentes em Angola. Ao fim de dois dias, constatei com grande alegria que o meu blog é visitado desde países como Lituânia, Alemanha, França, Estados Unidos da América, Brasil, Angola e Portugal. Sendo o maior número de visitas proveniente por ordem decrescente de Portugal, Brasil e Angola.
Com este mero contador apercebi-me que alguns dos meus textos são lidos em diferentes partes do mundo...pena não haver mais comentários. A partilha e a crítica fazem-nos crescer...

De qualquer forma a motivação para continuar a escrever mantém-se e aumentou.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Luéji Lua Kôndi ou Noeji-la-condi ou Lweji Nkonde - Rainha do Império Lunda Tchokwe

A bela Rainha Lueji continua a ter a sua história pouco documentada em Angola. Existem vários relatos nos arquivos portugueses mas muito resumidos e que se limitam a descrevê-la como bela, sábia e uma mulher que viveu para um amor por Tchibinda Ilunga.

Lueji foi coroada rainha pelo pai em detrimento dos seus irmãos que sempre a tiveram como inimiga.

Arquivo Histórico Ultramarino e Torre do Tombo - para quem quer estudar mais da história de África

Por terras lisboetas aproveitei para me dirigir à Torre do Tombo e ao Arquivo Histórico Ultramarino em busca de informação que complete a minha tese em História Regional de Local, sobre a temática do Reino Lunda-Tchokwe. Mas para minha surpresa e tristeza na Torre do Tombo não há registos. Resta-me o O Arquivo Nacional Ultramarino que escondido entre Belém e Ajuda, na Calçada da Boa Hora só abre à tarde.

Vale a pena a visita pois é um daqueles espaços senhoriais com um jardim muito bem cuidado e onde se encontra uma cafetaria que dá para um jardim de pérgolas e palmeiras ao estilo do romantismo. Confesso que é um privilégio conviver nesta Lisboa antiga recheada de motivos modernos...Lisboa tem este encanto e vale mesmo a pena.

Confesso que Lisboa tem em mim uma admiradora...é uma cidade priveligiada pelo contacto com o rio Tejo, pelas 7 colinas, pelos suas casas tradicionais, pela simpatia das gentes, tudo se conjuga para lhe dar um encanto que cativa cidadãos de todo o mundo.



Ps: se alguém tiver alguma informação sobre o Reino/Arte Lunda Tchokwe que queira partilhar disponha...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

disposto a morrer!!!!



Foto de Oliver Meyer

Um homem que não esteja pronto para morrer por algo não está apto para a vida
Martin Luther King

pacifico


foto de oliver meyer

sou da paz
grita o actor
a levantar os braços
sou da paz
é como o pacífico faz
sou da paz
venho e vou
pk sou da paz
e nada aki jaz
não me condenes
sou a tua paz
sou da paz

qdo a fauna cruza com desenvolvimento....





Foto gentilmente cedida pelo Yuri...

No comments!!!!!
Há imagens que falam por si!

Por esta paisagem angolana que eu amo!



Realmente Angola é um país à parte. Especialmente quando se percorre as suas paisagens divinais onde a vegetação exuberante quase não permite entrar...nestas florestas é impossível não sentirmos uma infinita paz e respeito. A alegria invade-nos porque ainda tivémos o privilégio de vivenciar um exemplo raro de beleza que se foi consolidando ao longo dos séculos. É possível realmente o confronto com a Natureza em todo o seu esplendor! Seja nos rios que correm fortemente em direcção ao mar, seja pelas quedas que eles criam ao encontrar desníveis em altura quer seja pelos animais que se escondem da presença humana...tudo é inegavelmente exemplo de preservação e de salvaguarda de uma paisagem em risco de extinção no mundo.
À medida que nos embrenhamos no verde e deixamos o alcatrão para trás...invade-nos a par da contemplação o receio de estarmos perante uma paisagem sujeita a desaparecer em face de um crescimento desmedido e desordenado.

Tanto terreno já desbastado e actualmente a necessitar de qualquer intervenção...esperemos que a construção se mantenha por essas áreas e Angola salvaguarde o que tem de mais precioso, e que poderá em caso da crise do petróleo que tanto se houve os economistas preverem, ser a nossa tábua de salvação.

sábado, 12 de dezembro de 2009

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Coreia do Sul versus Angola


Criatividade angolana no seu melhor (foto recebida por e-mail autor desconhecido)


Nas minhas pesquisas a diversos blogues deparei-me com o blog de Justino Pinto de Andrade: http://jpintodeandrade.blogspot.com/2009/11/postal-da-coreia-do-sul-ii.html


No seu texto, postal da Coreia do Sul, Justino Pinto de Andrade apresenta lindamente o modelo sul-coreano e faz algumas considerações sobre Angola. Claro que é um modelo excepcional nem que seja pelo sucesso económico alcançado. Mas embora, em Angola, o cenário seja ainda de caos, confesso que ao contrário do que se pinta, dentro desse caos, e sem romantismos idílicos, há um povo lutador e empreendedor. Povo esse que se levanta às 4 ou 5 da manhã para ir buscar água, despejar os detritos sanitários, comprar mercadoria, andar de kandongueiro ou ir a pé dos musseques até Luanda, para passar o dia a vender para ganhar uns míseros 500Kz (talvez). O esforço deste povo é comparável ao esforço dispendido para construir Seul, só que enquanto em Seul o esforço é canalizado pelos líderes em prol do todo, aqui o esforço alimenta mal e porcamente uma pessoa. Todos sabemos que muitos a remarem para o mesmo lado é melhor que muitos a remarem sem rumo...o barco, mesmo com o apoio divino, dificilmente chegará a bom porto.

Claro, que a população que temos é maioritariamente analfabeta mas, talvez pelas vicissitudes da guerra se tenha tornado em altamente sedenta de saber, desenrascada e empreendedora. (como o caso da foto acima)
São trunfos a utilizar...e que podem muito bem ser valorizados no sentido de se criar um modelo que vá de encontro às capacidades por nós adquiridas. Não temos necessariamente que assimilar o modelo de sul-coreano mas sim, de seguir a sua capacidade criativa de colocar em primeiro a sua nação e o sonho de construírem um país digno dos três POSTAIS de Justino Pinto de Andrade.

"O que a África não disse..." de Basílio Tchindombe

Aproveitei a viagem de avião entre Angola e Portugal para por a leitura em dia, nomeadamente o livro "O que a África não disse..." de Basílio Tchindombe que me foi oferecido por John Bella. O livro escrito com simplicidade artistíca e de forma descomplexada revela o mundo do feitiço. O livro conta a caminhada do Padre Álvaro na sua tarefa de envangelização dos povos indígenas de Angola, e em especial um povo canibal de Caconda. É neste processo de evangelização que lhe é apresentado o mundo do feitiço; e o confronto com esse mundo leva-o a questionar muitas das suas ideias pré-concebidas sobre feitiço, África, sexualidade, confiança e fé... todas estas reflexões vão nos levando cada vez mais fundo na realidade e nas crenças do povo angolano de Caconda. Revela-nos uma cultura onde a mulher não é vista como igual, mas como um ser inferior, que existe para servir e que pode levar o homem à perdição.

No duelo entre a cultura africana e portuguesa, vivido pelo padre Alvaro, salienta-se a necessidade de se por de parte o que se vê sob a luz dos preconceitos para nos deixarmos iluminar pela fé. Só a fé em Deus nos pode guiar para o sucesso...

Um livro que vale a pena ler, especialmente para quem quer conhecer melhor a lógica ancestral do mundo do feitiço!

De referir ainda que o livro foi Premiado com o Prémio António Jacinto 2008!

Parabéns Batchi

Viagens no Kuduru






O Kuduro é um estilo artístico único que condensa dança, música e textos da cultura mangolê num produto integralmente angolano. Desde que se mantenha o quadril firme (ou seja o cú-duro), e se eleve o corpo acrobaticamente ao som da música de forma arritmada e descoordenada quase desafiando a gravidade e a dor física, estamos a falar da dança Kuduro. Um género de dança que parece invocar um transe característico das danças ancestrais dos jovens guerreiros, ao mesmo tempo que bebe nas culturas ocidentais do ghetto americano (break-dance e rap). Primeiro estranha-se e depois entranha-se na invulgar batida tecno com os ritmos tradicionais de Angola, na dignidade da diferença, no improviso, na crónica do quotidiano mangolê…
O seu início prende-se com Tony Amado, que mistura ritmos de semba com o tecno e o house music americano, mas também, sungura, kilapanga e samba nevegando sempre sempre numa coreografia. No seu percurso artístico este Rei do Kuduro, acaba por dividir o trono primeiro com o produtor musical Ruca Van-Dunem e, posteriormente com o entertainer e intérprete Sebem.
Deste triunvirato temos a registar os seguintes discos:
-“Tony Amado e os seus Mutchachus” onde se ressalta os temas “Sinha Xica da Silva”, “Contratador” e o famoso “Jacobino” cantado por Sebem.
Sebem acaba por lançar mais tarde o tema a “Felicidade” cujo refrão “A Felicidade Todos Nós Queremos” correu o mundo, transformando-o num músico ouvido mundialmente; O Coveiro Filipado e tua Boca é esquadra são títulos que se seguem.
Nestes 20 anos o Kuduro percorreu mundos sendo um estilo cada vez mais dinamizado em comunidades emigrantes de angolanos com especial destaque para Portugal e Brasil. Em Portugal há a registar os Buraka Som Sistema com um género de Kuduro mais sofisticado e que conseguiram enraizar no contexto europeu o gosto por este género musical. No Brasil o Kuduro ganhou repercussão pela mão de Dog Murras e Carlinhos Brown.
Hoje em dia o Kuduru já é aceite como símbolo da cultura angolana e embora popularizado primeiramente entre as classes mais desfavorecidas atinge já todas as classes, bem como um público internacional. Recentemente no programa Divas de Angola da TVZimbo a kudurista “Noite e Dia” foi homenageada pelo seu percurso artístico e musical, ajudando assim a colocar o Kuduru num patamar de igualdade com os outros géneros musicais.
O Kuduro por ser um fenómeno cultural, mas também social, que quase sem explicação ultrapassou largamente as fronteiras dos musseques plenos de betão, pobreza e lama, despertou a curiosidade do mundo cinematográfico em filmes como “Kuduro;Há fogo no musseque” de Jorge António, “A Guerra do Kuduro", de Dito e “Luanda, fábrica e musica” de Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade. A curiosidade, criatividade e dinâmica do Kuduro leva a que muitos realizadores/jornalistas façam esta incursão nos musseques de Luanda, verdadeiras “fábricas de música e dança” em busca das suas referências históricas e da sua estética musical e coreográfica.
O seu discurso arritmado e pouco musical permitiu aos kuduristas expor as suas preocupações referentes aos bairros onde viviam e às dificuldades do seu quotidiano diário. Nesta vertente mais musseque-Kuduro destacam-se os famosos Lamba, Noite e Dia, Salsicha, Vaca Louca, Vagabando, Puto Lilas, Puto Prata, entre outros não menos importantes.
Neste percurso e por o Musseque ser uma área pobre de periferia, o Kuduro acaba por estar também associado a textos de reivindicação, textos com calão agressivo, textos com ligações a um mundo da criminalidade entre grupos e bairros rivais. A utilização deste veículo musical para duelos com outros gangs, apresentando letras pesadas, plenas de ameaças e obscenidades, fez com que houvesse por parte da população e entidades públicas uma condenação do Kuduru pela violência e pela ausência de valores éticos traduzidos nas suas letras.
Uma das curiosidades do mundo kuduro prende-se com o facto de muitos destes kuduristas serem os seus próprios produtores; e embora, esta música não fosse habitualmente tocada em rádios oficiais tornou-se conhecida por estar presente na boca e nos rádios do povo. Um dos veículos de dinamização e contaminação do kuduro foram também os célebres kandongueiros e os caldos de fim-de-semana.
Ainda neste contexto pode-se referir que há expressões que ficaram eternizadas:
“tá malaiko”,“vou te bater”, “sele mama”, “tou a vir”, “do melindro”, esta última associada a uma nova coreografia lançada pelo musico Agre G e já assumida como um símbolo da cultura Angola.
Em resumo pode-se referir que o Kuduro é um género artístico numa mescla espontânea entre o ancestral africano e os ritmos ocidentais, emergente num contexto social de musseque de onde retira a inspiração para as suas letras. E é neste percurso espontâneo e natural que o Kuduro se tornou num estilo de música internacional símbolo da criatividade e identidade angolana, em especial, a dos musseques e das periferias urbanas.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

as acacias rubras

Luanda é uma cidade caótica, barulhenta, com poeira, e muita gente na rua (noite e dia). Mas mesmo assim luanda me cuia, na sua enorme capacidade de lamber as feridas e procurar um futuro que de certo só tem a beleza das acácias`rubras agora em floração.
O vermelho fogo das flores nas ruas dão à paisagem alguma poesia; é maravilhoso perceber que mesmo no pãntano nascem flores, mesmo no caos prolifera a harmonia.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Bloqueio

A minha escrita anda menos em dia porque o bloqueio tem-se feito sentir. aqueles bloqueios de alma que se reflectem na escrita.
Mesmo assim, senti necessidade de dar pelo menos uma mera palavrita.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O que é a Sida senão o Medo?

Sida é medo
medo de ter sida
medo de se saber
medo de viver
com sida
medo de fazer o teste
medo do parceiro
medo da ligação
medo de intimidade
medo de ser mal falado
medo de...
Oh sida
vil traição
lamento dos amantes
infidilidade conjugal
lamento despedaçante
fome de amar
tesão inibido
tudo porque a sida existe
e o medo a alimenta.
traindo paixões
proibindo a entrega
tu matas a confiança

O que é a Sida senão o Medo?


Sida é medo
medo de ter sida
medo de se saber
medo de viver

Óbitos - Luta contra a Sida

O meu dia correu lentamente numa lânguida melancolia de quem vive passando ao lado da morte na mormalidade do dia-a-dia. E no espaço Baía consegui retirar da mente alguma tristeza na companhia de amigos como o Nguimba Ngola, Ngonguita Diogo e Jorge Bastos. Há mágoas que só a amizade apaga.
No entanto, e porque a vida tem de andar para a frente, reconheço que há muita tristeza neste mundo. Muita mesmo.
Especialmente neste dia de Luta contra a Sida.
É urgente resolver o problema da Sida. É uma doença terrível no sentido em que asfixia as pessoas num sentimento estigmatizante. Uma doença injusta que ataca realmente o que o ser humano tem de melhor: O AMOR. Esta doença é contra o Amor, na medida em que leva a que na intimidade exista desconfiança.
Urge mais do que tudo encontrar vacinas e soluções preventivas de maior eficácia.

Ouvi dizer e bem que é algo associado à promiscuidade. Mas a Sida, hoje em dia, é geral e tirando aqueles que agem de má-fé contaminando propositadamente, não se pode falar em culpados. Ninguém está livre de ser contaminado e de contaminar. De vítima facilmente passas a culpado. Numa roda onde a força deve ser empregue em arranjar solução e não culpados!

E por isso me viro para os líderes de farmacêuticas será que é assim tão impossível uma solução para a cura? Custa a querer que num mundo onde tudo se inventa, ainda não se tenha inventado o milagre para a sida.

Por outro lado, referir que ninguém se deve sentir apto para discriminar alguém; e que a Sida é só mais uma doença, igual a todas as outras, que com o tratamento adequado poderá ter uma boa esperança de vida.

Assim, acima de tudo, protejam-se e não percam a esperança, a vacina pode estar mesmo aí a chegar.

sábado, 28 de novembro de 2009

Dia Mundial da Criança - Um poema de Pingo Milagroso

O lançamento do meu livro na Faculdade de Medicina deu-me oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas. Futuros médicos plenos de humanidade e solidariedade. Em seguida segue um poema de um estudante de medicina que muito me comoveu.

Poema: Amago Ferido
Autor: Nicolau Domingos
Pseudónimo: Pingo Milagroso

Num banco de urgência no serviço de Pediatria,
Um menino na sombra do vale da morte virou-se pra mim,
Pediu que o apertasse fortemente as mãos… de repente,
Virou-se e fixou seu olhar penetrante nos meus olhos…
Convulcionando e entre soluços começou a desabafar…
Tio… eu venho do lixo, sei que já vou falecer,
Não vou a tempo de envelhecer,
Sou apenas uma criança inocente, indefesa e com Amago Ferido,
Respondam mesmo que eu venha morrer…
Quem chorará pelo menino, Perdido e Sozinho,
Quem chorará pelo menino, abandonado e sem familia,
Quem chorará por aquele menino, que chorava, chorava, chorava, inconsoladamente chorava até adormecer,
Quem chorará por este menino, que ao invés de ter tudo como dizem, teve nada, no caminho por onde havia de passar encontrou armadilhas e antes mesmo de ver o sol brilhar um túmulo lhe aguardava em segredo….
Quem chorará pelo menino, que pisou, pisa e pisará a areia escaldante das calçadas a procura de uma migálha de pão no seu aniversário…
Quem chorará por aquele menino, que chora dentro do homem Estuprador, Pedófilo, Perverso, Psicótico e sem consciência Moral …
Quem chorará pelo menino, que conhecia a dor, convivia com a mágoa e sorria com a tristeza,
Quem chorará pelo menino, que tentou ser bom menino mas a vida negou-lhe uma segunda chance,
Quem chorará pelo menino, que morreu e ao acordar voltou a morrer por ausência absoluta de escolha de sobrevivencia pelo menos…
Quem… Quem… Quem… Quem ?
Quem chorará pelo menino, que chora dentro de mim e dos homem que fingem que tudo fazem para o bem das crianças inocentes e indefesas…
Lacrimejando disse-lhe: Se eu soubesse quão tamanha é o Egoismo deste Perveso Mundo …
Nunca e já mais sairia de onde eu nunca deveria ter saido…
Filho … fecha apenas os olhos para não veres passar o tempo !
Tio… eu venho do lixo, sei que já vou falecer,
Não vou a tempo de envelhecer,
Sou apenas uma criança inocente, indefesa e com Amago Ferido,
Respondam mesmo que eu venha morrer!



Abençoado seja o dia Internacional das CRIANÇAS !

Valorize o Angolano! Genesis

O meu sábado foi diferente...Fugi radicalmente à minha rotina e estou em frente à televisão a assistir às Divas de Angola. Uma iniciativa interessante onde a Pérola saíu a grande vencedora. E tive oportunidade de vê-la cantar "O Amor" onde os versos justificam a perda do medo sem lei e sem explicação.

"porque o amor
faz-me ser o que eu nunca fui
e ja nao sinto medo de arriscar
gracas ao amor
hoje sinto o que nunca senti
e isso meu bem eu devo a ti!"
Pérola

Confesso que a actuação da Noite e Dia foi muito boa. E eu não tou maluca! Gostei que o programa divas incluísse uma categoria que reflecte muito a realidade musical angolana, e em especial, a dança que acompanha este género musical.

Mais tarde, e já fora do programa Divas ouvi pela primeira vez a música dos GENESIS - Valorize o Angolano! E gostei!

Valorize o Angolano!
Valorize Angola

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sem palavras na despedida

Despedida!

A acção roubou-me as palavras
o acto vil perpretado
criou um desempregado
é em vão!
o mundo já não tem coração
há mal e há maldade
na tesoura do rendimento
na busca da fortuna maldita
se lixa uma nação
o próprio pai governante
vende o filho à amante
que nem lhe dá o fruto proibido
mas alimenta-lhe a ilusão
de que é um ente querido
e que nem mulher da má vida
se entrega desprevenida
à bonança indevida
de quem vende a alma
por uma cama




Mais um desabafo, num dia sem luz e onde a notícia de uma despedida me deixa entristecida.
OH VIDA!

Cortes de luz! Até quando?

Estar sem luz já se tornou corriqueiro na minha vida em Luanda. Mas não posso considerar normal. Não se pode viver na constante incerteza de quando haverá luz?! Mesmo com todas as vicissitudes de um país saído da guerra...Será possível que toda a infraestrutura pública continue inadaptada à cidade? Será que não há uma explicação para tanto corte no abastecimento eléctrico à população? Na correria do crescimento e da construção desmedida estamos a descurar o desenvolvimento e todo o planeamento básico de uma cidade. Pretende-se, efectivamente, porque os prazos já não permitem milagres receber um CAN sem um mínimo de condições básicas:
-rede de abastecimento electrico
-rede de abastecimento de água potável (com qualidade)
-rede de esgotos
-rede viária em condições
-um sistema básico de saúde adequado....
-um conjunto de espaços públicos digno

Neste momento temos uma Luanda com os prédios de melhor qualidade ao nível do desenho arquitectónico mas sem ligação a uma rede de saneamento básico; especialmente quando se tem em conta que a maioria destes edifícios são torres que implicam uma grande sobrecarga para o sistema básico de infraestruturas actual.

Portanto, acredito que os jogos de futebol não decorrerão às escuras...sendo assim, imagino que a sobrecarga da iluminação do campo não prejudicará ainda mais a população residente em Luanda (e nas coutras cidades).

Quero acreditar que alguma mente brilhante se tenha lembrado deste pormaior e que os geradores abundem nos Campos de Futebol, em prole do bem público.

O que vale é que Deus nos continua a iluminar!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

conversas soltas

O dia correu lentamente enquanto me vergava ao trabalho e à agitação dos compromissos que me preenchem as horas. No corpo uma saudade pois sou NHAInes e não a tenho do meu lado. Como Posso ser NhaInes? Mas forçando o corpo por entre um morder de lábios aflitivo e doloroso, dei o meu melhor. Cortei a hora de almoço, para compor a apresentação e desdobrei-me numa correria para estar presente numa reunião que posso confessar ser decisiva na minha vida. Uma reunião que pela primeira vez me vai levar ao mundo dos grupos e da camaradagem que confesso desconhecer. Não sou pessoa de grupos mas de partilha de gostos...se gostam de algo que eu gosto então temos assunto, pelo que é divertido;logo me confesso feliz por ter alguém que de alguma forma partilha um mundo semelhante ao meu...esta é a minha noção de grupo. De resto, os grupos para mim são espaços que prefiro não frequentar...

Mas desta vez decidi que tinha de começar a quebrar a barreira do meu isolamento e deixar-me entrar no mundo dos grupos. Quem sabe não possa aprender alguma coisa...
Quem sabe? Não está na hora de sair da casca?

Lembro-me vagamente da entrevista que dei no programa Zimbando...sem querer os meus poros transpiraram aquilo que sou. Não foi nada planeado, e como um desprevenido escorrega numa casca de banana, assim escorreguei na pergunta que o Lauriano me fez sobre a razão de ter estudado História Regional e Local. Pois, confessei-me a mim mesma e, infelizmente, a meio mundo que viu a entrevista. No fim, e para minha supresa falou-me na Inês, o meu bem mais precioso! E atónita fiquei sem reacção. Não contava que ele me fizesse viajar na intimidade da minha individualidade. Mande um beijo repetiu ele! e eu a tentar controlar o sentimento soltei um:
"A mãe adora-te filha!"
Nunca deixo de ser NhaInes

O que é poesia?


"A poesia é a mínima distância entre o sentimento e o papel" - Levi Trevisan.

Foto gentilmente cedida por Oliver Meyer
Ontem no espaço Baía houve um serão digno de se presenciar...pode-se falar em fusão de tempos, correntes e expressões; Foi possível ouvir John Bella e Ngonguita Diogo em pleno Artes ao Vivo, num esforço maior pela nossa cultura. Porque goste-se ou não, cultura é partilha...e termos dois vultos da poesia angolana numa mesma sala, em conjunto com outros artífices da palavra é um momento inesquecível. Falo por mim!
Mas no meio da união há e como deve ser a diferença! E essa diferença não deve ser motivo para rivalismos mas para crescimento...que mau seria se todos pensassemos igual...assim no seio da arte há sempre lugar para mais uma diferença. Por isso é que os artistas se evidenciam no mundo...pela sua capacidade de tolerar a diferença e de a exporem sempre que podem.

E é nesse sentido, que acredito, ser útil o debate e, por vezes, voltarmos ao âmago da questão? O que é Poesia??

O que é Poesia??

um breve deixar de ser
na ausência de certeza
na libertinagem da desilusão
na ténue factualidade
dos factos
na vã verdade da realidade
uma certa ilusão
nesse outro mundo
da além física
coberta de odes épicas
e floreada de versos de amor
fazendo juz à existência
percorrendo a ausência
nas sete artes da dor
da além-dor da meta física
do eterno casual
do sempre tempo espacial
numa grand´eloquência natural
da liberdade gramatical
que se alcança
na doce aliança
entre o papel e o oral
gravando a volatilidade
dos sentimentos emergentes
que dão vida à alma
e língua ao além invisível
pintando a alma do universo
esculpindo a obra do artífice
soletrando a lingua da estética
homenageando a poética da arte
na livre poesia...

domingo, 22 de novembro de 2009

Angola em momento não...

Ontem pelas 19h30 deparei-me com um programa na rádio onde alguém, que não reconheci imediatamente, falava de forma concisa e assertiva sobre a necessidade de existir maior responsabilidade por parte dos governantes nos desígnios da nação. Falava-se, exactamente, da necessidade de ter um desenvolvimento económico assente numa classe média inexistente em Angola. Aumentar a classe média era uma das propostas sobre a mesa. Por outro lado, comparava-se Angola com a Namíbia onde a sociedade já se encontra estratificada de forma a garantir um grande número de população na tal classe média. No entanto, o entrevistador ressalvava o facto de em Angola ter havido uma cisão brusca com o país colonizador ao passo que na Namíbia se desenrolou um processo de negociação...e foi quando para meu espanto, tomou de novo a voz o entrevistado para referir, que a Luta pela Independência muito desejada pelos Angolanos se encontra novamente em perigo face à invasão estrangeira actual. E neste ponto Mário Pinto de Andrade refere que os governantes no poder não defendem os interesses nacionais, subjugando-os aos seus, e muitas vezes, ao interesse dos estrangeiros comprometendo, desta forma, o futuro da nação.

E neste contexto, tenho reparado por diversas vezes que todas as actividades de grande renome em Angola, grandes projectos são sempre apresentados ao lado de alguém que pelas características se denota ser estrangeiro. Fico muitas vezes com a sensação que os dirigentes não confiam no seu trabalho pelo que para o validarem colocam um estrangeiro. Poderá haver maior atestado de incompetência que um dirigente nacional, eleito pelas suas qualidades, necessitar de que o seu trabalho seja validado por um estrangeiro, estrategicamente colocado ao seu lado na sessão fotográfica. Concerteza necessitará do apoio no projecto, até provavelmente será a empresa estrangeira a que oferece mais garantias à realização do projecto na meta e com a qualidade pretendida. No entanto, tal não tira o protagonismo e o mérito aos quadros angolanos que se encontram nas entidades estatais e nas próprias empresas estrangeiras.

É essencial não esquecer, que quando se dá tanto protagonismo ao que vem de fora, concerteza se está a prejudicar o que é nacional. E de alguma forma, a legitimar o abuso cometido por empresas estrangeiras e estrangeiros no país contra os nacionais e a própria nação: com o simples argumento de que precisamos deles.

União de Escritores de Angola - 22 de Novembro

No sábado dia 22 de Novembro aconteceu em Luanda uma celebração com o objectivo de acolher novos membros na União de Escritores de Angola.

Esta celebração teve grande emoção especialmente por todos estes escritores terem alcançado o sonho de um dia virem a pertencer à UEA.

Houve quase unanimidade nos discursos proferidos da necessidade de se fazer mais pela cultura e literatura angolana. Ressalva-se ainda, a necessidade de conciliar a língua expressa em angola com o português padrão de Portugal. Como incluir a oralidade e a expressividade tradicional de Angola no português...porque realmente há diferenças culturais que não se podem adulterar ou evitar, correndo-se o risco de estarmos perante um processo de aculturação.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Um reconhecimento a um KAMBA



Não sei se acreditam em anjos. Mas eu confesso que acredito. Tenho vários anjos na minha vida...e um dos maiores e mais antigos é o meu Kamba Luis Costa. A amizade por Luís Costa surgiu de um daqueles acasos inesperados e num ápice encontrei alguém que me levou para dentro do mundo dos ideais. Com o LC eu aprendi a acreditar que vale a pena...porque como ele cita no seu blog:"Não viemos ao mundo simplesmente por vir; temos um lugar a ocupar, um papel à nossa espera, uma missão a cumprir"


O LC é discreto, mas a sua obra é ofuscante. O seu blog de BlueCitizen peca pela sua descrição mas vence pelo trabalho que representa. O Luís Costa partilha há longos anos a responsabilidade social defendida pela Associação Kamba. Ano após ano a Associação Kamba procura realizar um trabalho de defesa da cultura e da angolanidade na diáspora, ao mesmo tempo, que integra os angolanos que vivem em condições deploráveis em Portugal.




"No inicio o grupo juntou-se de forma mais leviana realizando discussões e encontros desportivos. No entanto o grupo em questão foi-se dispersando e somente a partir da década de noventa começaram a investir mais seriamente na associação que se encontrava ainda em estado embrionário. Foram preenchidas as competências necessárias, os cem sócios mínimos foram atingidos e os estatutos foram publicados. Após a sua legalização em Julho de 2003 foi concedido pela câmara do Seixal um espaço onde a associação poderia desenvolver as suas actividades.

Objectivos, projectos e acções A associação KAMBA nasceu da necessidade de ajudar a comunidade imigrante do concelho do Seixal, de facto apesar da sua orientação se dirigir para a comunidade angolana em particular, esta associação presta apoio a qualquer imigrante que o solicite. Esse apoio consiste principalmente na ajuda em questões burocráticas: preenchimento de impressos, informações e esclarecimento sobre os processos de nacionalidade (nova lei da nacionalidade). Esta função já era desempenhada de forma ilegal por este grupo de indivíduos desde a década de oitenta.

A associação em questão promove cursos profissionais para a comunidade do concelho e acções de confraternização e convívio entre os membros da comunidade. A associação KAMBA dispõe de um protocolo com a câmara municipal do Seixal para a realização de cursos profissionais. Além do apoio fornecido pela câmara, as instituições que fornecem o maior apoio financeiro, e outro, são a Cruz Vermelha e a Igreja.

Houve várias tentativas de realizar projectos de apoio para Angola por parte da associação mas que sempre foram mal acolhidos e aceites pelas entidades angolanas. A associação efectuou uma recolha de livros e roupas para enviar para Angola mas o consulado angolano em Portugal não acolheu bem a proposta e o material foi todo posto para o lixo. A associação, apesar do insucesso do primeiro projecto, tinha a pretensão de enviar medicamentos para Angola mas após uma conversa com o ministro da saúde angolana a associação decidiu enviar os referidos medicamentos para São Tomé e Principe.

A maior dificuldade encontrada por esta associação encontra-se na própria comunidade imigrante angolana, pois esta não é muito participativa. Os angolanos residentes em Portugal, segundo a visão de um dos dirigentes desta associação, encontram-se ser uma comunidade fechada e dispersa que não possui o hábito de se reagrupar, bem pelo contrário, ela insere-se em todas as camadas da sociedade."

Contactos

Avenida 25 de Abril, Edifício Monte Sião, Centro de Recursos do Movimento Associativo, 2840-443 Torre da Marinha, Seixal

Telefone: 21 212 30 70 E-mail: kamba.aacs@gmail.com


Um trabalho meritório que vem sendo reconhecido por terras lusas.

http://thebluecitizen.blogspot.com/
http://www.duplaoportunidade.org/spip.php?article93

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um Plano Ecológico para Angola que seja antes de tudo um modelo económico de desenvolvimento sustentável

Numa altura onde os países mais desenvolvidos se viram para a ecologia como visão futura, gostava de poder incluir Angola nesse patamar. Dentro desta temática há o caso surpreendente, da Coreia do Sul onde se defende que Seul se deve virar para a ecologia de forma a fazer face à actual crise. Realmente, no caso de Seul, podemos objectivamente falar em desenvolvimento e não em crescimento, urbanização ou construção. Por muitas vezes encontro a palavra desenvolvimento como sinónimo de construção. Não é uma antítese, mas concerteza, não é igual. O desenvolvimento é por definição "um processo dinâmico de melhoria, que implica uma mudança, uma evolução, crescimento e avanço" solidificado numa base económica, social, ecológica e cultural.

Mas Seul quando enfrenta a crise com a ecologia, entra num paradoxo até agora considerado insolúvel: economia versus ecologia; ambiente versus rendimento; desta forma, Seul, apresenta-se como uma cidade no patamar da criatividade, inovação e da responsabilidade socio-ecológica. Um modelo económico de desenvolvimento ecológico sustentável pioneiro.

Ainda não há muito tempo, quase todos os economistas e decisores políticos da praça mundial rejeitavam os modelos de desenvolvimento que contemplavam aspectos ambientais com o simples argumento do aumento dos custos. Desta forma, o mundo encheu-se de urbanizações que pretendem ser cidades, de cidades que querem ser paisagens e paisagens que não se quer em postais. O mundo encheu-se de ghettos e de não-cidades que agora se tenta com custos bem mais elevados refazer.

Angola, ainda vai a tempo de não cair no mesmo erro e de se aproximar de modelos de desenvolvimento sustentáveis, ganhando no futuro um país, que pelas paisagens e riqueza ecológica que tem poderá figurar nos melhores roteiros turísticos mundiais. A aposta será especialmente num turismo cultural e de investigação, em detrimento de um turismo de massa.

Olho para o modelo de Seul, e como Arquitecta Paisagista que sou, confesso que Angola parte em vantagem. Pois, na maior parte dos casos não será necessário recriar o verde, apenas será necessário medidas de protecção e de utilização. Permitir a utilização do património ecológico e paisagístico, sem colocar em causa a sua integridade.

O caso da cidade de Luanda já se torna, num caso especial, visto que implicará recuperar o que já se perdeu:
-Uma cintura verde que reduzirá drasticamente a poluição do ar que hoje vivemos e sofremos em Luanda.
-Um plano verde que garanta a introdução de espaços verdes e um continnum verde em toda a cidade. Teríamos desta forma um aumento do conforto bioclimático da cidade uma vez que a vegetação tem um efeito termoregulador.
-Retirar espaços verdes dos separadores de vias rápidas...acto que considero ser criminoso pelo perigo que acarreta os atravessamentos destas vias e a utilização destes espaços.
-Introdução de espécies típicas da flora angolana, com todos os benefícios ecológicos que dai advém.

Exposição de Fotos de Nuno Martins

Nas minhas voltas e reviravoltas dei de caras com um conterrâneo ao quadrado:
Angolano e Madeirense. Oh Gente! A vida não deixa de me surpreender. Já nos conhecíamos há meses mas por vezes o silêncio cria não diálogos. Mas por outro lado, é bom assim, é da forma que os encontros se tornam mais especiais. Mais verdadeiros e capazes de mudar a forma de pensar as pessoas que encontramos. Há que não emitir julgamentos prévios: dissemos ambos. A amizade surge independentemente de muitos entraves que a mente origina. Há laços de bondade e amizade que não se desfazem. No seu repertório, ele possui um conjunto de fotos do quotidiano e de Angola que em muito enriquecerá o registo da realidade angolana actual. E assim fiquei a conhecer melhor a obra de Nuno Martins que tem já um conjunto de fotos dignas de uma exposição que em breve se realizará.


Biografia:
"Nuno Martins nasceu em Angola e cresceu na Ilha da Madeira.
Durante sua adolescência, até ir para Lisboa a Capital, desenvolveu o seu gosto pela fotografia, televisão e teatro. Em relação ao seu trabalho sobre toxicodependência, escolheu um misto de cores para reforçar a crueza das imagens captadas no Casal Ventoso, onde esteve cerca de 4 meses a conviver com toxicodependentes e com os responsáveis do CAT - Centro de Apoio à Toxicodependência daquele bairro de Lisboa.

Fotografou em 35 mm, e apostou num retrato directo e sem artifícios, numa abordagem simples, reveladora de um olhar sensível e atento, nunca cedendo à facilidade das imagens sensacionalistas que a cor poderia proporcionar sobre um tema ao qual ninguém fica indiferente, ou ao mero registo impessoal das " imagens correctas "."

A escrita virou compulsão!

Obrigado Angola - Miguel Esteves Cardoso

"Obrigado, Angola


Ainda ontem

"Já não posso ouvir o José Eduardo Agualusa e todos os outros portugueses e angolanos cá em Portugal que não se cansam de denunciar os desmandos e a corrupção do Governo angolano." Eu reforço, já não posso ouvir as pessoas falarem apenas nos aspectos negativos de Angola. Angola é um país maravilhoso, com gente fantástica, empreendedora, batalhadora e sofredoramente feliz! Há uma grande classe pensante e intelectual que muito têm desenvolvido a cultura com parcos recursos. (imaginem com muitos recursos...)


"Serviço de despertar: Angola é um país soberano; mais independente do que nós." Talvez seja esse o problema...interessa deitar abaixo as entidades angolanas para que outros possam apoderar-se do poder.Interessa fazer de todos os angolanos um povo inculto, sem história, sem mais valias, que não a força bruta, que mesmo assim não pode ser bem usada se não se utilizar de técnicas de intimidação. Mas a verdade crua e nua é outra!


"Tudo o que fizemos em Angola foi para o bem de Portugal, por muito mal (ou bem) que fizesse aos angolanos." Mas há formas de conciliar o bem de Portugal com o de Angola. E os Angolanos têm dado provas de fraternidade e amizade para com Portugal. Agora compete a Portugal dar provas da sua real boa vontade.


"Mesmo assim, o Governo de Angola – e os angolanos em geral – perdoaram-nos, em pouco tempo, a nossa condescendência e a nossa exploração colonial. Os portugueses e angolanos sempre se deram bem, independentemente de quem manda em quem. Gostamos uns dos outros e aprendemos uns com os outros. Somos muito parecidos." Discordo que sejamos muito parecidos...nem temos que ser parecidos. Há simplesmente que aceitar a diferença e não a julgar sob a luz de ideias pré-concebidas do tempo da carochinha.


"Os regimes políticos dos países mais nossos amigos são como os casamentos dos nossos maiores amigos: não se deve falar deles. Entre marido e mulher, não metas a colher. De resto, não temos voto na matéria." Falar, e pior falar mal, só cria fossos profundos e distâncias. Interessa sim não patrocinar e nem apoiar esses tais problemas que tanto se refere existir em Angola como no resto do mundo. E do qual Portugal, infelizmente, também não é isento.



"Fomos lá imperadores e perdemos." Angola sempre teve os seus imperadores(Rei Ngola Kiluanje, Rainha Njinga, Rainha Lueji...) para não falar nos heróis e heroínas que lutaram pela Independência (Agostinho Neto, Viriato Cruz, António jacinto, A. Boavida, Deolinda Rodrigues, Lucrécia Paim, Irene Cohen, Teresa Afonso...Eram angolanos com grande valor humanitário, intelectual e político).

"Portugal também não era uma democracia quando andou por Angola a tratá-la e explorá-la como uma província de Portugal, fazendo tudo para matar quem fosse contra essa exploração." Pois não! Portugal e Angola estavam sujeitos a um regime fascista. Um regime que esteve na base de grandes atrocidades; e que enviava para um país distante e tropical jovens saídos das aldeias e os entregava à sua sorte. Muitos viram-se numa guerra sem razão e cometeram crimes que até hoje são a razão de distúrbios da psique. E actualmente nem são reconhecidos pela árdua tarefa de manter o tal Império em terras Africanas ( o tal Império que uns ainda defendem mantendo atitudes provincianas de colono...pois para esses...não se esqueçam que a guerra tem custos...e muitos de nós ainda estamos a pagar).

"Angola está a investir em Portugal. É uma chapada de luva branca, misturada com perdão." O perdão é libertador! Tanto para quem dá como para quem pede...será que tanta maledicência é sentimento de culpa?

"Por muito que se critique, Angola está a pacificar-se e a democratizar-se muito mais depressa do que Portugal de 1926 a 1976. Não trata Portugal como província ultramarina. Não interfere na nossa política. Imitemo-la nisso, por favor."
Acho que Angola deveria interferir mais na política externa; neste momento faz-se muito pouco pelos angolanos na Europa. Há muito angolano a ser discriminado, ostracizado com base em critérios raciais e de nacionalidade;
Penso que Portugal nisso tem muito a ensinar às entidades angolanas. Portugal sempre teve uma política de defesa do seu cidadão, sempre conseguiu fugir ao capitalismo feroz dos Estados Unidos e mais ou menos disponibilizar recursos a toda a sua população. Pode ser um país pobre mas com muita solidariedade!


"Não são só nossos amigos: são superiores a nós!" Neste ponto discordo. Ninguém é superior a ninguém...mas acima de tudo há que reconhecer, bem ou mal, somos todos iguais. E só temos todos a ganhar uns com os outros, desde que se perceba, que a Igualdade é a base para qualquer diálogo construtivo.


Posto isto, mais não digo! Realmente Angola e os Angolanos estão todos os dias a dar provas do empenho na reconstrução de um país do pós-guerra. E felizmente, há muitos portugueses que vivem Angola com amor, respeito e dedicação para com esta terra que lhes permitiu repensarem um futuro risonho...

Obrigado Angola!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Uma História de Amor à Procura de Um Final Feliz - John Bella

Lueji Dharma, imbuída n’uma Historia de Amor à Procura de um Final Feliz


A prosa em Angola parece não querer mais parar. Após tantos anos em que era a poesia, a rainha das belas-letras angolanas, se termos em conta o número de poetas que grassam por esta terra, pois, assim que um dia dissera António Jacinto, segundo a qual, “em Angola faz-se mais poesia que milho na maçaroca”.
Após termos visto surgir em 1999, Rosaria da Silva com o livro intitulado Totonya, consagrando-a como primeira romancista da História da Literatura Moderna Angolana, foram aparecendo outras mulheres escrevendo prosa. Nesta vertente, temos a oportunidade de sermos brindados com Lueji Dharma com “Uma História e Amor à Procura de Um Final Feliz”.
Ora… se já é apetitoso para nós, ler um bom livro, quanto mais não seja, um que fale de amor!
Como na Dama das Camélias de Alexandre Dumas, “Filho”, atentos então a esta Declaração de Amor, registada na Página 23 onde ela diz: “fechas os olhos antes de falar mas calas-te como se o fogo te queimasse a voz.” E a seguir canta Pablo Milanês:

“te amo
Eternamente
Te amo
Se me faltares no voy a morir-me
Se he de morir quero que sea contigo
Tu mano
Tu mano
Eternamente tu mano.”


E continua com jantares, sabores e dissabores, enfim para terminar com amor feliz. Estes escritos deixam de ser cartas pessoais, quando cada um de nós, homens ou mulheres revemo-nos na sua imensidão, na engenhosidade das palavras que ressaltam como contos de fadas para maravilharem nossos mais íntimos sentimentos.
Já dizia Fernando Pessoa de que, “todas as cartas de amor são ridículas”. Estas de certeza que não são. Todos procuramos um final feliz, para as nossas vidas. E este final está aqui bem próximo neste livro. É só lerem. Verão que tenho razão. De sobra.

Bairro Neves Bendinha, 27 de Agosto de 2009
John Bella

Vale a pena viver

Written words



Simplesmente Lueji Dharma - Foto de Oliver Meyer


Written words
são feitos que ficam
histórias que não se perdem
amores que se descobrem
são vidas não ditas
são palavras,
ditas e vividas
são Written words

Written word
trago no corpo
pinto no lábio
vivo o seu palavreado
não sou de abalo
sou written word
sou poema escrito
sou amor novelado
romance editado
um livro publicado
sou Written Word
a mulher do lado

Mais uma brincadeira da Lueji
em resposta ao Grande Nguimba Ngola

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A arte é a lingua dos incompreendidos

Hoje apetece-me escrever mas sobre nada e sobre tudo; isto é, sem assunto específico. Escrever, debitar palavras nesta tela mágica sem nenhum fundamento. Só pelo prazer de ouvir este teclado sob os meus dedos. Gosto deste som, que quase não se ouve mas se sente. Gosto de ver as letras e depois as palavras a aparecerem na tela branca. Sou feliz a escrever. Não me cansa. Recompõe-me. Anima-me alma. Faz-me despejar fadigas e raivas. Em vez do estilo spoken words, invento o Writen words. Palavras lançadas ao vento, ao mar, a esta tela branca...somente palavras sem nostalgia ou ideais. Palavras que se formam, frases que se compõe ao som ritmado da minha mente. Sou feliz porque componho textos, pequenas maravilhas. Sou feliz porque vivo. Sou feliz! Porque sou Eu nestes textos...sem qualquer refúgio ou subterfúgio. Sou eu Lueji Dharma! Sem noção do perigo ou da calma. Sou eu uma sinfonia demorada, precoce e avariada. Sou Eu Lueji uma poeta encabulada senhora do tudo e do nada!
Arte vivida, arte prometida e arte devida. Sou eu uma Human'arte. Ou melhor Woman'arte.

domingo, 15 de novembro de 2009

Américo Boavida - Tempo e Memória (1923-1968)

"Meu irmão!
...os homens valem pelo seu valor intrínseco, e não pelo valor que as pessoas lhe dão".
Américo Boavida em carta para Diógenes Boavida

Hoje é daqueles dias em que o Pai Boavida, médico de profissão, me daria uma jeitão. Estou com gripe, congestionada, febril e a necessitar de mimos (tou doentinha!)Mas tudo isto, é ultrapassado por um dia entre livros. E como sempre, aproveito para fazer uma pequena reflexão...do que vou apreendendo. Então aproveito para falar do livro: Américo Boavida - Tempo e Memória (1923-1968)de Fernando Correia.

Neste livro reconstrói-se a vida de Américo Alberto de Barros e Assis Boavida, considerado por muitos, "um dos mártires e heróis do panteão nacional da Pátria Angolana".

Actualmente dá nome ao Hospital da Universidade Agostinho Neto - Faculdade de Medicina.

No livro há relatos, fotos do trabalho humanitário e médico prestado por Américo Boavida à população rural angolana.

Neste percurso também há uma história de amor; O Amor inter-racial entre Américo Boavida e Conceição Boavida. Ambos não cederam à pressão da população branca e negra que exigia a separação. Não se aceitava que um negro namorasse uma branca! Oh Vidas!

E assim, me continuo a deliciar com mais uma história da nossa história.
Parabéns ao Historiador Fernando Correia que realizou um trabalho de pesquisa, compilação e redacção fabuloso, num total de 500 páginas.

Lukeny Fortunato - Álcool



Foto tirada no Espaço Baía por Oliver Meyer



Foi a desfolhar o livro de Kardo Bestilo em busca de um poema que encontrei um texto de Lukeny Fortunato. Lukeny é um jovem com alma de gigante. Ele escreve, ele canta e encanta nos palcos do espaço baía. Partilha com outros a responsabilidade de divulgar e criar poesia. De forma gratuita e ano após ano apresenta poetas, cantores e filósofos. Mas também, apresenta textos, música e poemas seus.

Álcool

Eu sou um tipo de álcool que penetro no corpo humano e estimulo o teu sistema nervoso, apareço em várias formas, em champanhe, vinhos, cerveja, vodka, gin ou spin, sim eu sou multicolor, queres conquistar uma dama? Vem ao doutor, que eu ajudo-te a puxar as palavras que nunca deslizaram pelos lábios, eu sou o famoso álcool, o líquido útil nunca inútil para os que me sentem no sangue.

Vocês precisam de mim para sarar as vossas feridas, vocês precisam de mim nas vossas vidas, eu sou conhecido em todos os cantos, armários, despensas, garrafeiras, bares, pubs, discotecas, esquinas, clínicas, igrejas, escritórios, eu estou em todo o sítio, mas eu não ando, eu não ando, eu fui criado, misturado, reproduzido, maltratado, escravizado pelo homem, e é por isso que vocês sofrem.
....

Eu sou o álcool, incolor e ardente, eu estalo mentes, sou quente, causo acidentes, faço-te perder o equilíbrio, dou cabo do teu fígado. Eu mato gente, aterrorizo famílias em todos os continentes, por causa de mim tu babas, andas nu, lanças diogos, e nem sequer te lembras no dia seguinte, eu sou chateado, e já estou dentro de ti.

Eu junto jovens todos os dias, em todas as ruas de Luanda, e não me perguntem de onde vem o dinheiro, porque eu não abasteço de borla, eu sou dono de Angola avisem American Cola e as outras porcas, que eu mando aqui, vim para ficar e liderar. Se a Nocal não tem saída eu venho em forma de Cuca ou Ekae isto não é brincadeira, brincaram com a minha reputação, agora não tenho maneiras. Eu queria apenas ajudar nos hospitais, mas acredito que já é tarde, as minhas sinceras desculpas a todos que prejudiquei, matei, e estou prejudicando, contem a minha história.

Deolinda Rodrigues - Cartas de Langidila



foto em http://muamba-banana-e-cola.blogspot.com/2008/06/mul...

O projecto Ler+ do Chá de Caxinde fez-me cruzar com uma feira de livros. Entre os vários livros de várias editoras cativou-me um com a foto de Deolinda Rodrigues na capa:Cartas de Langidila e outros documentos.
Neste livro, Deolinda Rodrigues é autora da sua história pelas cartas que deixou escritas. A tradução das cartas do kimbundu para português coube a Roberto de Almeida. Enquanto que a Nótula Biográfica foi realizada pela escritora cubana Limbania Jiménez Rodriguez, em Heroínas de Angola.

O restante livro é uma compilação de cartas que falam por si, da luta, determinação e entrega desta grande mulher da História Angolana.

Deolinda Rodrigues é descrita e lembrada como uma mulher "afável, compreensíva" que "tratava sempre de se manter informada" e de transmitir informação e conhecimento aos seus companheiros. Preocupava-a o analfabetismo:
"É terrível a indiferença e o analfabetismo desta gente; já nem o quase nada que a imprensa yanqui publica sobre a nossa tragédia eles leram"

Mesmo contra uma diáspora amorfa ela acredita: "O importante é saber o que queremos e caminhar para a frente" E no final de contas ela desabafa : "Ah! Se me safo deste vazio"

Hoje em dia são muitas as dúvidas que pairam sobre o desaparecimento de Deolinda Rodrigues e sobre a sua morte. Mas tendo em conta, que a sua luta reinvidicava justiça e dignidade: não será concerteza demais dizer que o passado não deverá por em risco a paz futura.

Já ela na altura lutava pela união entre os angolanos contra as correntes de fundo tribalista e racial divulgadas por alguns movimentos da altura.

"ACEITAMOS UNIDADE PARA TODOS NÓS E NÃO NA BASE DE SELECÇÕES INDIVIDUAIS"

De salientar que neste livro é possível encontrar cópias das cartas manuscritas de Deolinda Rodrigues e cópias de documentos confidenciais da PIDE, MPLA, entre outros.

Mais um livro que poderá ajudar a reescrever a história sempre com o intuito da paz e da unidade nacional.

sábado, 14 de novembro de 2009

Concerns of all humanity

An individual has not started living until he can rise above the narrow confines of his individualistic concerns to the broader concerns of all humanity. ..................................... Martin Luther King, Jr.

No outro dia estive no Largo Primeiro de Maio. Ao meu lado esquerdo Maria Eugénia Neto. Do meu lado direito Agostinho Neto! À minha frente imensos jornalistas...aos meus lados imensa gente. Detive o meu olhar no poema: Havemos de Voltar. Li e reli. Havemos de Voltar. E enquanto a música tocava, sob os pés de Agostinho Neto as flores tombavam! Fixei os meus olhos na criançada esfarrapada, pobre e mal-amparada que por lá andava. Estavam felizes por ver tamanha agitação e até televisão!

Enquanto as figuras públicas eram entrevistadas, eles permaneciam imóveis tentando apanhar os diálogos enviados para os microfones. Percebi que se viam gregos por entender, porque naquele dia tinham-lhes perturbado o descanso de viver na rua.
De olhos esbugalhados, de quem revê uma mãe olhavam admirados para Maria Eugénia Neto.

-Sabes quem é aquela senhora?
-Não!
-Foi a esposa daquele senhor da estátua...
-O Agostinha Neto?
-Sim!
e aos saltos, em jeito de jornaleiro correu a contar aos outros que aquela senhora -"é a mulher do Agostinho Neto".
-Xé, não diz isso!
-Madrinha, não é? não é verdade?
-É verdade!

Esta ínfima informação, em jeito de quem conta um segredo, tinha feito o rapaz dono de uma informação especial. Naquele dia ele conhecera a esposa do homem da estátua que lhe norteia as noites dormidas ao relento. Ao menos quando dormir, naqueles bancos do Largo Primeiro de Maio saberá que o homem estátua, já foi humano. Talvez esta humanização da estátua lhe dê algum alento numa rua desprovida de sentimento. Numa rua onde os meninos ainda vivem perdidos à espera de um abrigo.

Pesadamente sentei-me à beira do lago; e li e reli:
Havemos de Voltar
Às casas, às nossas lavras
às praias, aos nossos campos
havemos de voltar.
Às nossas terras
vermelhas do café
brancas de algodão
verdes dos milharais
havemos de voltar.
Às nossas minas de diamantes
ouro, cobre, de petróleo
havemos de voltar.
Aos nossos rios, nossos lagos
às montanhas, às florestas
havemos de voltar.
À frescura da mulemba
às nossas tradições
aos ritmos e às fogueiras
havemos de voltar.
À marimba e ao quissange
ao nosso carnaval
havemos de voltar.
À bela pátria angolana
nossa terra, nossa mãe
havemos de voltar.
Havemos de voltar
À Angola libertada
Angola independente.

Não sei se já voltamos? Se voltaremos? Se há volta a dar? O que eu sei é que há muito a fazer:
Havemos de Fazer!

Havemos de fazer
na " bela pátria angolana"
Lares e Hospitais
aeroportos e terminais
Havemos de fazer
escolas e universidades
cursos a mais
Havemos de fazer
na "nossa terra, nossa mãe"
passeios pedonais
jardins informais.
Havemos de fazer
centros culturais
e pessoas intelectuais
Havemos de fazer
dos "verdes dos milharais"
pinturas e poemas tais
Havemos de fazer
"Às nossas terras
vermelhas do café"
um apelo à fé
Havemos de fazer
Mais e mais


An individual has not started living until he can rise above the narrow confines of his individualistic concerns to the broader concerns of all humanity. ..................................... Martin Luther King, Jr.

ViRIATO DA CRUZ

Não posso negar a minha indignação!
A Minha tristeza!
por Viriato da Cruz
o "artista nas acácias floridas"
do Namoro! meu eterno namorado
"espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas"
Sim, confesso!
Sou sua namorada!
Hiper-dedicada! Sua aliada.
Que o procura! O ama!
Nas noites culturais!
Da Literatura!
Ai o Namoro! que tudo tinha!
Não deu certo!Sei Lá porquê?
E ficou Joâo Melo!
Nem Agostinho Neto
teria feito tanta questão!
De dizer que não!
Então senhores doutores
nem depois de morto
ele merece um Galardão?
realmente ele tinha razão:

"Mandei-lhe um cartão
.....................
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou"

Levarei concerteza
"à Avo Chica, quimbanda de fama"
para pelo menos ter
UMA EXPLICAÇÃO!

Estou feliz! Porque há gente com tomates

Estou feliz!
Plena de força motriz
Estou feliz!
Ninguém o diz,
Porquê?
Simples, porque existe:
Ngonguita
Nguimba
kardo
Lukeny
Jamila
John
Akwa
Sábio
Culeca
de Nilo
.....entre outros.
São pensadores
Intelectuais
Gente com tomates!

Você não é igual - denúncia

Um amigo trabalhador
um anónimo
um qualquer
um eu, um tu
chamado ao chefe
para explicar
a façanha de ser igual
Mas você é revolucionário?
Pergunta-lhe o Tal
Não sou!
Só quero ser igual.
Mas...isso é mortal
em pleno desfile
na parada
você levaria o tiro fatal!
Quem?
Você!
Não pense que é igual
Mas...`
Nem mais nem menos
Você não é igual
Um Chimbali ainda vale mais
você não é igual
Você é um revolucionário?
Não sou, chefe!
Não sou o necessário!
Um verdadeiro revolucionário
teria lhe ensinado todo
o porquê do abecedário...
e esse tal nunca me faria mal!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

apeteceu-me escrever

Procura-se Rui de Nilo! Oh Rui de Nilo...desconheço-te mas conheço o Rosto da Chuva. Melhor, desconheço esse rosto da chuva que descreves no teu texto

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A Vitória é certa!
diz o poeta...
que no presente
certifica a vitória
da nossa história
A vitória!
De Certeza é certa!
passa o pleonasmo
de quem tem alma de poeta

Escravizado



Ouvi um sussuro,
Um cheiro de fora...
cá dentro um sopro imenso
de quem quer ir embora!
Fiquei calado e manso
perante a maldade
Calei-me calado!
e ouvi um grito revoltado
um toque de fora
e cá dentro um medo zangado
de quem espera amordaçado
mudo e calado
Calei-me bem calado!
Confiscaram-me a leadade
Varreram a minha bondade
Fizeram-me buélo
Sem pátria
um escravo
Apagaram a minha história
Cobraram-me a identidade
Paguei caro!
O silêncio nefasto
da minha humildade
Pois fui escravizado!

Ngonguita Diogo

Ngonguita Diogo é uma poetisa angolana que muito tem enriquecido o mundo poético de Luanda. Declamadora e poeta ela faz das palavras uma rede sem regras e se entrega à leveza da nostalgia e à realidade do dia-a-dia. Tudo na sua poesia é vibrante, forte e poderoso. Não fosse Ngonguita uma mulher de força; pena é que as vicissitudes da vida não permitam que ela brilhe mais vezes nos palcos desta nossa Kianda!

De sua autoria existem já imensos textos que compôem livros que ainda não vieram a público; em sua casa ela ofereceu-me uma página A4 com o texto "Pedófilo" que descreve a sua revolta perante uma notícia que recentemente veio a público: a violação de um bébé de 2 anos. Ngonguita, mulher e mãe, revolta-se e contorce o corpo grávido de emoção. Jaz na pele de essa outra mãe que vê sua criança violada. Denuncia, condena e revolta-se...contra esse Pedófilo;

"Pedófilo

Quebraste os alicerces do meu bebé
Rasgando-lhe os panos da alma embrionária

Corta também o desespero da minha dor
Com a lâmina do sangue que ainda jorra da cratera que fizeste

Oh!
Maldita fome da tu'alma pecaminosa
Que encheu de luto o vazio do meu existir

Devia deixa-la no aconchego da minha placenta
P'ra protegê-la do riso do teu prazer demoníaco

Que venham os ventos libidinosos
Apressar o silêncio do teu existir

E nesse dia glorioso
Vestirei o luto dos prazeres
Decorado com as lágrimas do meu remorso

Condeno-te à morte mutilação"

Ngonguita


A luta contra a pedofilia, o abuso sexual e qualquer outro tipo de crime e violência são obrigatórias!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

11 de Novembro de 2009

Hoje senti uma ansiedade inquietante...como se a minha alma se desligasse do corpo e estevisse ausente num passado distante. Acordei às 6 horas e agora são 7 horas! A tal ausência de mim fez-me procurar letras e palavras que completassem esse vazio em mim. Lembrei-me como sempre de escrever. E cá estou eu com uma chávena de café na mão a celebrar a Independência. Aqui perante o meu portátil, com uma placa de internet escrevo para uma rede universal. Este acto é por si Liberdade! Escrever! E Publicar numa rede! Sem qualquer maka...sem qualquer interferência é Liberdade. Uma liberdade conquistada por muitos em todo o mundo. E hoje, porque escrevo em liberdade, sinto responsabilidade em homenagear esses heróis públicos, conhecidos, desconhecidos, reconhecidos e injustamente não reconhecidos que de alguma forma contribuíram para que a nossa sociedade desse mais um passo, um gigantesco passo, no sentido da Humanidade! Que esse passo nunca encontre a rectaguarda! Que a Humanidade nunca regrida!

E nesta altura o meu pequeno e modesto blog celebra 11º seguidor do blog. A 11 do 11 consegui o 11º seguidor. Agradeço ao António Pereira a sua boa vontade em se adicionar, após uma ligeira dose de insistência minha.


Neste dia declaro solenemente defender Liberdade e procurar a Verdade...nem que seja em mim e a minha. A mudança começa em cada um de nós!

Viva Liberdade do Povo/Homens Oprimidos

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

No blog, http://www.portugalremix.net/, lê-se como afirmou em 2003 o historiador James McPherson, vencedor do Prémio Pulitzer:
"...revision is the lifeblood of historical scholarship. History is a continuing dialogue between the present and the past. Interpretations of the past are subject to change in response to new evidence, new questions asked of the evidence, new perspectives gained by the passage of time. There is no single, eternal, and immutable "truth" about past events and their meaning. The unending quest of historians for understanding the past—that is, "revisionism"—is what makes history vital and meaningful."

Luanda iluminou-se para receber o 11 de Novembro

Como sempre o engarrafamento é imenso. Hoje fiz em 1h30 o percurso entre Miramar e a Maianga algo que não deveria demorar mais de 10 minutos a 50km/h; A minha sorte é que a pessoa que me acompanhava conseguiu, nesse intervalo de tempo, dar-me um curso de empreendedorismo...E que falta me fazia um curso desses! Pois é...e a fugir um bocado a esse curso sobre como ficar rico e fazer dinheiro, o meu olhar se deteve nas ruas iluminadas e enfeitadas para receber o 11 de Novembro. Pois é, parecem enfeites de Natal não fossem as cores da bandeira e a data gravada em todas as luminárias! Passámos pelo Parque da Independência e contornamos a Rotunda do 1º de Maio, onde a estátua do Presidente Agostinho Neto mal se vê, pela quantidade de bandeirinhas que se agitam ao sabor do vento. Pelo menos as entidades estatais não esqueceram a importância do 11 de Novembro! Só espero que o Largo das Heroínas se encha de flores para homenagear as mulheres que batalharam lado a lado com os homens. Nunca é demais recordar a história de Irene Cohen, Deolinda Rodrigues, Engrácia dos Santos, Lucrécia Paim e Teresa Afonso que de livre vontade se entregaram à Defesa dos Ideias patrióticos e se embrenharam na luta pela libertação. "Elas eram guerrilheiras do MPLA, alegadamente caidas numa emboscada da FNLA no norte de Angola (Kinkuzo) e posteriormente mortas. No entanto, esta versão do acontecimento ainda está coberta de controvérsia." como refere Koluki em http://koluki.blogspot.com (um blog que realmente vale a pena seguir!)

Convenção sobre os Direitos da Criança - Maria Aline

O Projecto Ler é um Hábito tem como coordenadora Maria Aline jornalista da Rádio Nacional de Angola. Esta iniciativa tem como lema: "Ler é um Hábito e os Hábitos criam-se" e pretende dar ênfase ao 20 de Novembro -Dia dedicado à Convenção sobre os Direitos da Criança. Assim as actividades desenvolver-se-ão desde o dia 17 de Novembro ao dia 21 de Novembro.


PROGRAMA
Dia 17 de Novembro - União dos Escritores Angolanos
9 horas - Inauguração da Exposição fotográfica retratando o drama das crianças vítimas de queimaduras.
Dia 18 de Novembro - Hospital Queimados
9 horas - Doação de material gastável e alimentos ao hospital e vestuário, brinquedos e livros as crinaças internadas naquela unidade hospitalar.
Demonstração de teatro.
Dia 20 de Novembro - Unidade Central do Corpo de Bombeiros
9 Horas - Palestra sob o tema, "A prevenção de Incêndio uma Responsabilidade Social"
Exposição de Fotos
Literatura Infanto-Juvenil
Dia 21 de Novembro - Parque da Independência
Espectáculo de Variedades para crianças
Poesia
Canto
Teatro
Concurso de cultura geral
Qualquer dúvida referente ao programa e às doações seguem-se os números de telemóvel da coordenação:
923277007 / 912364683.
Nesta fase de comemoração da Independência é importante perceber que só um povo com responsabilidade civil e social é vencedor!
Por isso leia, escreva e ajude a construir uma sociedade mais justa.
Como diz Miguel Neto: NÃO CUSTA NADA!

domingo, 8 de novembro de 2009

John Bella - um poeta da angolanidade

Nasceu Jorge Marques Bela no Bairro do Sambizanga em Luanda mas pelos caminhos do sentimento transformou-se num poeta da vida e ascendeu desde os seus precoces 12 anos ao reino das Letras pelo heterónimo de John Bella. Actualmente, mais que um escritor consagrado é um escritor lido e com várias obras no mercado nacional.

"Água da Vida" foi a sua primeira obra e traz-nos poemas onde a presença das línguas nacionais se encontra reflectida de forma singela como em "Noite Kianda":

"Kianda que anda da ponta ao cuidado
procura kalunga
que deu Wanga Kalumba
Na noite Kyanda
Besa molho de ngana axilwanda
oferencendo kixilwanda à kyanda"

Água da vida é alquimia que eleva o leitor às profundezas dos mares de rosas e espinhos do ser; Esta sua primeira incursão no mundo das letras vale-lhe o prémio Galax e o reconhecimento de Escritor do Ano.

Passam-se seis anos para John Bella nos premiar novamente com o seu talento poético em "As Panelas Cozinham Madrugadas" lançado na cidade do Porto em Portugal.

Os novos poemas reflectem um poeta amadurecido que transparece ideologias e ideais de forma mais concisa ao ritmo das palavras e conceitos angolanos:

"ao templo maubere não foi convidado
comer das rações Unidas
mesma fé da Bósnia ao Kowait"

Mas como poeta que é fala de amor...ama e descreve esse amor sofrido, vivido, interrompido e até não correspondido. Em "Porque Será?" revela:

"Confiei-te
segredos da minha poesia
como antes ninguém o fez
que foi de errado que fiz
ainda...
não me aceitaste?"
(se Ela não te aceitou nós já te aceitamos como poeta e escritor (risos))

E do mundo complicado dos adultos passa, talvez pela paternidade que lhe ocupa os dias, para o mundo encantado das crianças. Nesta mudança demonstra a sabedoria de um homem que vê o futuro da Humanidade nas crianças que educamos. E no exercício da arte da escrita inventa fábulas que seguem os desejos de Nzambi Dywlu e recriam um mundo ideal.

Mas para além deste percurso John Bella tem um currículum invejável. Pertenceu à Brigada Jovem de Literatura de Luanda onde mais tarde exerceu a função de secretário. Membro da União de Escritores Angolanos, actualmente exerce a actividade de professor e foi eleito para Deputado da Assembleia Nacional.

Independência

Um sonho, uma quimera,
que se perde na outra hora
de outréns que
dizem que não é agora
dizem que é na outra hora!
Pois o poeta empunhou a caneta
Desenhou uma visão
dessas que conquistam planetas
e iniciam a tal Revolução
Pois é,
O poeta cansou-se do futuro
E apressou o tempo desse outrém
da outra hora
E forçando a caneta puxou a linha do tempo
para o agora!
A sofrer matou
A morrer lutou
A viver jurou
e Sangrou a Independência
para gerar ANGOLA - Mátria!

A importância dos escritores na Independência de Angola


A convite do escritor e poeta Jonh Bella participei como moderadora na palestra sob o tema: "A Importâncias dos Escritores na Independência de Angola, realizado dia 7 de Novembro no Bairro Popular no Colégio.

Os escritores de alguma forma são os declamadores da alma, dos sentimentos da Nação: sejam eles esperança. tristeza, alegria, sofrimento...e desde que a censura não exista o escritor não camuflará o que a sua gente sente! Pois como dizia Ruy de Carvalho: "Estamos juntos no país que temos!"
Com as convulsões sociais vigentes em Portugal com o objectivo de implementar a Democracia, Angola e os Angolanos, aperceberam-se na revolução de outros a necessidade da sua revolução!

Todo este processo de mudança de mentalidade e sistema político teve início na intelectualidade que compunha textos, poemas que muitas vezes musicados se transformavam em hinos da revolução que o povo entoava entredentes. Nessa abordagem Angola bebeu muito dessa aura nas pessoas de Agostinho Neto, Viriato Cruz, Manuel Rui, António Jacinto, Mário Pinto de Andrade, Mendes de Carvalho...entre outros.

Nos poemas de Viriato Cruz é notória a identificação com o povo situado na última camada social:
"ai, benjamin, sujo, esfarrapado e descalço, levei-o ao baile do sr. Januário" e em Makezu revela, numa escrita que denuncia a dificuldade do povo em falar o português correctamente, a necessidade de proteger a identidade nacional: "É pruquê nossas raíz tem força do Makezú!..."

Já António Jacinto em Monagamba, poema musicado, descreve a vida dos contratados (escravos) que sacrificam o corpo e alma nas roças de café:
"Negro da cor do contratado faz o branco prosperar..." ...subentenda-se que o "branco" refere-se ao colono que escraviza e não aos brancos em geral, ou mesmo a todos os portugueses (muitos deles também forçados pelo regime fascista). Há que perceber que não é a cor da pessoa que escraviza mas a sua mente;

Manuel Rui Monteiro sente necessidade de reforçar a força primordial dos poemas nas decisões significativas de Angola: "Entre a guerra e a paz retorno fisicamente ao poema, constante meditação primeira"; António Jacinto é da mesma opinião como é patente na carta que escreve a Mário Pinto de Andrade em 1952:
"Eu creio firmemente que é pela poesia que tudo vai começar"

Assim as formas literárias, e em especial a poesia, são criadoras de sonhos e utopias que o homem persegue para fazer acontecer o sonho; pois como dizia Jonh Bella na palestra todos estes escritores já viam uma independência numa altura em que tal hipótese era inconcebível:

"Amanhã
Entoaremos hinos à liberdade
quando comemorarmos
a data da abolição desta escravatura
Nós vamos em busca de luz
Os teus filhos mãe
Vão em busca de vida"
Agostinho Neto

E assim, com o amanhã transformado em presente a 11 de Novembro de 1975 o poeta Agostinho Neto escreve na história de Angola o maior poema de todos:

"Em nome do Povo Angolano, proclamo solenemente perante África e o mundo a independência de Angola...e que vivam para sempre os seus heróis"
Discurso de Agostinho Neto a 11 de Novembro de 1975

E agora? Angola? Passaram-se 34 anos desde a Declaração de Independência; E nos jornais deste mês de Novembro dizem que os Angolanos desconhecem a sua história e a importância do 11 de Novembro! Realmente como diz Mendes de Carvalho: "Oh passado, como te posso invocar e viver-te no vivo?!"

A liberdade futura é inegável,
perante uma democracia prematura
A Vitória será certa quando os mais velhos
Apaziguarem e preencherem a mente dos mais novos
E assim contrapor os fazedores de opinião com
A verdade da história,
sem, no entanto, comprometer a unidade da nação.

Procura-se, sim, a identidade iluminada e esclarecida
perfurando a barreira do radicalismo, desinformação e manipulação;
Só uma nação culta e literada poderá Vencer!
Se escrever é um acto patriótico, Ler dá-nos o passaporte mundial.


POESIA É REVOLUÇÂO! E eu como António Jacinto "creio firmemente que é pela poesia que tudo vai começar" e continuar... por isso parabéns aos espaços onde a Poesia é Rainha...
Espaço Baía
Chá de caxinde
União dos Escritores Angolanos
LevArte


Força Angola! A Vitória é Certa!
11 de Novembro Sempre

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sei de alguém


Sei de alguém
Sei de alguém que não tem
nem um vintém.
Sei de alguém
que morre por um vintém!
E sei de mais alguém
que dá um vintém
para ter o que o outro tem.
E também sei de alguém
que dá todo o seu vintém
em troca desse alguém.
Tanto alguém! sem alguém!
sem vintém!
em busca de alguém e desse vintém;
e há quem diga que vintém é alguém
há quem jure que não vive sem vintém
e há quem não ame alguém sem esse vintém!
e há quem ame alguém e nem saiba desse vintém!

Se escrever é um acto patriótico...ler é um acto universal

ControVerso - Kardo Bestilo

O dia 5 de Novembro não foi um dia muito feliz para mim. Confesso! Aconteceram pequenas coisas....mas mesmo muito pequenas que me fizeram reduzir ligeiramente a positividade do meu semblante...mas por mais um acaso recebi o convite do Nguimba Ngola para ir ao lançamento do livro: "Amor Protegido". Como sempre, dificilmente recuso um convite que envolva cultura...especialmente literatura! E lá consegui estar!

Após o lançamento, descemos as escadas e no desconhecimento estúpido de quem por vezes vai aos sítios e distraidamente não repara em nada dei de caras com um teatro. Passando a imensa portada com cortinados pretos entrei novamente e sem querer querendo no mundo da poesia. E como se de um outro mundo se tratasse um grupo de pessoas sentadas ouvia declamar uma criança, de seu nome Igor...o Igor com talvez 10 anos falava dos diamantes da Lunda e de um amor por uma fingida! Quando a poesia já atinge as crianças digam-me lá que não há esperança?! Mas é que me digam com frontalidade...porque eu respondo com toda a frontalidade: PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII.....PIIIIIIIIIII:::e mais PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII....pois só vê o fim quem acredita que lá vai chegar...e só vence quem não desiste...

Mas com tudo isto, e após mais uma sessão de cultura saí. E na rua cruzei-me com Kardo Bestilo (Kussi Bernardo) que me disse ser escritor. Comprei-lhe o livro ControVerso! E claro pedi-lhe um autógrafo, melhor...confessei-lhe que o que precisava mesmo era de uma mensagem que me ajudasse acreditar que vale a pena persistir na escrita e a acreditar em sonhos; e sem grandes modas lá escreveu algo que eu não li na altura. Agora no silêncio deste quarto e ao som deste teclado, lembrei-me de ler a sua mensagem:

"A luz é o caminho que buscamos,
os degraus as batalhas que vencemos..."

Animei e com todo o entusiasmo comecei a ler o livro...uma coisa eu sei...o poema "Sofrimento do meu povo" é altamente reaccionário e contestatário talvez por isso Kardo sinta necessidade de o cingir a 1960 - 1974! parabéns ao pai de Kardo pela capacidade de exprimir sem pudor ou medo o que lhe ia na alma...mas há que contextualizar!!!!! talvez ainda esteja mais contextualizado agora!

Fugindo ao tom grave do pai, Kardo busca consolo no "Amor" da mãe que o "liberta e dá espaço". Amor é Liberdade! Será Kardo? Será? E como quem não conhece a "liberdade" questionas:"Mas o que és tu Liberdade/Pedaço de Verdade?" e como quem não acredita confessas tristemente:"Todos te querem/Ninguém te tem" e após explicares o que te vai na alma descreves a Poesia de forma transcendental:

Poesia

Quem sou eu? - indaga a poesia e como quem se descobre confessa-se:"Eu sou fruto de dois jovens e milhões de velhos"..."Eu sou aquela que não aceita regras"..."Eu sou aquela que quer melhorar todos os dias"
"Eu sou a Poesia"

E a querer ler mais me pergunto: o que te passou nessa cabeça para escrever "Rico Liberal"?

"Não sei como é que essa gente adora ser pobre
E ainda vêm com histórias que amor não se compra"

Deixa-me que te diga, o amor não se compra: hipoteca-se!

Amor Protegido de Zilda Ginga Fontes


Hoje dia 5 de Novembro estive no Chá de Caxinde para assistir ao Lançamento do Livro Amor Protegido de Zilda Ginga Fontes. Não se julgam livros pela capa, mas a capa deste livro é fenomenal. Primeiro porque tem uma árvore que simboliza o Continente Africano - um imbondeiro. Segundo porque tem um símbolo universal que desde cedo nos encarregamos de desenhar nos cadernos e paredes da escola: o coração com a seta do cupido onde por vezes revelamos o nome do nosso amor! Posso não julgar o livro pela capa, mas posso, ler um livro porque a capa de alguma forma me chamou à atenção. E posso ir ao lançamento porque a capa e o título me conquistaram!


Quanto ao livro...quanto ao livro! É um romance, uma história de amor de uma mulher pelo filho João Pedro e por um homem Ricardo...uma história interrompida, que permanece inexistente, num intervalo de tempo com a idade de uma criança... depois, uma morte que fecha o intervalo e permite ao tempo da história de amor um reencontro; desta forma o coração ferido e solitário volta a acreditar na protecção dos deuses...porque um amor como o deles só pode ser "UM AMOR PROTEGIDO".


Tenho de dar os parabéns à Editora e ao Espaço Chá de Caxinde pelo enorme esforço na dinamização da cultura angolana (Nota 10) e por mais esta edição! Realmente e parafraseando o que disse o responsável pela Chá de Caxinde "LER É UM ACTO PATRIÓTICO".

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A poesia é Revolução!

Mais uma vez decorreu no Espaço Baía a noite de poesia apresentada por Lukeny. Já tinha falado sobre esse espaço e esse momento...mas as coisas boas não cansam, né? E como não me cansam nunca é demais repetir...é bom! É muito bom! Ontem a pergunta lançada por Lukeny era: "Como podemos contribuir mais para o desenvolvimento de Angola?" E perante a pergunta iniciou-se o movimento de sobe e desce a um palco mimado por músicos...e por acaso (um acaso será?mais um acaso) Nguimba Ngola estava no Espaço Baía. E com a Mátria a carregar-lhe o peso do corpo abriu a sessão; clamando gabou mulheres de Angola...elogiou, desejou, cedeu e prometeu a elas respeitar...talvez por isso este seu livro seja dedicado à Mulher! E concerteza a esta Angola-Mãe! E como se o seu corpo ferido de alma recusasse o fôlego da respiração transpirou versos de elogios, tristeza e com paixão. Soou e ressoou pela sala...e numa orgia de palmas embrenhou-se novamente no palco dos espectadores. E nisto tudo, humildemente, grata ao Espaço Baía subi ao palco desejando falar sobre a importância da Poesia no desenvolvimento de Angola. Confesso que ainda nem sabia que poema de Nguimba iria ler...e ofuscada pela luz do holofote, feliz por um microfone que me eleva a voz, referi: que Poesia é Revolução! e confirmei que não é por mais uma feliz coincidência que a independência teve por base poetas...e parvamente, e porque sofro de fobia dos palcos esqueci-me de dizer que poesia é a alma do povo! é a identidade materializada...e que só com alma se faz uma nação e se reconstrói um país! Recordei António Jacinto! E por acaso abri o livro Mátria no poema: Poeta! Mais um acaso, que na minha trajectória com Nguimba se tornam imensos...desde os dizeres da sua T-shirt -"Para Deus nada é impossível"-que ele orgulhosamente usava no programa Tchilar enquanto apresentava o meu livro de forma tão entusiasta...thanks Nguimba Ngola pela poesia que ofereces!

domingo, 1 de novembro de 2009

A Rainha Ginga por John Bella

O Escritor John Bella tem a honra de convidar-lhe para o lançamento do seu primeiro romance intitulado " Os Primeiros Passos da Rainha Njinga," que será realizado no dia 22-03-2011, terça-feira, as 17 horas e 30 minutos na União dos Escritores Angolanos.

Participe, a sua presença será a nossa satisfação.






Está ainda mais ou menos no segredo dos deuses! Mas a Rainha Ginga, um grande ícone de Angola, verá a sua história reescrita por John Bella. Este livro será reflexo dos documentos, relatos e pesquisas que John Bella fez. Alguns, como cartas, revela, estarem na Torre do Tombo em Lisboa. Todo este romance histórico permitirá conhecer uma mulher com sabedoria, força, determinação e paixão; uma Rainha bela que também é guerreira e cruel. Uma Rainha que luta na frente de batalha e treina o seu exército, não poupando aqueles que considera fracos para combater.
Pelo meio, uma história de amor digna de cinema e um vilão humilhado que prepara uma cilada para esta mulher-rei.
Tudo indica que teremos em breve um épico nas livrarias!



LUEJI DHARMA

O Rosto da Chuva - Rui Nilo

Ontem estava imenso calor. Tanto calor que se tornava dificil suportar a temperatura na rua. Vive-se um jogo de cintura em busca de uma pequena sombra das parcas árvores que resistem e dos beirados exíguos. O melhor é mesmo abrandar o passo e lentamente marchar até onde se quer chegar...foi nesta lentidão lânguida que me fui arrastando do Parque da Independência até à Sagrada Família. A passos lentos pode demorar uma eternidade...e num derepente uma trovoada; Seguida de uma chuvada. Uma grande chuvada! As ruas rapidamente se inundaram e o caos da cidade cresceu. Numa fracção de minutos Luanda estremeceu.

E eu só me lembrava do Rosto da Chuva de Rui Nilo. A pergunta de Ngonguita martelava-me a mente ao ritmo desconcertante das gotas grossas de chuva: "Onde anda o Rui Nilo?Amei o livro dele: O Rosto da Chuva." E eu fiquei perplexa pelo título, perplexa pela afirmação sentida de Ngonguita e perplexa pelo meu desconhecimento!

Onde anda o Rui Nilo?
Quem é o Rui Nilo?
E onde encontrar esse livro com um título tão sugestivo: O Rosto da Chuva;

Como sempre a minha curiosidade quando aguçada tem de ter um resultado; e feliz encontrei o blog sensível, artístico e encantador de Rui Nilo. : http://orostodachuva.blogspot.com
Agora só espero em breve ter o livro e quem sabe dar uma palavrinha com o autor.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A (RE) CONSTRUÇÃO DA ANGOLANIDADE EM UANHENGA XITU

Num destes dias, em Luanda, fui ao lançamento do novo livro de UANHENGA XITU pseudónimo de Mendes de Carvalho. Uma cerimónia que decorreu na União de Escritores Angolanos e que contou com plateia cheia de escritores de renome como Pepetela, John Bella, Luandino Vieira...

Os livros vendiam-se enquanto Luandino Vieira apresentava o livro deste "mais-velho" com a sabedoria de soba: uma verdadeira enciclopédia viva de Angola e da Angolanidade.

Entre os livros que se vendiam, acabei por comprar A (RE) CONSTRUÇÃO DA ANGOLANIDADE EM UANHENGA XITU de Ana Lopes de Sá. Este livro aborda a obra de Uahenga Xitu nas vertentes de "escritor e contador original, mas ainda como cidadão, intelectual e activista político do antes e depois da independência de Angola".

Da leitura deste pequeno livro percebe-se que UANHENGA XITU reflecte o conflito e a "maka" entre o tradicional (de Angola) com o suposto moderno que vem de fora. Seja em termos de religião, cultura ou política...na sequência da "encruzilhada de civilizações" referida por Agostinho Neto.

Em "Cultos Especiais", Mendes de Carvalho como espectador de dois mundos, foca-se na temática da aculturação e da perca de identidade provocada pelo Cristianismo e por outras forças religiosas estrangeiras em Angola. Claro, que nestes fenómenos de aculturação não se pode falar apenas em percas também há ganhos...há outras formas que são apreendidas...

Assim o autor foca-se em aspectos e tradições da sociedade tradicional que conflituam com as novas correntes e padrões religiosos, como sejam, a poligamia, os amuletos, as kimbandas, os óbitos, etc...um universo enraizado que se vê ostracizado e estigmatizado.

Sem solução para a (des)união Uahenga questiona-se "Oh passado, como te posso invocar e viver-te no vivo?!"

E neste dilema ora encontra solução no tradicional ora no moderno! Mas num breve reparo de um "mais-velho" que já não tem idade para ter medo (uoma) e que tem a obrigação de contar aos outros .

Estação das Chuvas - José Eduardo Agualusa

Comecei a ler o livro, sem qualquer interesse. O título não me chamou a atenção...pensei. Mas a vontade de ler Agualusa era grande; Deparei-me logo nas primeiras páginas com três verdades incontornáveis deste país:
- uma data: 11 de Novembro de 1975.
- um nome: Agostinho Neto
-uma cidade: Luanda...estavam lançados os dados para o meu interesse;

" Em nome do povo angolano, o Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola, MPLA, proclama solenemente perante África e o mundo a independência de Angola...que vivam para sempre os heróis de Angola..."
Agostinho Neto

E numa noite devorei o livro...um livro que conta a história de Lídia, uma mulher que nasceu de um romance infeliz...com duas mortes à mistura. Uma Lídia que perdeu a mãe à nascença e que por sorte vive; vive para se entregar a uma Angola e a causas revolucionárias...como ela! Uma Lídia que entre relatos quase jornalísticos e bastante precisos narra a história contemporânea de Angola. Daí ser óbvio que Torcato Sepúlveda in Público (Lisboa) se refira a esta obra de Agualusa "a mais notável obra sobre a História Contemporânea de Angola"; sem esquecer no entanto de que Lídia não existe, é apenas uma personagem do livro.
Uma das afirmações mais intrigantes e ao mesmo tempo, para quem conhece a história de Angola, mais fascinantes é:
"Eu creio firmemente que é pela poesia que tudo vai começar"
António Jacinto, em carta a Mário Pinto de Andrade, escrita em Luanda, em 1 de Fevereiro de 1952.

E não é que António Jacinto em 1952 profetizou uma independência que se iria concretizar 25 anos depois! Angola teve no seu movimento em prol da independência: Viriato Cruz e Agostinho Neto ( entre outros)...em lados opostos...mas ambos poetas.

"Nalguma dessa poesia, de autores vários...que o poder temia" porque "havia uma alma angolana. E contra essa não tinha defesa. Para quem a temia era a derrota decretada em verso"

Ruy Duarte de Carvalho , "Estamos Juntos no País que Temos"


E assim, abrindo parêntesis extensos na história de Lídia o autor conta a história política de Angola...cruzando com Lídia uma personagem fictícia personagens reais: Viriato da Cruz, o Monstro Imortal, Mário Pinto de Andrade, Valódia...

Lídia vive intensamente a vida dos homens do MPLA; "Eu conheço-os bem. Fui para a cama com todos." Conhece-os, acompanha-os e apoia-os no seu percurso...tenta em vão apaziguar a rivalidade entre Viriato da Cruz e Agostinho Neto. mas é tarde! Viriato não tem opção que não o exílio; fica no ar a ideia de que é afastado por na altura se procurar um negro para o poder (não um filho do colono)...quem sabe?

E de Viriato se passa para uma Luanda de 1988 onde Savimbi e a sua política racial ganham direito a aparecer na história...

Sem querer desvendar mais do livro, reforço a ideia que é um livro indispensável para quem quer saber mais sobre Angola e os seus homens de vulto.
Em nota de rodapé: Agualusa afirma que Lídia não existe...para mim não há dúvidas de que ela existe...