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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Mesa Bicuda - Arte do Engano na Televisão


Arte do Engano na Televisão!
João Melo de Sousa e Lueji Dharma


João Melo de Sousa ao longo da sua carreira diversificada teve hipótese de experimentar o mundo televisivo através do Porto Canal. Desde essa altura, desenvolveu um sentido crítico e de análise em relação ao mundo da TV. É a sua visão que ele partilhou connosco na Mesa Bicuda em mais uma Quinta Feira da Poesia no Kings Klub.

Construção de cenários e imagens!

A televisão constrói cenários e imagens que são apreendidas como verdades absolutas mas sem, desprimor para a televisão, o telespectador deverá conhecer mais profundamente para distinguir a verdade televisiva da realidade.

Verdade televisiva diferente de realidade!

Os fazedores de notícias e programas têm formatos que devem obedecer e criar para conseguirem passar a mensagem de forma interessante e esteticamente apelativa, mesmo que isso desconstrua totalmente a realidade. Por exemplo, para fazer com que um telejornal se torne mais apelativo a redacção recorre aos directos. É conhecido o caso de um famoso jornalista que dizia estar em directo de Bagdad na altura da Guerra do Iraque, quando se encontrava num hotel. Com as luzes certas, a maquilhagem ideal e com as imagens de fundo de uma guerra ninguém duvidou!
A verdade é que a televisão pode criar o cenário que se quiser e fazer-nos crer que é a realidade.

Responsabilidade da notícia…
Uma redacção de um telejornal recebe inúmeras notícias diariamente. E dessas notícias é necessário em tempo record destrinçar o que é notícia, do que é boato, e a sua importância em termos globais. Para que se garantisse a fiabilidade da notícia era necessário que os jornalistas fossem averiguar a história e fazer uma peça jornalística da mesma no menor tempo possível. Tal implicava custos desmedidos e ao mesmo tempo o telejornal poderia ficar esvaziado de conteúdo. Nesse sentido os meios de comunicação viram-se desde muito cedo obrigados a recorrer às agências noticiosas.

As agências noticiosas…uniformização e validação da notícia
A abertura de uma notícia em geral, e especialmente se for bombástica, começa por: “Segundo a Agência Noticiosa...”. Esta foi a forma que as redacções encontraram de se salvaguardar e de, ao mesmo tempo, conseguirem ter os telejornais munidos de informação validada. Estas agências possuem agentes em quase todos os pontos do mundo e fazendo uso das novas tecnologias conseguem manter uma base de dados de informação jornalística actualizada.

Um exemplo clássico de como ter um conhecimento das técnicas televisivas pode ser decisivo para umas eleições! Caso Nixon versus JFK
O célebre caso do debate televisivo Nixon versus JFK considerado pelos analistas políticos como o factor decisivo das eleições demonstra que uma imagem vale mais que mil palavras. Com uma imagem bem tratada e bronzeada, com maquilhagem adequada e um fato de Verão Kennedy venceu um Nixon desmaquilhado, desgastado por uma doença e transpirado pela combinação da temperatura elevada do estúdio e o fato de Inverno. O desconforto da imagem de Nixon perante um jovial e confiante Kennedy foi mais importante que a experiência de Nixon. E desde essa altura, a Televisão tem mantido acesa a chama dos debates televisivos em eleições.

Quanto ao Lev’Arte e a sua imagem como programa de entretenimento poético e cultural…
João Melo de Sousa não deixou de tecer elogios à performance deste Movimento. E especialmente destaca-se claro o papel do apresentador Kiokamba que mantém e faz a ligação entre todas as intervenções com elevada criatividade humorística.

Mais uma Mesa Bicuda!
Lueji Dharma / Nzambi é Amor
12 de Agosto de 2010.

Um comentário:

O Sousa da Ponte disse...

Até fiquei vermelho!

Foi uma noite muito divertida com pessoas muito interessadas e, o que é mais, interessantes.

São estas coisas que fazem querer querer que nós, os falantes de português, de Angola ao Zimbabwe, ainda -um dia - faremos a diferença.

E é - convicção minha sem qualquer fundamento científico que quem fala português, com o sotaque lindo de Lisboa, Goa, Timor, Bazaruto, Bahia, Luanda, Malanje, Luxemburgo, Nabibe e etc e (o que é mais o tal etecetra) é que comunga em nós a língua e o código.

Como diria Fernando Pessoa : a minha pátria é a língua portuguesa.

E é verdade.

Eu, cidadão do mundo, (entre aspas que o meu mundo é o mundo português) amo o mundo em que se fala português.

Angola, Cabo Verde, Damão (India), Espanha ( em que na Galiza se adora o Português), Galiza (as mesmas razões), Holanda em que tanto se ouve o português de Portugal, de Angola, ou do Brasil , Italia em que até há um dialecto que se chama portugueses...Japão em que pan é pão em português,.....


Um dia, sem nós mesmos sabermos porque, iremos fazer a diferença